Maggie OFarrell
Fotografia: Nick Bradshaw

Escritora irlandesa Maggie O’Farrell vence Women’s Prize for Fiction 2020

A escritora irlandesa Maggie O’Farrell venceu o Women’s Prize for Fiction 2020. A obra premiada foi Hamnet, o mais recente romance da escritora. É a primeira vitória de O’Farrell, no 25.º aniversário do prémio que distingue autoras de todo o mundo.

Shakespeare como fonte de inspiração

Hamnet é uma história fictícia, inspirada na morte verídica do filho de Shakespeare, o único rapaz, de nome Hamnet. A criança morreu aos onze anos, de causa desconhecida, numa época de pandemia de peste negra. Há a crença que o infortúnio do escritor o pode ter inspirado a escrever Hamlet. O oitavo romance de Maggie O’Farrell é, assim, um estudo sobre o luto. O texto principia com a morte de Hamnet e mergulha depois na relação entre a mãe, Agnes, e o pai, o famoso dramaturgo britânico, sem o nome de Shakespeare ser alguma vez referido na obra, apesar de ser o pai da criança falecida.

Em declarações ao jornal The Guardian, a escritora revela que a criação do texto envolveu algum trabalho semântico. “Tentei não usar nenhuma palavra que não significasse semanticamente a mesma coisa hoje como no século XVI [período temporal da história].

Para Martha Lane Fox, presidente do júri, o livro é um trabalho de ficção “verdadeiramente fantástico” e um “excepcional vencedor”. Esta obra “expressa algo de profundo sobre a experiência humana, que parece ser tanto extraordinariamente actual como duradouro”, salientou.

Maggie O’Farrell tem livros traduzidos em mais de 30 línguas e já conta com alguns prémios no palmarés. O romance de estreia, After You’d Gone, recebeu reconhecimento internacional e ganhou a distinção Betty Trask em 2001 para autores com menos de 35 anos. A sua segunda obra, The Hand That First Held Mine, conquistou o Costa Book Awards em 2010 destinado a escritores britânicos e irlandeses. A romancista esteve na lista de candidatos ao Costa Book Awards por mais duas vezes: Heatwave, em 2014, e This Must Be The Place, em 2017, receberam a nomeação. Em Portugal, a escritora tem cinco livros publicados, o último em 2018, intitulado Estou viva, estou viva, estou viva. A obra baseia-se num conjunto de histórias que relatam encontros com a morte.

Maggie O’Farrell tinha concorrência à sua altura nas finalistas da 25.ª edição do galardão. A vencedora do Booker Prize, Bernardine Evaristo e a duas vezes vencedora do mesmo prémio, Hilary Mantel, também estavam entre as nomeadas. A lista incluía ainda Angie Cruz, Natalie Haynes, e Jenny Offill.

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