Malasaña 32

MOTELX ’20: ‘Malasaña 32’ e a maldição dos “jump scares”

Malasaña 32, realizado por Albert Pinhó, abriu as hostilidades, esta segunda-feira (8), da 14.ª edição do MOTELX, o festival que promete aterrorizar Lisboa até 14 de setembro. A longa-metragem espanhola conta a história por trás da porta 32 da Rua Manuela Malasaña, em Madrid, e da família Olmedo, que para lá se muda no verão de 1976.

A primeira cena do filme, que decorre em 1972, mostra-nos dois irmãos que lutam por uma bola de berlinde que vai  rolando pelas escadas e cai junto à porta do 3.ºB, casa onde ninguém nunca se atreve a entrar. Mas é claro que os irmãos, jovens ingénuos e desesperados por uma bola de berlinde, entram na casa assombrada “da velha” (como é conhecida). É inevitável dizer o que acontece a seguir – entra o jump scare #1.

Corta para 1976, à recém-chegada família Olmedo, uma das várias praticantes do êxodo rural na época do Franquismo espanhol. Todos menos pai, o chefe de família, se opunham à ideia de deixar a sua casa no pueblo para vir viver numa casa velha e arrepiante na cidade.  A família, composta pelo pai Manolo (Iván Marcos), mãe Candela (Bea Segura), avô Fermín (José Luís de Madariaga), dois filhos, Pepe (Sergio Castellanos) e Rafael (Iván Redondo) e a filha Amparo (Begoña Vargas) instala-se, em sua maioria contrariada, na casa do 3.ºB.

Parece quase cómico que uma casa seja vendida ainda com a roupa, lençóis de cama e até o disco de vinil na vitrola, tudo objetos que pertenciam à última dona, mas talvez era mesmo assim nos anos 70.

malasaña 32
Malasaña 32 | Fonte: IMDb

Os pais e Pepe trabalham todo o dia, deixando Amparo sozinha com o abuelo e o pequeno Rafael. Num momento de distração, Rafael desaparece e é aí que tudo vai por água abaixo. Raptado pela criatura sobrenatural (Clara) que ronda a casa, Rafael fica preso dentro de um relógio durante dias. Pepe, o avô e Amparo são aterrorizados pelo mesmo fantasma, que se manifesta através de jump scares e por filmagens de pés que não veem uma manicure há séculos.

Na loja onde Candela trabalha, uma jovem doente chamada Lola (não sabemos exatamente qual é a sua doença, só que está presa a uma cadeira de rodas sem conseguir falar) apita no seu comunicador quando se depara com Lola, assombrada pelo terror de sua casa. A mãe de Lola, interpretada por Concha Velasco, diz que a jovem sente que Candela está em perigo e passa-lhe uma oração para fazer com os filhos. A oração não basta e Lola e a mãe vão até a casa dos Olmedo praticar um exorcismo. Pinhó aproveita-se da deformidade da jovem Lola para causar terror nos espectadores, num tropo já conhecido do cinema de terror.

O plot twist do filme é desenxabido, parece ter sido pensado apenas para se conseguir encaixar nos assuntos da ordem do dia em 2020, com estereótipos mal conseguidos. Poderia ser uma alegoria com potencial, mas acaba por se esgotar nos jump scares horrorosos que nada contribuem para o desenvolvimento da trama. Todas estas falhas acabam por tornar o espectador entorpecido quando o trauma, que imortalizou Clara enquanto fantasma na sua casa de infância, é revelado. Todo o potencial do plot twist, que poderia ser muito bom se não estivesse abafado por tantos clichés de terror, esgota-se numa história de desenvolvimento escasso e pouco estimulante.

Lê também: MOTELX ’20: A edição deste ano é uma “demonstração de resistência”
Malasaña 32
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