Mulan

‘Mulan’. Senador americano condena filme por “branquear genocídio”

Josh Hawley afirmou numa carta para o CEO da Disney que o filme deveria ser removido de todas as plataformas

A polémica em torno do live-action de Mulan continua. O agradecimento dado as autoridades de Xinjiang, distrito chinês onde muçulmanos Uighur têm sido mantidos em campos de concentração em massa, gerou inúmeros comentários mundo a fora.

O distrito chinês que encontra-se na lista americana de sanções foi cenário de parte das gravações de Mulan, pelo que a Disney agradeceu às autoridades nos créditos finais do filme. Na passada quarta-feira, o senador norte-americano Josh Hawley enviou uma carta a Bob Chapek, CEO da Disney, a condenar a empresa por “branquear o decorrente genocídio de Uighurs e outras minorias étnicas muçulmanas durante a produção de Mulan”.

Hawley pergunta se o filme Mulan não será removido do Disney+ como um todo, para evitar “glorificação de oficiais do Partido Comunista Chinês e agências responsáveis pelas atrocidades que estão a acontecer em Xinjiang”. O senador avança também com uma pergunta ainda mais abrangente: quais foram as ajudas dadas por essas agências e autoridades recebidas pela Disney, e como elas foram compensadas?”.

Uma das entidades mencionadas nos créditos de Mulan é a agência policial de Turpan, cidade em Xinjiang que tem larga população muçulmana Uighur. Em outubro de 2019, a administração Trump colocou tanto essa como outras organizações policiais do distrito numa lista negra que proibi companhias americanas de lhes vender ou fornecer produtos.

Onde está, afinal, Mulan?

O lançamento do filme foi remarcado múltiplas vezes. A estreia prevista para março foi posteriormente adiada devido a pandemia da Covid-19. Em agosto, foi anunciado que o filme estaria disponível na Disney+. Noutros países, Mulan seria lançado nos cinemas.

O filme chegou à Disney+ na passada sexta-feira, dia 4. As críticas de Mulan têm sido boas, e espera-se que, com o seu lançamento no mercado chinês, as bilheteiras alcancem o marco dos 30 milhões de dólares. Devido às polémicas relacionadas aos créditos, autoridades americanas reforçam os pedidos já antes fomentados pela hashtag #BoycottMulan – contra o consumo do live-action. O boicote originou-se depois da protagonista de Mulan, Liu Yifei, ter feito publicações controversas no site Weibo, a dizer que apoiava a polícia de Hong Kong, que estava a responder repressivamente as manifestações contra o governo.

Especialistas acreditam, porém, que o movimento pode surtir o efeito contrário. “Como surgiu em Hong Kong, as pessoas na China irão deliberadamente assistir Mulan para protestar o boicote”, afirmou o professor Stanley Rosen, da USC, à revista Deadline. Rosen considera que todas as críticas exteriores ao filme poderão construir uma noção de apoio patriótico ao seu lançamento dentro da China.

A CFO da Disney, Christine McCarthy, deu o seu parecer sobre as controvérsias que rodeiam o live-action. Acredita que toda a discussão gerou para o filme muita publicidade:

“Deixe-me contextualizar. Os factos reais é que Mulan foi filmado maioritariamente – quase por completo – na Nova Zelândia. Num esforço para mostrar corretamente algumas das paisagens da China para esse filme de época, nós filmamos cenários em 20 diferentes locais na China. É senso comum que, para que se possa filmar na China, precisasse de uma autorização. Esta permissão é dada pelo Governo central.”

A CFO afirmou que é uma prática comum por todo o mundo reconhecer nos créditos de um filme as autoridades governamentais que permitiram que eles fossem gravados: “Nos nossos créditos, reconheceu ambas as localizações na China e na Nova Zelândia. Eu deixaria isso por aí, mas gerou muitos problemas para nós”.

Mais Artigos
After
‘After’ segura liderança, com bilheteira a cair 20% em uma semana