Big Brother
Fotografia: Divulgação/TVI

‘Big Brother’. Uma nova casa, uma nova Teresa, concorrentes à antiga

Teresa Guilherme regressou à condução de reality-shows após três anos de afastamento e Big Brother: A Revolução mostrou logo ao que veio. A estreia do reality mais famoso do mundo mostrou inovações, deu-nos a sensação de nostalgia e, acima de tudo, cativou do primeiro ao último minuto.

Duas décadas depois, Big Brother está de volta com mais uma edição e novamente com a condução de Teresa Guilherme. O formato que há vinte anos revolucionou a televisão portuguesa teve a sua edição comemorativa apresentada por Cláudio Ramos, mas foi no dia 3 de setembro que o programa realmente celebrou o seu vigésimo aniversário. Entre trocas e baldrocas, futuros e passados, Teresa Guilherme regressou triunfante e arrasou na sua primeira gala. É caso para dizer: a rainha dos reality-shows está de volta. 

O regresso

Teresa Guilherme
Fotografia: Divulgação/TVI

O último programa apresentado por Teresa Guilherme na TVI foi Biggest Deal. O reality que colocava várias personalidades famosas a gerirem negócios não foi bem sucedido na antena da estação e acabou por receber um fim prematuro, sem uma grande despedida no pequeno ecrã. Antes disso, a apresentadora tinha-se despedido da Voz, na último edição que apresentou de Secret Story: A Casa dos Segredos. O tempo passou, a TVI perdeu o primeiro lugar das audiências e Teresa Guilherme voltou a ser chamada, agora por Cristina Ferreira.

Os últimos registos de Teresa Guilherme no ecrã não foram famosos. As críticas tornaram-se mais comuns e o público começou, lentamente, a virar as costas à apresentadora e aos formatos. Os trocadilhos, os concorrentes todos farinha do mesmo saco e o jogo viciado levaram Secret Story a passar para as mãos de Manuel Luís Goucha, que se encarregou da última edição do programa. Agora, três anos depois, a mãe dos reality-shows portugueses está de volta, após a substituição polémica de Cláudio Ramos. Mas a verdade é só uma: basta um minuto para perceber a falta que faz Teresa Guilherme.

Sem trocadilhos, com discurso fluído e sempre com a língua afiada, Teresa Guilherme mostrou que aos 65 anos ainda é possível reinventar-se e mostrar que não há ninguém como ela. Podemos dizer que preferimos outros apresentadores, que talvez seja altura de apostar em novos talentos – e todas estas opiniões são válidas – mas Teresa enche o ecrã como ninguém. É uma comunicadora nata e pertence à televisão, mesmo quando o seu tempo no Big Brother já tiver passado. O regresso da apresentadora – triunfante e emocionada – foi um dos pontos altos da noite. E não foi o único.

Uma casa inovadora

Big Brother casa
Fotografia: Divulgação/TVI

Se a decoração de Big Brother 2020 tinha primado pelo minimalismo, a casa de Big Brother: A Revolução destaca-se pela maravilhosa decoração e aproveitamento dos espaços. A nova casa do Big Brother, que continua a ser a mesma utilizada na edição anterior, tem uma decoração inspirada nas versões internacionais do formato, apelando a modelos mais modernos, interativos e espelhando uma conjuntura mais trabalhada e dedicada.

A casa vem ainda com divisões secretas, o local onde estão os concorrentes infiltrados, e ainda espaços patrocinados por marcas bem conhecidas pelos portugueses, que deram à casa um estatuto mais autêntico e certificado. Apesar da edição anterior já ter mostrado um grande upgrade em relação à antiga casa da Venda do Pinheiro, A Revolução consegue aproveitar todos os cantos da casa e dar-lhe o brilho que faltava na edição anterior. O único ponto negativo da decoração é o Confessionário. Tendo em conta que é uma das divisões que irá aparecer mais vezes no ecrã, especialmente nas galas, o novo espaço de conversas do programa deixou a desejar e é um dos mais fracos dos últimos anos.

Concorrentes atrás do seu tempo

Big Brother concorrentes
Fotografia: Instagram/Big Brother TVI

O cast de Big Brother: A Revolução é o ponto mais fraco da nova aposta da TVI. Enquanto a edição de Cláudio Ramos nos prendou com personalidades fortes e diferentes das que estávamos habituados a ver, o novo grupo de concorrentes parece tirado de uma edição comum do Secret Story. É difícil de imaginar este elenco a puxar por questões sociais ou a criar debates, como aconteceu com temas relacionados com a homofobia, o feminismo ou o veganismo, na edição anterior.

Apesar de ser cedo para dizer, os novos concorrentes do Big Brother não representam nada de novo e o programa parece ter regressado ao passado. Esperava-se um cast com mais representatividade e mais diversidade, passando por mais etnias, orientações sexuais diversas e pessoas verdadeiramente diferentes, mas não personalidades ocas e vazias, como os novos elementos do Big Brother aparentam, para já, ser.

Se a casa, o jogo e Teresa Guilherme não fossem fortes o suficiente, provavelmente A Revolução sairia despercebida com um elenco tão fraco e tão pouco impressionante.

Ainda assim, a estreia da nova edição de Big Brother cumpriu o seu objetivo. Desde o primeiro ao último minuto, Teresa Guilherme agarrou o olhar do público e sobre prendê-lo como ninguém. Apesar de os concorrentes não serem os mais cativantes, a estreia de A Revolução teve melhor programa de estreia de um formato do género em muitos, muitos anos.

De certa forma, o formato mostrou que, tal como a apresentadora, sabe reinventar e sobreviver à mudança. O Big Brother é dos formatos mais conhecidos no mundo inteiro e é um sucesso não só nacional, mas internacional. Ao longo dos vinte anos de produções, o programa já sofreu grandes alterações, quer nas escolhas de elenco, na decoração da casa, ou até mesmo nas estratégias da produção. Em Portugal, de alguma forma, o Big Brother parou no tempo. A fórmula foi repetida até à exaustão e, a certo momento, deixou de resultar. Procuraram-se vários culpados, mas a culpa era só de uma envolvida: a produção.

Big Brother: A Revolução traz mudanças que parecem ser positivas. Alguns erros do passado irão repetir-se – é inevitável – mas a estreia mostrou-nos que nem tudo é o que parece e que os próximos tempos podem renascer o formato adormecido. Voltará o Big Brother a revolucionar a televisão? É esperar para ver.

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