samuel úria
Samuel Úria no vídeoclipe da canção "Aos Pós" | Fonte: Joana Linda

Samuel Úria: “Quero ser um bardo de coisas bonitas e claras no meio da escuridão”

O novo disco de Samuel ÚriaCanções do Pós-Guerra, já está disponível para escuta e nas lojas. Em conversa com o Espalha-Factos, o músico falou sobre a ideia por trás do conceito de “pós-guerra”, sublinhou a importância do complemento visual no seu processo criativo e confessou ter “uma grande fome de palco“.

Com um disco mais obscuro mas que não vira a cara a canções de amor, Samuel Úria pretende um foco mais incidente na mensagem. Assim, despe a camada mais radiofónica de antigos discos, apostando agora numa abordagem mais “madura“. O disco surge acompanhado de um longo plano-sequência realizado por Joana Linda que pretende, para além de espelhar o seu percurso de criação, servir como um manifesto à rua, depois de tanto tempo passado em confinamento.

A apresentação do disco terá lugar no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa, no dia 6 de outubro e na Casa da Música, no Porto, no dia 7 do mesmo mês.

Na introdução a este novo disco, Canções do Pós-Guerra, pode ler-se que este seja, talvez, o teu disco mais maduro. Em que aspectos é que achas que o é? É a questão de abordar mais a escuridão, ou terá sido a sonoridade que amadureceu?

Na verdade quem escreveu isso foi o Rui Portulez [da Valentim de Carvalho], mas de facto, ao ler as palavras que ele escreveu quase que faço um revisionismo àquilo que foi o meu processo criativo, a minha intenção sobre esse disco e tenho que lhe dar razão. Muito do que me levou a fazer as coisas desta maneira tem que ver com o abandonar, se calhar, algumas fórmulas que tinham tido sucesso no disco anterior que fizeram com que ele tocasse durante tanto tempo. Ele estava mais ligado ao universo mais pop, mais festivo e eu, querendo reformular as canções e a estética musical para não estar a repetir exatamente a mesma coisa, fui atrás de um universo mais frio em algumas partes, menos eletrónico e mais baseado em instrumentos acústicos. Nesse sentido, essa construção acaba por dar a este disco, pelo menos em termos sonoros e imediatos uma coisa mais “adulta”, mais preocupada com a mensagem do que propriamente com o invólucro que o torna mais dançável ou mais radiofónico.

Quanto ao título do disco em si: Canções do Pós-Guerra. É um pós-guerra físico, é um pós-guerra pessoal? Não sei se já tinhas escolhido o nome do disco antes da pandemia, mas poderia também ser um pós-guerra pandémico, sendo que tanta gente compara esta situação com uma “guerra”?

O título foi escolhido não só antes da pandemia, como até antes de grande parte do disco estar escrito. Normalmente não se faz assim, acabam-se as canções, olha-se para o grupo e a partir do grupo escolhe-se um título. Desta vez o processo foi inverso, depois de ter as primeiras duas canções olhei logo para elas e tentei decifrar o que podia ali estar a uni-las e a partir daí saiu o conceito do “pós-guerra” e desenvolvi o disco a partir disso. O conceito “pós-guerra”, na verdade, dá uma grande amplitude conceptual porque não só a guerra tem vários sentidos, como tu até falaste, pode ser uma guerra pessoal, uma coisa até comigo próprio, algo muito interno, como pode ser a guerra de conflitos literais que assolam, os bélicos e os armados. Podem ser guerras de sexo, debates de ideias… Há muitas guerras que eu podia estar aqui a aflorar e, mais do que a amplitude do conceito de guerra, também o conceito de pós-guerra é muito amplo. Pode levar para a parte do rescaldo do que se passou, pode levar para a sobrevivência, para o luto, para a reconstrução. Pode levar para a tristeza, esperança. O pós-guerra é um estado quase contínuo, há sempre coisas das quais estamos a sair e isso indicava-me que eu podia escrever muitas canções que podiam ser tematicamente diversas e invariavelmente poderia enquadrá-las nesta amplitude do pós-guerra.

Tendo em conta a canção ‘Aos Pós‘, falas na pós-modernidade e o facto de estarmos condenados a repetir os erros históricos. Achas que já estamos a começar a repetir os erros do passado, ou ainda há maneira de reverter a situação? 

Eu acho que há erros que não são repetidos de forma exatamente igual, não tem que haver um mimetismo do passado, mas acho que são erros que estão alicerçados em falhas que vão acompanhar a humanidade para sempre. São falhas que se manifestam de formas muito diferentes mas que redundam sempre naquilo que nos bloqueia de sermos os melhores que podíamos ser. Estamos sempre a avançar e a canção fala sobre esses avanços e são avanços que muitas vezes estão afixados em nomenclaturas e que não se verificam em avanços sociológicos. Claro que há avanços tecnológicos, as coisas são construídas umas em cima das outras, mas às vezes preocupamo-nos muito em ditar-nos como sendo progressistas em relação a coisas quando, no fundo, estamos a recapitular defeitos e medos que, enquanto nos fazem andar para a frente, não o fazem no sentido de progresso, mas no sentido de um caminho cíclico e inevitável. E, no fundo, isso tem alguma dose de ironia e essa é, talvez, a canção mais irónica do disco – quando damos por nós, não somos mais do que pó, não somos mais que poeira.

Quando entrevistei o Noiserv, ainda no início da quarentena, ele dizia-me que “a verdadeira intensidade da música sente-se ao vivo”. Concordas? Estás ansioso para voltar aos palcos? 

Concordo sim, isso para mim é fundamental. E, de facto, o que este contexto triste nos trouxe por uma via que não era nada desejável, foi que os artistas começaram a valorizar ainda mais o palco. Dantes, quando fazíamos lives musicais, só a simples noção de percebermos que era uma coisa temporária mudava um bocado a nossa perceção do que estávamos a fazer. Quando de repente vimos-nos com lives durante três, quatro meses, o único contacto que estávamos a ter com o público era insuficiente. Quando esse contacto não é feito pessoalmente, quando não há pessoas à tua frente, quando não há pessoas a respirar na mesma sala do que tu, com ou sem máscara, isso faz com que cada um de nós músicos valorize e deseje muito o próximo concerto. Isso por um lado é fixe porque eu estou com uma grande fome de palco apesar de já ter dado alguns concertos. O próximo concerto, por eu não saber se vai haver outro a seguir, está a ser planeado com uma vontade que eu acho que desconhecia.

O teu disco acabou por seguir a cronologia esperada ou tiveste que adiar alguma coisa por causa da pandemia? 

O disco era para ter saído no final de março ou no início de abril, mas foi desmarcado para essa altura e ficou mesmo ali parado. Isso até me provocou o que pode parecer preguiça, mas não foi de todo. Durante os meses que estive em casa – e em casa é o sítio privilegiado que eu tenho para escrever canções – recusei-me a escrever canções porque havia umas que ainda não tinham tido a oportunidade de vir cá para fora e eu não queria que, quando finalmente pudesse mostrar isto que saiu em setembro e depois em outubro, ao vivo, eu não queria que estas canções já não fossem tão novas quanto isso e agora vou mesmo poder apresentá-las como sendo as minhas canções mais recentes, então não quis mesmo perder-me em criatividade porque não queria estar a datar canções que ainda não tinham tido oportunidade de respirar.

Durante a pandemia, o refúgio de muitas pessoas foi o acesso à música, à cultura, via digital. Queria perguntar a tua opinião sobre as plataformas de streaming, sobretudo o SpotifyNo entanto, sabemos que nem só de Spotify vive o homem. Tens uma opinião positiva dessas plataformas e tens alguma sugestão de alternativas a este futuro que privilegia o digital? 

As plataformas são ótimas e eu falo disso também enquanto consumidor, porque elas dão acesso a música que, sei lá… Imaginava lá eu há dez ou vinte anos uma forma tão simples de chegar a praticamente tudo. Enquanto consumidor, as plataformas de streaming ampliaram o leque de escolha. É verdade que isso também cria alguma dispersão – era mais fácil ter discos que sabias de trás para a frente e agora é mais difícil porque se gostas de um disco, há ali outro logo à mão de semear e vais atrás. Isso é uma boa dor de cabeça, é um daqueles problemas de primeiro mundo de que nós nos queixamos mas que são bons problemas [risos].

Agora, uma das coisas que também ficou clara para quem faz música e para quem, sobretudo, vive da música é a insuficiência, ou até uma incerteza em como conseguir rentabilizar o trabalho, não estar só a escoá-lo, mas também a rentabilizá-lo. Falo agora especificamente do Spotify (BandCamp, por exemplo, acho que será mais claro nisso) que, no mundo inteiro é difícil perceber como é que algum artista pode ganhar dinheiro através da sua música estar exposta e com um acesso tão simples. Os rendimentos que vêm de milhares de audições não são significativos e, em Portugal, eu acho que a legislação ainda é um bocadinho mais obscura em torno disto, a maneira como os artistas são rentabilizados é ainda mais obscura.

Eu não tenho propriamente soluções, mas obviamente que começo a pensar que  na incerteza de dar concertos, que de facto é o que cria maior rendimentos para os artistas em Portugal, na dúvida de termos salas abertas e na própria capacidade económica das pessoas para comprarem bilhetes de concertos, surge a ideia de que, havendo eleições autárquicas para o ano, pode haver um maior investimento na cultura pelo menos durante um ano. Isso às vezes acontece por questões eleitorais e, não sendo com as intenções mais puras, acaba por ter um resultado que nos favorece. Mas não faço ideia que medidas adotar. Teremos, talvez, que abrir a porta a um comercialismo mais baseado no mecenato e nos patrocínios artísticos associados a marcas, que é uma coisa que pode parecer cruel para quem tem uma visão muito pura e muito espiritual da atividade artística. Por outro lado, quem faz isto como profissão de repente viu a sua profissão em grande riso e perda de muita rentabilidade. E rentabilidade não é só eu poder divertir-me a fazer canções e ganhar uns trocos – é pagar a renda e pagar comida e tudo. Acho que nenhum de nós pode fechar as portas a essas ideias que seriam macabramente comercialistas e industriais e sem alma como poderiam parecer há uns tempos.

Samuel Úria
Fotografia: Divulgação/Valentim de Carvalho © Rita Carmo
Entrando agora pela questão do círculo da música portuguesa mais “independente”. Há muita gente que comenta o facto de ser um círculo muito fechado, quase de nicho, onde encontramos sempre as mesmas caras. Como é que achas que se pode conquistar não só novas caras, mas também novas gerações para a música portuguesa mais afastada do “comercial”?

Acho que esse pouco público que notas nos circuitos independentes é um bocado feito à escala do nosso país. Não acho que o consumo de música independente tenha um problema de dimensão. Há muita gente a fazer música alternativa, a democratização dos meios para se fazerem discos e canções também fez com que fôssemos inundados de coisas, coisas mesmo muito boas, que estão agora a aparecer. Há muita gente a querer profissionalizar-se também na maneira como se explora o som, as gravações e etc. mas, de facto, temos de pensar ao nível deste país. Nós conhecemos muita música alternativa mas também há muita música enclausurada por não ter público, por ser também muita para pouca gente, por isso, alguns ficam sempre de fora.

Agora, como é que se estabelecem esses pontos de contacto? Eu acho que uma das coisas que eu admito sem modéstias sobre a minha geração de músicos é uma crença de trabalharmos em comunidade, querermos fazer coisas juntos, e não só. Os universos que se cruzam não são só de músicos alternativos com músicos não-alternativos. Há pessoas do mainstream, há pessoas do fado e pessoas do pop que de repente se interessam por coisas mais obscuras para um público mais seletivo, mais identificável em determinado tipo de plataforma ou em determinado tipo de palcos. Eu acho que, se calhar, uma maneira de dar a conhecer um artista mais alternativo a um público maior é de repente haver alguém com uma amplitude de ouvintes maior pedir, por exemplo, que o outro lhe escreva canções. Isso, por exemplo, aconteceu comigo. Eu sinto que parte do processo que eu tenho de passar de palcos mais pequenos para palcos maiores, embora tenha havido trabalho da editora, trabalho da agência, também tem que ver com algum reconhecimento dos meus pares e pares que nem sempre têm os mesmos públicos do que eu, mas o simples facto de cantarem canções minhas e chamarem-me para concertos deles contaminaram a minha música. Há pessoas que podem pensar “ah, és um vendido”, mas não sou um vendido, sou é muito grato por esse olhar de cima por parte de pessoas que quiseram compartilhar os palcos delas comigo. E eu também vou fazendo isso com artistas que vou, não diria descobrindo porque não sou nenhum Júlio Isidro a querer descobrir artistas de renome, mas conhecendo, porque de facto há pessoas com quem me cruzo em palco que gosto e que quero convidar e tenho mesmo muito gosto em ter o palco cheio de pessoas novas.

Pegando nisso dos artistas trabalharem em comunidade, tu agora participaste na composição da canção ‘Novo Normal’, do Sérgio Godinho. Como é esse convite surgiu e como é que te sentiste?

É sempre um motivo de orgulho [colaborar com o Sérgio Godinho]. Mas o orgulho maior tem sido, até porque somos da mesma agência e partilhamos manager, nos últimos anos poder ter estado muitas vezes com o Sérgio. Ficámos amigos, mesmo. É um artista que eu já reverenciava e de repente tê-lo com essa proximidade, poder dizer que o Sérgio é uma pessoa que me é próxima, já é um motivo de orgulho. Depois, surgiu a oportunidade de participar numa canção que ele tinha feito ainda com pouca forma, ele tinha a letra e eu pude vir com coisas que me são muito naturais, como é o trabalho melódico simples e direto, a criação de uns riffs de voz. Então o Nuno Rafael, um dos braços direitos do Sérgio com quem eu também já trabalhei bastantes vezes, juntou-se comigo e estivemos a aparar algumas coisas, a modificar e a moldar outras e foi mesmo daqueles trabalhos que é juntar o útil ao agradável. Útil porque senti-me útil e o agradável porque é de facto muito agradável e muito honroso poder estar frente a frente a um monstro sagrado como o Sérgio Godinho.

Sei que foste professor de EVT durante algum tempo e queria perguntar-se se a arte e o desenho continuam a estar presentes na tua vida e se em algum momento eles se tocam com a música.

Sim, elas acabam sempre por se cruzar. Para já há um lado mais imediato, que é eu continuar a fazer as capas dos meus discos, pelo menos as ilustrações. Também tenho o Silas [Ferreira], que é um músico que toca comigo que também é designer gráfico e trata, por exemplo, da parte das letras. Ele é mesmo muito bom nisso. Mas sim, desse lado muito direto, continuo a gostar de ilustrar e aproveitar para fazer os meus auto-retratos sempre que faço uma capa de disco, em vez da habitual fotografia.

Por outro lado, também por questões mais académicas, pelo meu percurso como professor, pelo meu percurso como um apaixonado por ilustração, banda desenhada, cinema – sobretudo cinema – há um lado também muito visual como eu entendo a criatividade. Quando estou a construir as canções, refugio-me em ideias que tenho sobre quadros, sobre esculturas e sobre filmes para pensar naquilo que não é óbvio ou direto. De que maneira posso esconder-me lá dentro, ser simbólico, como é que as minhas palavras podem ser abstratas e não só sons… Há uma panóplia de recursos que eu aplico à minha escrita de canções, à minha composição e até à maneira como eu penso os arranjos que advêm não tanto da música mas da minha fidelidade para com a leitura de obras, de obras visuais e plásticas. A minha cabeça, quando estou a escrever, está muito mais cheia de imagens do que propriamente de notas musicais.

Acho que conseguimos reparar na importância do visual também nos vídeo-clipes que têm acompanhado as músicas, realizados pela Joana Linda. A ideia para os vídeos foi tua, foi trabalhado em conjunto?

A minha ideia original era fazer um plano-sequência por Lisboa com princípio e fim, que percorresse o disco todo. Nós mantivemos essa ideia, as músicas é que não estão a sair pela ordem que vão aparecer no disco, mas há um vídeo que começa num ponto e acaba no outro. De facto, a ideia original era mesmo não haver cortes de uma música para a outra; havia mudanças de cenário de uma canção para a outra mas não havia cortes, era um plano-sequência absolutamente contínuo. Com a entrada da Joana Linda, mais importante do que a parte técnica que ela realizou, foi a parte conceptual onde ela fez-nos entender – estou a falar no plural porque isto foi também pensado com o meu manager – que de facto essa ideia de plano-sequência contínuo acabava mais por ser um malabarismo de cinema e algo artificioso do que propriamente com significado. Portanto, apesar de continuar a haver a ideia de sequência, há cortes que eu acho que privilegiam a mudança de atitude das canções, a mudança de canção para canção. Há coisas que são assumidas e cortadas, embora tenhamos acabado por fazer quase tudo no mesmo dia.

E eu acho que tudo isto passa por duas ideias: uma, que se calhar é a mais óbvia, tem a ver com o desconfinamento. Depois de tanto tempo em casa e com este disco também trancado em casa, acho que fazia todo o sentido isto ir para a rua e os vídeos refletirem um passeio pelas ruas de Lisboa. A outra coisa tem muito a ver com o meu processo criativo. Eu escrevo muito em casa e faço as minhas canções em casa e quando estou bloqueado com alguma ideia, a cismar e sem conseguir a desenvoltura que necessito, vou dar passeios a pé por Lisboa. Às vezes se calhar até pareço um maluquinho a balbuciar porque estou a pensar em coisas, em palavras e rimas e nisso percorro quilómetros e quilómetros de Lisboa a pé. Este disco também é, na verdade, uma auto-homenagem – que é uma coisa um bocadinho deselegante –  ao meu processo criativo.

No início, quando falávamos sobre o significado deste novo disco, comentaste o facto de ele conter uma mensagem mais profunda. Qual é essa mensagem que pretendes passar aos teus ouvintes sobretudo aqueles que te ouvirão agora pela primeira vez? 

Os meus discos têm sempre um mea culpa de muitas coisas e mesmo defeitos que eu encontro na sociedade – eu detesto a palavra sociedade dita assim ao desbarato, parece sempre um chavão – mas há muitos defeitos que eu reconheço em mim e que tento projetar para perceber para onde é que nós estamos a caminhar. Consigo rever alguns dos piores encaminhamentos do presente como falhas às quais eu também estaria suscetível se não tivesse tido oportunidades, se não tivesse tido pessoas amorosas que me ajudaram a pensar de outra forma, se não tivesse tido acesso a muitos livros.

Então, se por um lado há um olhar ao redor que começa em mim, é um olhar às vezes desapontado e pessimista por ver como as coisas estão a arder de uma forma tão inesperada, até porque há trejeitos que vejo a voltar que não estava à espera de ver no meu tempo de vida. Por outro lado, espero sempre que haja uma mensagem de esperança e de redenção, e por isso também não quis excluir deste disco canções de amor. Acredito que o amor, seja ele envelhecido, contrito ou renovador, é o antídoto para esses males. Se não está à minha mão salvar a humanidade dos seus desígnios tortuosos, pelo menos está à minha mão ser amoroso para quem está mais perto de mim e é essa a mensagem que eu quero passar. Se eu sou também receptáculo do amor das outras pessoas, mesmo não merecendo nada, também quero ser um emissor desse amor e um bardo dessas coisas tão bonitas e tão claras no meio dessa escuridão.

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