O Atentado
Fotografia: RTP / Divulgação

‘O Atentado’: A história do ataque falhado a Salazar chega à RTP1

O novo projeto de Francisco Moita Flores passa-se em 1937 e mostra-te a Oposição como não a viste antes.

Na próxima quarta-feira, dia 16, a RTP começa a contar-te uma história como ainda não a tinhas visto antes. O Atentado é uma série dedicada ao ataque a Salazar que, em 1937, por poucos metros não o assassinou.

O programa tem texto de autoria de Francisco Moita Flores, que retorna à RTP 14 anos depois de Quando os Lobos Uivam para nos dar a conhecer quem era a Oposição ao regime. Apesar de enfraquecida e sem sucesso na sua tentativa de assassínio, esta conseguiu minar a credibilidade da Polícia Política, a PVDE.

O Diretor de Programas da RTP1, José Fragoso, explicou em conferência que O Atentado, uma programa que vem no seguimento de outras apostas recentes da emissora, nasceu de uma grande curiosidade de Moita Flores:

Ele andou durante uns tempos largos maravilhado com esse universo de uma situação que é pouco conhecida dos portugueses. São episódios muito fortes que têm toda a veracidade da época, e também as peripécias entre os polícias que investigaram quem tentou matar Salazar naquela altura.”

Do Processo-Crime à televisão

Para que a série fosse o mais próxima do real, Moita Flores realizou uma extensa pesquisa tanto sobre o atentado em si quanto a incansável busca pelos seus responsáveis. Um cuidado adicional foi dado à caracterização dos espaços e das personagens, para completar a imersão em tempos tão diferentes dos atuais.

Nos seus 38 anos de carreira, Moita Flores viu diversas formas de se fazer televisão. No início da sua carreira, a liberdade de criação era mais limitada. Nem todas as palavras poderiam ir para o ar: “Naquele tempo tínhamos de pedir autorização se houvesse um palavrão. E lembro-me que foram autorizados um de dois palavrões: ou merda ou porra.”

Agora, como afirma o autor, as coisas mudaram. A longa carreira na televisão permite-lhe fazer escolhas mais abertamente.

Ainda era um tempo em que estávamos a sair das máscaras, das muitas máscaras. Este tempo hoje terminou.”

Na conferência de lançamento da série, relembra com emoção Luís Filipe Costa, com quem trabalhou no início da sua carreira e extensivamente ao longo dela. O realizador faleceu no passado mês de julho.

Estou emocionado porque estou a viver um momento de luto muito intenso de um dos homens da minha vida, uma figura extraordinária da RTP, que me levou para a emissora para escrevermos juntos um filme, que se chamava Morte d’Homem. Hoje lembrei-me muito do Luís Filipe Costa, que é uma referência extraordinária da televisão portuguesa.”

Os dois foram responsáveis também pela série Polícias, que marcou gerações. O percurso de Moita Flores é repleto de obras que moldaram a televisão portuguesa. O Atentado, projeto mais recente, é acompanhado por Jorge Paixão da Costa, realizador que esteve noutras produções do autor.

Ao apresentar a série à imprensa, são muitos os agradecimentos feitos por Moita Flores – desde José Fragoso, a quem saúda “a coragem de não ter amarras no seu pensamento“, a José Pedro Vasconcelos e todo o elenco. O autor deixa uma recomendação aos espetadores d’O Atentado:

Espero que gozem da série enquanto ficção, que não tem preocupação nem de ser anti-salazarista, nem pró-salazarista. Informa sobre a história. Quis contar a história que a RTP merece.”

Do outro lado da câmara

João Paulo Sousa / Glam

O Espalha-Factos falou também com João Paulo Sousa, que mergulhou na personagem de agente da PVDE para a série O Atentado. Uma das partes mais emocionante, conta o ator, é ver o quão real é esta história, apesar de tão distinta do nosso mundo atual:

Há uns tempos eu estava a falar com a minha avó, a dizer-lhe que ia fazer um agente da PVDE. E ela esteve a contar-me que esteve presa, porque o meu avô emigrou, na altura ilegalmente, para França, para procurar melhores condições de trabalho. Havia toda aquela situação dos bufos, que contavam a vida dos outros e o que faziam.”

João Paulo, atualmente, tem presença marcada na televisão e na rádio. Para além de ser locutor na Cidade FM, é apresentador nos programas da SIC Domingão e Olhó Baião!. Representar é, por isso, voltar às origens, sendo toda a sua formação de ator. Ao ver o resultado deste projeto para a RTP, mostra-se gratificado:

A história é brilhante. Fiquei super emocionado de ver aquelas imagens. Está lindíssimo. Fiquei super feliz de pertencer a uma série com esta dimensão, este impacto e com o destaque está a ter, também.”

Com Pedro Miguel Coelho
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