Baby Netflix
Fotografia: Netflix/Divulgação

‘Baby’: Recorda o caos hipnotizante dos capítulos anteriores à temporada final

A terceira temporada da séria italiana estreia esta quarta-feira, dia 16.

Baby chegava à Netflix a 30 de novembro de 2018, com um arzinho refrescante de novidade e ainda cheia de inocência. A 18 de outubro de 2019, a série regressava para uma segunda parte, já mergulhada no caos de um mundo novo, mais perigoso e negro – ainda que esteticamente belo – do que o que conhecíamos antes.

Agora, a série italiana chega ao seu último capítulo. A terceira temporada estreia quarta-feira (dia 16), mantendo o padrão de onze meses de paragem. O Espalha-Factos voltou a acompanhar as vivências de Chiara e Ludovica de forma a poder trazer-te tudo o que precisas de saber antes de veres o derradeiro capítulo.

Como tudo começou

A produção original da Netflix tem seis episódios por temporada e é a terceira aposta italiana da plataforma de streaming, depois de Suburra e Juventus: Equipa Número 1. A narrativa foi criada não por uma, nem duas, mas por cinco pessoas: Antonio Le Fosse, Eleonora Trucchi, Marco Raspanti, Giacomo Mazzariol e Romolo Re Salvador são os cinco jovens que constituem o coletivo de escrita GRAMS. Para trazer Baby à vida tiveram a mentoria de Isabella Aguilar e Giacomo Durzi, subindo assim a equipa de escrita na temporada inicial para sete guionistas.

Os jovens GRAMS juntaram fantasia à realidade para fazer a massa, crítica social aos ingredientes essenciais a uma boa narrativa coming-of-age para fazer o creme e decoraram o bolo com um toque de glamour. Sim, bolo, porque tudo em Baby é um serviço. Todos os desejos têm um preço, todas as ações têm uma consequência e várias são as vezes em que as situações escapam ao controlo das personagens – por muito que nelas se tenham metido de boa vontade.

Baby Netflix
Fotografia: Netflix/Divulgação

Com a produção nas mãos da Fabula Pictures, a realização também não assenta sobre apenas uma pessoa. Andrea De Sica e Letizia Lamartire são as realizadoras com mais créditos, seguidas de Anna Negri e Antonio Le Fosse. Já a direção de fotografia foi feita por Francesco Di Giacomo e Stefano Falivene que, curiosamente, trabalharam em ofícios distintos no filme Um Peixe Fora de Água, de Wes Anderson.

A base – e apenas base – real

O caso “Baby Squillo assombrou a elite italiana em 2014, altura em que a denúncia de uma mãe à polícia revelou uma rede de prostituição infantil. Segundo o relatório da investigação, havia mais uma dezena de raparigas envolvidas mas o caso centrou-se em duas adolescentes de 14 e 16 anos. Na altura, contaram em interrogatório que tudo começou porque procuraram “dinheiro fácil” no Google e encontraram um anúncio online de dois chulos. Inicialmente, as jovens queriam uma vida ainda mais luxuriosa do que a que tinham, já que ambas viviam em Parioli – o segundo bairro de Roma, conhecido por ser um dos mais ricos e conceituados.

Um dos aspetos do escândalo que mais chocou a alta sociedade italiana foi o envolvimento de uma das mães. Enquanto que a mãe da adolescente de 16 anos desconfiou das quantidades de dinheiro que a filha movimentava e ligou à polícia, a mãe da mais nova incentivou a filha a continuar. O relatório policial referia, até, uma chamada telefónica em que a jovem implorava para abandonar o “trabalho” e a mãe (recentemente deixada pelo marido e com dificuldades para pagar as contas) a pressionava a continuar, sugerindo que estudasse umas horas antes ou depois dos encontros, ou até que alternasse as tarefas pelos dias da semana.

Na altura em que a rede foi desmantelada, as jovens estariam a fazer entre 500 a 600 euros por dia. Apesar de a prostituição ser legal em Itália, o envolvimento de menores não (naturalmente) e a situação só piorou quando escândalo se moveu para a esfera política. Ao apanhar os chulos, a polícia desvendou uma lista de mais de 50 clientes que implicava políticos, advogados, homens de negócios e até o marido da neta de Mussolini.

O que se vê de tudo isto em Baby? Duas jovens movidas pela tentação do dinheiro fácil e pela sensação de “controlo”, ainda que saibam que o que fazem está “errado”. Clientes que se movem pelos espaços influentes de Roma durante o dia e que pagam a companhia de adolescentes para jantares ou serviços sexuais durante a noite.

Fora isso, os elementos de Baby parecem ser mais especulativos e ficcionais do que reproduções da realidade. As relações pessoais – dos seus mais variados tipos -, as desavenças, os negócios, as ambições e os fracassos são componentes que dão textura a esta narrativa e tornam as protagonistas simples seres humanos comuns. A própria atitude da mãe de Ludovica terá origem na mãe da mais nova de “Baby Squillo”, mas é desenvolvida de uma maneira mais leve e racionalizada.

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Fotografia: Netflix/Divulgação

AVISO: Os próximos parágrafos contêm spoilers das duas primeiras temporadas de Baby

A entrada no mundo de Chiara e Ludovica

Se tens 16 anos e vives no bairro mais belo de Roma, tens sorte. O nosso é o melhor mundo possível. Estamos imersos num aquário fantástico, mas ansiamos pelo mar. Por isso é que, para sobreviver… é preciso uma vida secreta.

O primeiro episódio de Baby inicia com este voz-off de Chiara – que também foi o escolhido para os últimos segundos da temporada. Os primeiros encontros com as personagens são suficientes para percebermos que todos, de uma forma ou de outra (e mais ou menos drástica), se sentem inevitavelmente atraídos pelo perigo e pela tentação de infringir regras. A paixão pela ilegalidade e pelas más decisões (reconhecidas como más pelos próprios) acompanha os diferentes jovens e até mesmo os respetivos progenitores.

Esta é uma história, contudo, de famílias abastadas, de adultos com posições influentes na sociedade romana e de adolescentes com propinas pagas num dos colégios privados mais prestigiados (e com o futuro quase garantido). Tudo parece ser perfeito e, no entanto, nada é. Pelo contrário, as desilusões, traições e almas magoadas estão por todo o lado. No fundo, estas vidas cuidadosamente planeadas e aparentemente imaculadas não passam de uma ilusão.

Chiara Altieri (Benedetta Porcaroli) é a estrela da equipa de corrida e integra a família que mais esforços faz para ser perfeita. Quando se levantam as cortinas, os pais vivem juntos, mas separados; dormem em quartos diferentes e, por vezes, com pessoas diferentes também. Chiara descobre que o pai tem uma amante e é presenteada pelo pai com um carro novo; faz uma amiga nova e é presenteada pela mãe com um discurso sobre reputações e “etiquetas”. A própria jovem também tem segredos: o rapaz que sai do seu quarto pelas manhãs é o irmão da sua melhor amiga, Camilla, e tem namorada.

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Fotografia: Netflix/Divulgação

Ludovica Storti (Alice Pagani) é maltratada na escola e em casa. Na escola, chamam-lhe “corte à tigela” e fazem gestos obscenos à sua passagem, tudo porque o rapaz por quem estava apaixonada (Brando) divulgou um vídeo privado dos dois. Em casa, a mãe dá o dinheiro das propinas ao namorado do dia (quem quer que este seja) ou investe-o em negócios que parecem nunca dar frutos. Já o pai parece não ter qualquer interesse na filha desde que saiu de casa, chegando Ludo a ouvir uma conversa entre o pai e a irmã mais velha em que a consideram “perdida”.

A vida de Damiano Younes (Ricardo Mandolini) fica destroçada com a morte da mãe e a integração na família do pai, Khalid Younes (Mehdi Nebbou), um embaixador que decidiu durante anos esquecer a “outra” família que tinha. Deixou a namorada e os amigos, quando não está a fumar droga está a vendê-la e faz da mota que era da mãe um amuleto.

Estes três são as figuras principais de Baby, à volta dos quais todas as outras personagens orbitam, ainda que tenham direito à sua identidade e desenvolvimento próprios. Camilla Rossi Govender (Chabeli Sastre) e Fabio Fedeli (Brando Pacitto) são os melhores amigos de Chiara até ao início da narrativa e os meninos certinhos do colégio. Camilla sonha com uma bolsa de estudos para a América e com bad boys; Fabio não sonha com a América mas também partilha os pensamentos sobre bad boys. Niccolò Rossi Govender (Lorenzo Zurzolo) namora com Virginia mas passa as noites com Chiara e sonha com a treinadora das equipas de atletismo, Monica Petrelli Younes (casada com Khalid). Brando De Santis (Mirko Trovato) parece ser uma personagem irrelevante na primeira temporada, com as únicas funções de vender droga e de fingir ser durão, mas na segunda passa a ser um dos principais antagonistas.

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Fotografia: Netflix/Divulgação

A amizade de Chiara e Ludovica vai avançando e o envolvimento das duas com o submundo da prostituição vai sendo sugerido. Numa noite em que tudo parece correr mal, Ludo leva Chiara a um espaço noturno cujo dono já a conhece (não se sabe bem como), as deixa entrar e beber álcool sem custos. Saverio gere um pequeno império de distribuição de “serviços, como ele próprio diz; esses serviços são bebidas, drogas, mulheres ou o que seja que os clientes queiram e estejam dispostos a pagar, porque a sua função é a de fornecer e não a de fazer perguntas. Fiore é seu primo e braço direito no negócio; é também o futuro interesse romântico de Ludo.

Apesar de ser vista como uma série sobre prostituição juvenil, a verdade é que são precisos três episódios para se chegar a atividades de prostituição. Mesmo sendo conceptualmente simples, a série apresenta diversas narrativas paralelas e ações cruzadas – sim, está cheia dos desencontros e mal-entendidos que deixam os espectadores loucos a discutir com o ecrã diante de si. Baby tem uma intrincada teia de personagens, na qual elas se interligam, protagonizam ações que têm sempre consequências e podem alterar as ações de outras personagens. Cada segundo tem um propósito e vai afetar os seguintes; em Baby, nada é deixado ao acaso.

Fotografia: Netflix/Divulgação

Nesta primeira temporada, tanto Chiara como Camilla desenvolvem interesse em Damiano, que se envolve com a segunda mas parece apenas retribuir o interesse da primeira. Ludo envolve-se com Fiore e aceita dinheiro deste para pagar o colégio, decisão que mais tarde se vai revelar decisiva. Fabio torna-se amigo de Damiano e começa a vender droga com ele. Niccolò finalmente consegue o que quer e inicia o caso com Monica. Damiano é convidado por Fiore a fazer parte do negócio, subindo assim a parada para a cocaína.

Cada decisão das três personagens principais parece culminar na noite da grande festa de Saverio. Este descobre que Ludovica cobrou dinheiro a mais a um dos clientes; tanto Ludovica como Chiara (Desirée e Emma para os clientes) ficam tudo menos sóbrias; Chiara ignora um convite de Damiano, o que faz com que este aceite o convite de Fiore e vá à festa, provocando o pânico da jovem ao vê-lo. Cada decisão desta noite também parece culminar na situação final: Ludovica no banco traseiro do carro com Saverio, Damiano ao volante sem carta com Fiore ao lado, Damiano a provocar um acidente para impedir que Ludo seja abusada mesmo atrás de si.

A primeira temporada de Baby acaba com um tom de esperança mas com as personagens entre a espada e a parede: Saverio morre, Fiore encobre mas ameaça Damiano e obriga-o a trabalhar para ele, Ludovica fica numa situação semelhante por dever dinheiro e Chiara envolve-se numa relação desequilibrada com Damiano – sabe grande parte dos segredos dele mas esconde os seus.

Um segundo capítulo que é mais do mesmo, mas mais intenso ainda

A segunda temporada de Baby mantém as linhas principais da primeira: nada é deixado ao acaso, cada decisão importa, cada ação tem uma consequência, as personagens interligam-se de maneiras inesperadas, o caos interior adensa-se de forma paralela ao exterior, os desencontros são uma constante. Tudo sempre apresentado com uma fotografia e atmosfera únicas e uma banda sonora considerada impecável. As emoções à flor da pele são ainda mais notáveis e determinantes.

O ar sonhador com que termina o capítulo anterior pertence agora ao passado. As pontas soltas prontas para causar o caos se ligadas e dar cabo do futuro destes adolescentes são (claro) efetivamente ligadas – e parece que o vão ser ainda mais na terceira temporada. O segundo conjunto de episódios arranca com um ritmo muito mais rápido, mais sério, direto e sombrio. Ludovica prostitui-se num quarto de hotel enquanto Damiano continua a correr riscos, tudo para pagarem o que devem a Fiore (que entretanto assumiu o negócio do primo).

Um novo ano letivo começa. Fabio tem agora namorado, Alessandro, mas tem medo de assumir publicamente por sofrer bullying. Niccolò está de volta à namorada mas mantém o caso com Monica. Brando parece determinado em arruinar as vidas de Ludovica e de Chiara – sem que a sua raiva seja alguma vez justificada. Chiara regressa de férias e o namoro com Damiano é cada vez mais incerto. Novas personagens masculinas são introduzidas, rapazes que tinham participado no programa de estudo no estrangeiro e regressam para integrar o grupo masculino do colégio. A mãe de Ludovica (Isabella Ferrari) tem agora uma relação com o pai de Fabio, Roberto Fedeli (Tommaso Ragno), o diretor da escola.

Fotografia: Netflix/Divulgação

Damiano ficou traumatizado com o acidente; tem ataques de pânico a conduzir e chumba o primeiro exame de condução. À segunda consegue passar, encarregando-o imediatamente Fiore de conduzir uma das raparigas, Natalia. Já Chiara começa o ano letivo a dizer que não quer repetir o ano anterior, mas acaba por cair no mesmo – e o namorado continua sem saber de nada. Chiara atira ao rio o telemóvel que ainda guardavam de Saverio, pelo que as duas criam contas de Instagram com fotografias discretas para continuar com o esquema sem terem de passar por Fiore. O novo professor da escola é casado mas requisita o serviço de Ludo, desistindo quando percebe o quão nova ela é.

Ludo é abusada pelos clientes, que depois ainda por cima lhe pagam a menos, pelo que Chiara tenta resolver o problema. Como consequência disso, Fiore intervém depois de um cliente dizer que teve problemas com a Emma; vai buscá-la à escola de carro e leva-a a ver Damiano ao longe em jeito de ameaça. Paralelamente, este fica cada vez mais distante. Uma noite, tenta proteger Natalia de um cliente abusivo e acaba a levar pancada. Nesse mesmo dia tinha convidado Chiara a jantar na embaixada e a conhecer a sua família, mas nem avisa em casa nem aparece. Mais tarde, quando vê o estado em que está, Chiara decide fazer um acordo com Fiore: passa a trabalhar para ele e a pagar ela as dívidas de Ludo e Damiano, desde que ele os deixe em paz.

Brando começa a ganhar maior relevância na narrativa, revelando a sua orientação sexual reprimida ao envolver-se com Fabio. Virginia finalmente descobre que Niccolò a trai com a treinadora. Damiano começa a suspeitar que algo se passa com Chiara. Camilla regressa da América e passa a partilhar o trono de pior personagem com Brando: o grupo masculino ataca Fabio na casa de banho, Camilla fica apenas a olhar enquanto o seu melhor amigo é humilhado e é preciso Chiara aparecer para travar o bullying.

Mais uma temporada, mais uma festa decisiva na qual culminam tantas decisões e a partir da qual se determinam tantas outras. No domínio das personagens principais, Brando avança com tudo sobre as duas amigas. Segue Chiara e filma-a na cama com um cliente – um político com grande poder. Fabio, depois do ataque, revoltado e magoado com a hipocrisia deste, grafita no muro da escola que Brando é gay”.

Brando continua com a sua vendetta e conta ao novo professor que uma aluna anda a prostituir-se, referindo-se a Chiara. Mas o professor assume que fala de Ludovica, decidindo confrontá-la e acabando por ser chantageado para não contar à sua mãe (que já tinha descoberto dinheiro e compras de qualquer forma). Como resultado destas ações, Brando chantageia Chiara com o vídeo, obriga-a a acabar com Damiano e a fingir que é sua namorada para abafar os rumores.

Percebe-se que a companheira de Fiore antes de Ludo era Natalia, na qual, destroçado, Damiano procura conforto. Ludovica tem agora de lidar com um stalker, envolvendo o professor por precisar de ajuda. Com tudo isto, gera-se uma sequência enorme de mentiras, chantagens, ameaças e abusos, culminando tudo isto com Damiano, por fim, a descobrir a verdade sobre a vida secreta de Chiara.

O que por aí vem na terceira temporada

Pelo trailer que a Netflix já divulgou, é fácil deduzir que esta história não vai acabar particularmente bem para os protagonistas. De alguma forma (provavelmente estará relacionada com as fotografias que Damiano encontra no fim da segunda temporada), tudo isto chega aos sistemas policial e judicial. No fundo, esta última temporada será o fim das cadeias de ações e decisões, onde as personagens sofrerão as consequências últimas de tudo até então.

Na primeira parte de Baby, ainda existia alguma inocência; tudo era novo, all fun and games“.  Na segunda, começaram a perceber exatamente no que se tinham metido e a ver os efeitos negativos a ultrapassar em larga escala os positivos. Na terceira, prevê-se que batam no fundo e percam o controlo das suas vidas e de todos os segredos que ainda guardam“Quando tens um segredo, sentes-te muito distante de tudo que deverias ser. Mas nunca te sentes sozinha.“ Agora, a voz em off é de Ludovica e traz consigo um definitivo tom de conclusão.

A Netflix também já divulgou os nomes dos episódios: San Valentino, 26 aprile 1915, Esprimi un desiderio, Niente più segreti, 100 giorni e Oltre l’acquario. Traduzindo, a última parte de Baby vai ser dividida em São Valentim, 26 de abril de 1915, Pede um desejo, Sem mais segredos, 100 dias e Além do aquário. A terceira e última parte da série italiana estreia esta quarta-feira, 16 de setembro.

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