Elenco de O Atentado da RTP1
Fotografia: Divulgação/RTP

Opinião. ‘O Atentado’ é a nova série da RTP1 que promete não falhar

O Atentado contra Salazar é a mais recente aposta da RTP1 para inaugurar a nova temporada de ficção do canal. A série realizada por Jorge Paixão da Costa, que conta a história do ataque de 1937 que quase matou António de Oliveira Salazar, estreou esta quarta-feira (16).

O primeiro episódio da produção mergulha o espectador no mundo da oposição ao regime, deixando-o navegar por partes da história que muitos não conhecem. Com 10 episódios, e escrita por Francisco Moita Flores, a série promete retratar a história “desses dias terríveis de 1937” e devolver “à memória dos Homens livres e de bons costumes” uma operação que pode ter ficado perdida no tempo.

Apesar de retratar um episódio falhado da história portuguesa, O Atentado tem tudo para correr bem. A série, que ao longo dos episódios deverá mostrar o período em que o Estado Novo atinge o seu auge, conta com um elenco de luxo. Adriano Carvalho, Anabela Moreira, António Pedro Cerdeira, Joaquim Nicolau e Laura Dutra são alguns dos atores que poderão ser visto semanalmente em horário nobre.

O início da viagem

A série inicia-se com um pequeno resumo do que se passava na época. “Salazar já erguera as mais sólidas estruturas do Estado Novo. De entre elas, emergia a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, que perseguia quem se opunha à ditadura”, ouve-se através de uma voz-off. A introdução continua por mais uns segundos e dá ao espectador a oportunidade de se situar no espaço para o qual será transportado. Sentados no devido lugar e com os cintos apertados, o público inicia a viagem até à época em que o campo do Tarrafal foi criado, em Cabo Verde, para manter presos os dirigentes da oposição.

Um minuto e catorze depois a ação começa. Uma bomba explode. Pessoas correm confusas e com medo do que aconteceu. É noite e pouco se vê. O sentimento de confusão passa para o outro lado do ecrã, deixando o espectador a pensar se a explosão se trata do tal atentado ou se foi apenas um mero acidente. Ao longo dos cerca de 40 minutos de episódio, as peças do puzzle vão-se juntando e aos poucos chegam-nos também as respostas.

As personagens e o argumento

A apresentação das personagens acontece logo de seguida. Com um casamento como cenário, quem assiste a série fica a conhecer quase todas as personagens essenciais à história. É este o ponte forte de O Atentado: as suas personagens. Apresentadas cuidadosamente, vamos percebendo quem é quem, o que faz e qual o seu propósito.

Ao contrário de muitas outras séries, factuais ou não, em O Atentado não há sensação de que existem personagens acessórias. Contribuindo muito ou pouco para a história, no primeiro episódio, todas têm o seu espaço. Percebe-se que são preciosamente necessárias ao enredo e que sem elas, muita coisa não faria sentido. Outro cartão verde vai para o facto das personagens não serem muito complexas ou difíceis de digerir. Sendo uma série que retrata uma realidade esquecida, essas duas características fazem com que o espectador se possa focar noutros aspetos.

O Atentado
Fotografia: Divulgação/RTP

O argumento também contribuiu para isso. O trabalho é de Francisco Moita Flores, que regressa à RTP1 14 anos depois de Quando os Lobos Uivam. Em conjunto com as personagens e fotografia, que nos remete para a época em questão, o diálogo é essencial para o sucesso. É feito de forma simples e fácil de compreender, deixando o caotismo de lado. Não há muito ou pouco a acontecer. Tudo está equilibrado. Tudo acontece a seu tempo.

Outro aspeto positivo da nova série do canal público são as performances dos atores, que não se deixaram ficar para trás. Com pesos pesados e atores mais novos, o elenco de O Atentado é cheio de talento. Apesar de não se poder fazer uma avaliação total do desempenho, com apenas um episódio, o público percebe que o trabalho a ser feito é de qualidade.

Um novo capítulo na ficção

Com mais nove episódios por estrear, O Atentado é uma produção refrescante que vem iniciar um novo ciclo não só na RTP1, como na televisão portuguesa, diferenciando-se de qualquer outro produto que esteja em exibição no horário nobre. Depois de séries como Auga Seca e A Espia, o canal continua a apostar na produção de ficção nacional de uma forma diferente dos concorrentes, seguindo moldes internacionais. O Atentado merece atenção por falar da história portuguesa e ser nacional. Com isto, a RTP1 volta a mostrar que conteúdos baseados em factos da história de um país têm espaço numa grelha televisiva.

É impossível prever como será o desenrolar da produção e se esta cairá na categoria da perfeição, mas mesmo que não seja assim, é mais um passo na modernização de um horário que há muito se mantêm igual, com histórias que seguem os mesmos moldes para agarrar o espectador ao ecrã.

O primeiro episódio de O Atentado está disponível para ver e rever na RTP Play e os restantes serão exibidos semanalmente na RTP1 pelas 21 horas.

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