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My Heart Can't Beat Unless You Tell It To | Fonte: MotelX

MOTELX ’20: ‘My Heart Can’t Beat Unless You Tell It To’ e os sacrifícios que se fazem pela família

My Heart Can’t Beat Unless You Tell It To, a primeira longa-metragem do realizador norte-americano Jonathan Cuartas (The Horse and The StagKuru), foi um dos destaques de quarta-feira (9) da 14.ª edição do MOTELX.

Drama com traço do terror clássico vampiresco, o filme retrata o quotidiano de três irmãos: Jessie (Ingrid Sophie Schram) e Dwight (Patrick Fulgit) que, secretamente e em conjunto, se unem para diminuir o sofrimento do benjamim da família, Thomas (Owen Campbell), vítima de uma doença secreta cujo único alívio apresenta-se através do consumo de sangue humano.

A relação simbiótica entre os três irmãos é o foco principal em My Heart Can’t Beat Unless You Tell It To. Jessie é empregada de mesa num restaurante local, traz o sustento para casa; Dwight tem apenas uma responsabilidade, maior e mais perigosa do que qualquer trabalho: escolher uma pessoa que não tenha ninguém que repare no seu desaparecimento (normalmente pessoas em situação de sem-abrigo), seduzi-la ao prometer comida e um abrigo temporário e, de seguida, matá-la. O filme começa precisamente assim, com o irmão mais velho a trazer um desconhecido para casa. Jessie relembra que nenhuma gota pode ser desperdiçada, deitando o sangue numa tigela.

Thomas é indefeso, tristonho, de uma palidez anémica arrepiante. Quando o vemos pela primeira vez no ecrã, está deitado e de olhos fechados, num estado quase mortífero. Basta que Jessie aproxime os seus dedos ensanguentados à boca do irmão mais novo para que este acorde num sobressalto. Bebe o sangue da tigela como um esfomeado que não vê um prato de comida há meses.

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Patrick Fulgit é Dwight, o irmão a quem é atribuída a tarefa mais difícil | Fonte: IMDb

A situação, já pouco ideal e complicada, torna-se ainda menos sustentável quando Dwight falha um dos assassinatos, vendo-se obrigado a raptar o homem que pretendia matar. Jessie propõe que a próxima vítima seja uma prostituta com quem Dwight se encontra com alguma regularidade. Quando o primogénito recusa a empreitada, Jessie resolve tomar conta do jantar de Thomas com as próprias mãos. A partir daí, a família cai numa espiral descendente – Dwight e Thomas, claramente deprimidos, sentem-se sozinhos, presos às amarras da irmã controladora.

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Mas, na verdade, quem é que a pode julgar? Jessie luta pela família, pela sobrevivência do querido irmão mais novo da única maneira que consegue. O filme é uma alegoria bem conseguida sobre os sacrifícios que se está disposto a fazer para se preservar o amor e a união familiar. Cada um dos irmãos é obrigado a sacrificar-se: a devoção desmedida de Jessie e Dwight coloca-os numa encruzilhada ético-moral, que desvanece ao lado da necessidade de manter Thomas vivo. Mas Thomas também se sacrifica pelo irmão – tem a perfeita noção que a situação em que se encontra é insustentável e põe em risco a vida daqueles que ama e, por isso, decide partir definitivamente.

A vida dos três irmãos não é independente. A relação é simbiótica, um não existe sem o outro e é exatamente isso que o final aberto reflete. My Heart Won’t Beat Unless You Tell It To é, mais que um filme de terror, um drama familiar profundo e comovente que ganha ainda mais pontos pela belíssima e claustrofóbica cinematografia. Filmado em 1:1, o aspect ratio quadrado da imagem reflete as quatro paredes onde os irmãos passam a grande maioria dos 89 minutos de filme. Jonathan Cuartas mostra mestria, sabendo medir exatamente onde infligir terror e quando despir a veste do horror e puxar pela emoção.

O clássico terror de vampiros, revisitado

Nunca nos é revelada a verdadeira doença de Thomas, mas atrevemos-nos a tentar adivinhar. Pele pálida, intolerância aos raios de sol, um órgão como fonte principal de entretenimento e um coração doce por trás de uma cara aparentemente fria. Cuartas vai buscar todos os elementos clássicos dos filmes de terror que retratam a vida de vampiros. Ao longo dos últimos anos, vários foram os filmes que oferecem um novo toque a este subgénero.

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What We Do In The Shadows, de Taika Waititi e Jemaine Clement

Only Lovers Left Alive, de Jim Jarmursch, narra a história de um casal de vampiros juntos há séculos (Tilda Swinton Thomas Hiddleston) que navegam a contemporaneidade e What We Do In The Shadows, realizado por Taika WaititiJemaine Clement, é um mockumentary, tendo merecido adaptação para série, que conta a história de quatro colegas de casa, vampiros de diferentes eras, que acolhem um recém transformado hipster na sua casa. Com My Heart Won’t Beat Unless You Tell It To, Cuartas entra na lista destes icónicos realizadores e dos seus filmes que oferecem um novo look a um género tantas vezes retratado.

 

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