Glória

‘Glória’. Vem aí a primeira série portuguesa da Netflix

Glória, um thriller ambientado na Guerra Fria, é a primeira série portuguesa da Netflix. O original conta com produção da SPi, a divisão internacional da produtora SP Televisão, e é co-produzida pela RTP. O anúncio foi feito, em comunicado, pela plataforma de streaming.

O elenco conta com nomes bem conhecidos do público nacional, como Victoria Guerra, Afonso Pimentel, Adriano Luz, Gonçalo Waddington, Joana Ribeiro, Sandra Faleiro, Carloto Cotta, Inês Castel-Branco e Rafael Morais. As gravações da trama, passada nos anos 60, já estão a decorrer na região do Ribatejo e em Lisboa.

A aldeia de Glória do Ribatejo, onde funciona o RARET, um centro de transmissões norte-americano destinado a emitir propaganda do país para o leste europeu, é o cenário principal da história, explica a plataforma de streaming.

João Vidal, cuja família apoia o Estado Novo, mudou depois de ter sido confrontado com a realidade da guerra colonial, onde compreendeu que “seja qual for o lado em que estiver, o mundo (…) nunca é a preto e branco”. Este homem é recrutado pelo KGB, a polícia secreta russa, para desempenhar “missões de espionagem de alto risco que podem mudar o curso da história portuguesa e mundial”. E assim, aquela pequena aldeia transforma-se num “improvável palco da Guerra Fria“.

A realização de Glória fica a cargo de Tiago Guedes, o responsável pelo filme A Herdade e as séries Os Boys e Odisseia, ambas da estação pública. Já o argumento é de Pedro Lopes, que também fez parte da equipa de argumentistas de Auga Seca, Conta-me Como Foi e da telenovela Laços de Sangue, vencedora de um Emmy Internacional em 2011.

Portugal está “no roadmap das grandes produções internacionais”

José Amaral, diretor executivo da SPi, congratula-se pela série, que enquadra como parte de uma “visão estratégica de expansão internacional” que tem sido percorrida pela produtora. Citado no comunicado da Netflix, José Amaral considera ainda que este marco assinala, para o mercado audiovisual português, “o início de um novo ciclo, já que posiciona o nosso país no ‘roadmap’ das grandes produções internacionais que a Netflix tem vindo a preconizar”.

A direção de programas da RTP1 considera que o “início da rodagem da série ‘Glória’ representa a chegada da ficção televisiva portuguesa a um novo patamar de qualidade e exigência”. José Fragoso, responsável pela programação do principal canal público, acrescenta que este é um “momento histórico para a produção audiovisual” em Portugal, realçando que este “será o primeiro projeto de ficção nacional a contar com a excecional capacidade de produção e distribuição internacional da Netflix”.

Este dirigente considera ainda que a RTP tem tido um papel decisivo “na produção regular de séries” em Portugal, enquanto Nuno Artur Silva, antigo administrador do grupo público e atual Secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, recorda o apoio dado pelo Fundo de Turismo, Cinema e Audiovisual.

O governante afirma esperar que este seja o primeiro de “muitos outros projetos que venham dar visibilidade à criatividade de argumentistas, realizadores e produtores portugueses, e imprimir ao cinema e audiovisual do país um novo dinamismo”.

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