Dia de Cristina
Fotografia: Instagram/Dia de Cristina

Opinião. ‘Dia de Cristina’ olha o futuro com demasiado passado

O Dia de Cristina chegou, finalmente, esta quarta-feira (23). O novo projeto profissional de Cristina Ferreira na sua “casa-mãe”, a TVI, esteve no ar durante todo o dia, ocupando o espaço de grande parte da programação habitual do canal.

Ao longo das últimas semanas, a Diretora de Entretenimento e Ficção da TVI pouco disse sobre o novo programa. Quando se referia ao Dia de Cristina, apenas afirmava que este seria “tudo o que a Cristina quiser”. Desta forma, a apresentadora conseguiu gerar uma enorme curiosidade generalizada no público, que estava “em pulgas” para saber todas as novidades. Prova disso é o facto de a palavra “Cristina” ter sido um dos tópicos mais falados no Twitter durante o dia de estreia.

Dia de Cristina arrancou depois das 10h e abriu com uma atuação comovente de Mariza, que cantou o tema ‘Melhor de Mim‘. Foi uma abertura muito bonita que ficou ainda mais rica com a presença do grupo Fado pelos 2. Este conjunto é composto por Tiago e Íris, um português e uma holandesa, respetivamente, que venceram recentemente um concurso de talentos na Holanda, o We Want More.

Dizer que faltou dinâmica ao programa é errado. Cristina Ferreira já habituou os espectadores a que muita coisa aconteça num curto espaço de tempo, e no Dia de Cristina não foi diferente. Por exemplo, só durante a manhã, além da abertura com os momentos musicais, recebeu Joana Barrios e Cláudio Ramos, que regressaram aos ecrãs e protagonizaram momentos engraçados à volta da cozinha, como aliás acontecia no Programa da Cristina, na SIC. Teve tempo ainda para uma conversa com o padre Rui Miguel e para promover a novela Amar Demais, com a presença em estúdio do núcleo jovem da produção.

Um dos momentos mais intensos foi a conversa com Cláudio Ramos, onde os dois expuseram aquilo que sentem. Este momento aconteceu também durante a manhã e, logo a seguir, foi apresentada uma história de um casal anónimo. A manhã fechou com uma crónica criminal. Com isto, fica evidente que dinamismo não faltou ao programa.

Durante a tarde Cristina fez mais do mesmo, recebeu Ruben Rua e Helena Coelho, que são os apresentadores do novo programa da TVI. Mickael Carreira e Nininho em dupla protagonizaram um momento musical. Iva Domingues foi também convidada do programa e até foi surpreendida pela filha e por um coro de gospel que lhe cantou os parabéns. Houve tempo ainda para duas reportagens bastante emotivas, uma sobre saúde mental e outra sobre um caso de negligência médica. Antes da entrevista a Jorge Jesus, recebeu quatro mulheres que falaram de forma descomplexada sobre o sexo. A fechar a emissão Nuno Ribeiro cantou uma música, entendida como um hino da nova fase da TVI.

O conteúdo do programa não foi de todo mau e o programa não foi desagradável de assistir. O problema é que o programa não apresentou inovação. Inovação essa que foi um dos adjetivos utilizados por Cristina para descrever este seu projeto. Se isto é o futuro, podemos dizer que está exatamente igual àquilo que foi feito no passado.

O cenário

À partida, Dia de Cristina será um programa semanal e que ocupa toda a programação diária do canal de Queluz e, por isso, entende-se a excentricidade do estúdio. Por um lado, o cenário é tudo o contrário do que programas de daytime “pedem”. É muito impessoal e com cores frias, nada acolhedor. Por outro, é a mudança, é a diferença. Talvez todos estivéssemos à espera de algo mais “normal”, mas Cristina Ferreira deu-nos um cenário nada convencional.

Dia de Cristina é um programa diferente e com um grande destaque. Compreende-se a escolha do cenário no sentido em que representa uma rutura com o que é normalmente apresentado. No entanto, parece-me uma escolha muito pesada para a faixa horária em que está no ar. Cristina Ferreira diz que o cenário é o futuro mas, a verdade, é que o cenário parece retirado bem lá de trás, do passado.

Outro dos problemas impossíveis de ignorar foi a quantidade de sombras presentes ao longo de toda a emissão. Desde sombras dos convidados, passando pela sombra da própria Cristina Ferreira e, até mesmo, sombras das câmaras. De facto, a iluminação não foi um dos pontos fortes do estúdio.

O estúdio faz lembrar um verdadeiro programa de horário nobre: excêntrico e festivo. Esta característica levanta uma questão: será que faz sentido ter um cenário deste género para apresentar o tipo de conteúdo presente no programa?

O conteúdo

Dia de Cristina foi anunciado como sendo inovador mas a verdade é que nada de novo trouxe à televisão no que ao conteúdo diz respeito. Toda a estrutura do programa quer durante a manhã, quer durante a tarde, foi muito parecida com qualquer outro formato anterior.

Tal como disse acima, foi agradável ver o programa, mas este não introduziu nenhuma alteração face ao que o público está habituado. É verdade que dinâmica não faltou, como referi, mas pedia-se mais a Cristina Ferreira, que anunciou este projeto com grande pompa e circunstância.

Não faz sentido a existência de uma Crónica Criminal dentro de Dia de Cristina, mas esta aconteceu. Toda a última parte da manhã do programa foi dedicada à atualidade criminal do nosso país. Estes blocos estão presentes há vários anos em todos os canais e, além disso, os comentadores foram os mesmos que aparecem diariamente no Você na TV!. A juntar ao facto de ser mais do mesmo, é absolutamente desastroso estarem cinco pessoas vestidas à gala a comentar crimes num cenário festivo. Sem dúvida alguma, este foi o ponto mais negativo de tudo o que aconteceu na estreia de Dia de Cristina.

Cristina Ferreira regressou então à antena da TVI e prometeu que cada Dia de Cristina será especial. No geral, o programa de estreia foi bom. Resta-nos agora esperar pelas próximas emissões para perceber que outras surpresas vão ser reveladas.

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