Gloria
Fotografia: Ricardo Santos/European Film Promotion

‘Glória’: Gonçalo Reis diz ser “um marco muito importante numa trajetória”

O presidente da RTP falou com o Espalha-Factos sobre a nova aposta coproduzida pela Netflix e pela estação televisiva.

Glória é a primeira série portuguesa da Netflix em coprodução com a RTP1. Gonçalo Reis, presidente do Conselho de Administração da RTP, considera que vai ser um “marco” na ficção portuguesa.

A série, situada durante os anos da Guerra Fria, é produzida pela SPi (divisão internacional da SP Televisão), escrita por Pedro Lopes (argumentista da recente Auga Seca, disponível na HBO e na RTP Play), e realizada por Tiago Guedes (A Herdade).

Em declarações exclusivas ao Espalha-Factos, Gonçalo Reis afirma que Glória é “um marco muito importante numa trajetória“, a trajetória do investimento na ficção nacional que a RTP tem seguido nos últimos anos. “Nós assumimos o papel de sermos a locomotiva do setor em termos de produção de séries, uma coisa que o mercado não estava a oferecer. É uma tendência internacional.“, explica. Além de salientar a forma recorrente como a RTP tem executado essa estratégia, destaca os diretores de programas, nomeadamente José Fragoso, o responsável pela programação principal do canal público.

“Estamos recetivos a bons projetos. Gostamos de estimular uma indústria. Aqui estamos a falar de uma produtora, de guionistas, de realizadores, de atores. A verdade é que quem faz de maneira recorrente, de maneira sistemática, acaba por fazer melhor. Há lições e há aprendizagens.”

No que diz respeito ao fenómeno da distribuição dos conteúdos, Gonçalo Reis admite que tem sido interessante a perspetiva, a priori, de internacionalização.Fizemos várias coproduções com Espanha, desde Vidago [Palace] a Auga Seca. São desenhadas com uma perspetiva de irem para o mercado internacional.

O mercado internacional

A estas coproduções aliam-se os acordos já existentes com serviços como a HBO.E agora… a Netflix. A Netflix, realmente, é a Netflix.”, confessa. Sobre Glória, Gonçalo Reis retoma as palavras de José Fragoso: “Isto é a ponta do icebergue.

O presidente executivo da Rádio e Televisão Portuguesa admite que no projeto já há um trabalho de cerca de dois anos. “Aliámo-nos à SP [Televisão], uma produtora que oferece todas as garantias de qualidade e credibilidade. O elenco é muito forte…

É uma história não só produzida e filmada em Portugal, mas também uma história que tem a ver com a nossa história.

Questionado sobre como as parcerias internacionais vêem a RTP, Gonçalo Reis disse, e especialmente quanto às áreas de programas, que olham para a estação como “uma instituição credível, que é capaz de fazer projetos de uma certa envergadura“, o que permite à RTP um maior financiamento para os projetos que pretende realizar.

Um projeto stand-alone, só da RTP, tem um determinado patamar, enquanto que um projeto em que nos juntamos a uma televisão espanhola, ou francesa, o que seja, desde o início contando com um distribuidor com escala internacional, acaba por ser um projeto com outras condições. Isso repercute no produto final.

A aposta nas séries

Essa repercussão sente-a também porque, discretamente, admitiu ser fã dos conteúdos que a estação televisiva produz. “Não devo ter preferências, mas sou um fã. Desde A Espia, 3 Mulheres… Tem sido uma marca nossa, para continuar. O mercado e os agentes estão a validar essa aposta.

Talvez por existir essa validação, nacional e internacional, a SIC e a TVI têm anunciado a sua aposta em séries de curta duração. Abordado sobre o tema, Gonçalo Reis diz sentir que “a RTP foi à frente no caminho, iluminando o caminho, e ainda bem que outros se juntam” ao mesmo.

Isso, no fundo, é o mercado a dizer: aquilo que os senhores da RTP estavam a fazer tinha sentido. Portanto, é natural que a concorrência, se assim o quiser, faça as suas apostas.

Também José Fragoso tinha feito este destaque, mencionando o papel decisivo da estação pública na produção regular de séries em Portugal.

Glória está a caminho, com gravações a decorrer em Lisboa e no Ribatejo. Na trama estarão presentes atores como Victoria Guerra, Afonso Pimentel, Adriano Luz, Gonçalo Waddington, Joana Ribeiro, Carloto Cotta e Inês Castel-Branco.

Com Pedro Miguel Coelho

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