Fotografia: DR

Dia da Camada de Ozono. 35 anos a proteger a camada essencial

Celebra-se esta quarta (16) o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozono

Esta quarta-feira, 16 de setembro, celebra-se mais um Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozono World Ozone Day 2020. As alterações climáticas são uma das principais ameaças que a Humanidade enfrenta. O problema do buraco na camada de ozono já não é novo, e já todos ouvimos falar dele. Ainda assim, será que sabemos o que podemos fazer para ajudar?

Em 1985 adotava-se a Convenção de Viena para a Proteção da Camada de Ozono, enquadrada no Programa para o Ambiente das Nações Unidas. Dois anos depois, era a vez do Protocolo de Montreal sobre as Substâncias que Empobrecem a Camada de Ozono ser adotado, documento onde é reconhecida a necessidade de limitar a produção e o consumo das substâncias que contribuem para o enfraquecimento da camada de ozono. A 16 de setembro de 2009, a Convenção de Viena e o Protocolo de Montreal tornaram-se nos primeiros tratados da história das Nações Unidas a alcançar a ratificação universal.

António Guterres defende que devemos tirar encorajamento da “forma como trabalhámos em conjunto para preservar a camada de ozono e aplicar a mesma vontade de curar o planeta e de forjar um futuro mais brilhante e equitativo para toda a humanidade”. O Secretário-Geral das Nações Unidas divulgou uma mensagem oficial relativa à data, onde afirma que “existem poucos acordos globais tão bem-sucedidos” como estes e que são “exemplos inspiradores que mostram que, onde prevalece a vontade política, há poucos limites para o que podemos alcançar para a causa comum”.

À medida que esperamos pela recuperação global da devastação social e económica causada pela pandemia Covid-19, temos de nos comprometer a construir sociedades mais fortes e mais resistentes. É imperativo que coloquemos os nossos esforços e investimentos no combate às alterações climáticas e na proteção da natureza e dos ecossistemas que nos sustentam.”

Um benefício para a Humanidade — que estamos a destruir

A camada de ozono é uma das peças fundamentais no quebra-cabeças único que é o planeta Terra no que toca a possibilitar a existência de vida. A nossa camada de ozono situa-se um pouco acima do limite entre a troposfera e a estratosfera – estende-se entre os 15 e os 30 quilómetros acima da superfície terrestre — e desempenha a importante função de absorver grande parte da radiação ultravioleta.

Como em (quase) tudo no que toca ao planeta, os seres humanos são os que mais beneficiam da camada de ozono e são também os que mais a destroem. Produtos químicos e gazes que contêm cloro, flúor e carbono são os principais responsáveis; os clorofluorcarbonetos, grupo de compostos químicos comummente conhecidos como CFCs, eram encontrados em frigoríficos, ares condicionados, aerossóis, embalagens e tantas outras ferramentas que usamos diariamente. Estes gases, cujas moléculas são facilmente decompostas pelos raios ultravioleta, soltam átomos de cloro que reagem com o ozono e enfraquecem a camada.

Apesar de a comunidade científica já ter conhecimento desde os anos 70 dos efeitos nocivos dos CFCs, a verdade é que os interesses das grandes multinacionais davam prioridade aos efeitos económicos — alterar os componentes dos eletrodomésticos (por exemplo) para opções mais amigas do ambiente sairia mais caro. A Quercus considera mesmo que “enquanto as questões financeiras imediatas se sobrepuserem à defesa do Planeta Terra e ao bem comum este problema não estará resolvido”. Os interesses mundiais continuam, aliás, centrados no curto e não no longo prazo; se tal não fosse, não existiria uma Greta Thunberg.

Para evitar que se continuasse a produzir cerca de um milhão de toneladas de CFCs por ano, surgiram a Convenção de Viena para a Proteção da Camada de Ozono e o Protocolo de Montreal sobre as Substâncias que Empobrecem a Camada de Ozono. No preâmbulo da Convenção, as partes afirmavam-se “conscientes de que as medidas para a proteção da camada de ozono provocadas pelas modificações efetuadas pelas atividades humanas requerem ações e cooperação a nível internacional e de que estas deverão ser fundamentadas em importantes considerações científicas e técnicas”. A data de 16 de setembro foi a escolhida para sensibilizar anualmente para o tema.

35 anos depois, os CFCs foram sendo proibidos um pouco por todo o mundo. Em outubro do ano passado, os satélites da NASA registaram o menor tamanho de sempre do buraco na camada de ozono desde que foi descoberto. A emissão de substâncias que empobrecem a camada de ozono tem vindo a diminuir desde 2000, mas a quantidade que ainda é produzida é suficiente para continuar a causar danos. A comunidade científica estima que o buraco acima da Antártida regresse aos valores de 1980 apenas por volta de 2070 – isto se os valores atuais se mantiverem ou baixarem.

O que podemos fazer?

Existem várias medidas, umas mais práticas que outras, que podemos adotar no dia-a-dia para ajudar a reduzir as emissões que prejudicam a camada do ozono.

  • Minimizar o uso de carros e utilizar sempre que possível transportes públicos ou bicicleta. E mesmo quando o carro é imprescindível, podemos ajudar na mesma ao partilhar o carro com pessoas que se desloquem para o mesmo sítio, de forma a diminuir a quantidade de veículos em circulação. E, claro, há sempre os carros elétricos.
  • Trocar as lâmpadas convencionais por lâmpadas fluorescentes compactas.
  • Comprar produtos locais. Desta forma, diminuímos o consumo de alimentos transportados por longas distâncias. Não só garantimos comida mais fresca como ajudamos a que menos gases sejam libertados pelos meios de transporte.
  • Desligar as luzes, a televisão, o computador e outros aparelhos sempre que não estiverem a ser utilizados.
  • Plantar e conservar árvores. Uma única árvore absorve uma tonelada de dióxido de carbono ao longo da vida.
  • Reciclar (óbvio, sim). Sempre.
  • Utilizar menos vezes o ar condicionado – e assegurar a manutenção dos equipamentos para que estejam sempre em bom estado e não libertem gases.
  • Colocar filtros nas chaminés.
  • Utilizar papel reciclado e produtos reutilizáveis.
  • Reciclar frigoríficos e equipamentos de ar condicionado velhos com segurança.
  • Confirmar as especificações técnicas antes de comprar novos frigoríficos ou ares condicionados.
  • Não utilizar aerossóis.
  • Utilizar sacos biodegradáveis ou reutilizáveis quando se vai às compras.
  • Não utilizar produtos de limpeza nocivos para o ambiente; muitos produtos contêm solventes ou substâncias corrosivas e podem ser substituídos por artigos semelhantes e menos tóxicos.
  • Comer menos carne. A criação de gado produz ainda mais emissões de gases do que os automóveis, os comboios ou os aviões.
  • Informarmo-nos. Tudo o que podemos fazer para ajudar a preservar a camada de ozono também está a ajudar a diminuir o aquecimento global e os efeitos das alterações climáticas. O planeta agradece. E as gerações futuras também.

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