MotelX 2020
Fonte: MotelX / Divulgação.

MOTELX ’20: A edição deste ano é uma “demonstração de resistência”

A 14.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, MOTELX, arrancou esta segunda-feira (7), no Cinema São Jorge. A cerimónia de abertura reuniu, para além do público e organização do festival, Catarina Vaz Pinto, Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, e Nuno Artur Silva, Secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media.

As comparações entre o terror fictício e o terror pandémico em que vivemos formaram a ordem do dia, “o terror transporta-nos não só para uma dimensão mais tradicional, os medos e os sustos, mas também fenómenos do mundo contemporâneo como o vírus ou o racismo, fenómenos que podem ser encarados como terror e que este festival sabe desconstruir“, sublinhou Catarina Vaz Pinto.

Epidemic,de Lars Von Trier, que como o nome indica tem como centro fulcral da premissa uma pandemia, está inserido na secção de Sessões Especiais. Filipe Homem Fonseca, que juntamente com Pedro Mexia e Carla Galvão compõe o júri do Prémio de Melhor Longa Europeia, felicitou a coragem da organização em realizar um evento tão necessário como este em tempos tão incertos e referiu que o MOTELX é uma “demonstração de resistência“.

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No assunto de resistência, o festival incorpora, este ano, uma secção dedicada à “falácia da era pós-racial“. Pesadelo Americano: Racismo e Cinema de Terror é uma secção composta por sete filmes tendo como tema principal o racismo (com foco nos Estados Unidos), cuja seleção nada inocente faz brilhar uma luz sobre os acontecimentos dos últimos meses, como o caso de Jacob Blake, o jovem negro baleado sete vezes pela polícia em Kenosha ou os protestos Black Lives Matter, que acontecem diariamente no país há cerca de quatro meses, no seguimento do caso de George Floyd.

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‘Get Out’ (2017) é um dos filmes da secção Pesadelo Americano | Fonte: IMDB

Nuno Artur Silva adicionou, ainda, que “é paradoxal ou irónico um festival onde as pessoas vêm para ter medo, este ano represente pela vinda das pessoas e pela sua realização, uma forma de combater esse medo [da conjuntura atual]”. No seu discurso, sublinhou a secção Quarto Perdido, que pretende exibir “clássicos esquecidos dos primórdios do cinema de género português” com dois filmes de Pedro CostaCavalo Dinheiro Ne Change Rien. Para o Secretário de Estado, esta é uma excelente forma de o MOTELX celebrar o cinema português e uma maneira de mostrar a diversidade da programação do festival. “Os festivais de cinema, tidos como momentos de excepção trazem, este ano, um certo ar de normalidade ao setor, à cidade de Lisboa e ao resto do país, à medida em que os espectadores saem das suas casas e regressam para experienciar a cultura cinematográfica em comum.” 

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