Papillon
Fotografia: Papillon / DR

À Escuta. Papillon, Samuel Úria e a canção de resistência dos trabalhadores da Casa da Música entre os destaques desta semana

O novo lançamento de Papillon, mais um single de antecipação do novo disco de Samuel Úria e a canção de resistência dos trabalhadores da Casa da Música são os destaques de uma semana bastante movimentada no À Escuta, a rubrica semanal do Espalha-Factos sobre os lançamentos da música portuguesa.

A viagem de fora para dentro de Papillon em ‘Chillin

‘Chillin’ é o nome do novo single de Papillon, que conta com produção de Holly e Slow J. É, até agora, uma das faixas mais interessantes em termos sonoros que o rapper e cantor português lançou na sua, até agora, curta carreira a solo. Encontra-se dividida em dois atos: ‘Chill’ e ‘In’.

Sobre esta nova faixa, o artista português revela que é “uma viagem que parte de fora para dentro, que oscila entre o optimismo e a preocupação e que nos incentiva a saber estar bem connosco.” É também sobre as fases de reconciliação que se seguem: dentro de casa, dentro da zona e “por aí adiante até chegar a todos os cantos desta terra.” O artista refere, ainda que, tem sentido que, apesar do seu “sinónimo de optimismo“, “o mundo dá um passo em frente e dois para trás.”

Papillon indica que o seu estado de espírito varia muito entre o “está tudo bem” e o “estou muito preocupado”. É um pouco esta dupla perspetiva que é possível de se observar em ‘Chillin’. Na primeira parte, sobre um beat mais atmosférico e, até podemos dizer, chill, Papillon revela-nos um poema (escrito em inglês) que retrata esta insegurança que sente perante os eventos constantes que vão acontecendo e alteram o curso da história. Após a troca de beat, e ao entrarmos em ‘In‘, Papillon troca de língua, mas mantém esta atmosfera inconstante de ansiedade que povoa a faixa. No entanto, ao invés de olhar para fora, efetua uma instrospeção sobre os seus sentimentos e a forma como está a tentar lidar com eles.

O comentário bem atual de Samuel Úria em ‘Aos Pós

A antecipação de Canções do Pós-Guerra, o novo projeto de Samuel Úria, continua a aumentar. Depois de na semana passada ter-nos brindado com ‘A Contenção’, o cantautor português deixou mais uma surpresa para os fãs. ‘Aos Pós‘ é o nome do novo avanço para o disco que tem data de lançamento marcada para 18 de setembro, com o símbolo Valentim de Carvalho.

De acordo com Úria, esta nova cantiga é marcada “menos pela celebração e mais pelo lamento“, “menos intemporalidade, mais comentário presente e geracional“. É na lírica desta faixa, que conta com uns versos num estilo gospel antes da explosão de guitarras em modo total de rock no refrão infeccioso, que se pode observar a anotação feita pelo cantautor português.

Samuel Úria sempre foi um poeta exímio e, mais uma vez, demonstra aqui toda a sua capacidade em relatar os acontecimentos que vivemos (e devem de ser da preocupação de todos), com o seu estilo tão característico de poesia. “Para que a história não se repita, é saber contar“, canta Úria no primeiro refrão. A conclusão é imediata para o atual panorama político e social que se vive no nosso país. Segundo o artista, não se pode esquecer essa máxima para que “ontem, nunca mais!“.

‘Abraço Assinado’: a canção de resistência dos trabalhadores da Casa da Música

Manel Cruz juntou-se aos trabalhadores precários da Casa da Música e com isso surgiu ‘Abraço Assinado’, uma nova canção de protesto. O cantautor e multi-instrumentalista português escreveu a letra e a música em parceria com a sua intérprete, Sara Yasmine. A canção surge no seguimento da forma como a Casa da Música geriu a situação dos precários no contexto da pandemia e aborda os problemas e queixas que surgiram depois desta dispensar este grupo de trabalhadores devido à pandemia da Covid-19.

Sobre esta faixa, Manel Cruz comentou nas redes sociais que se trata de “um trabalho coletivo que espero que seja uma inspiração à participação social. Coisas aconteceram, estão à vista de quem quiser ler. O mundo efetivamente mudou, vale a pena o pouco que fará o muito“. O projeto conta, ainda, com a participação de Educadores do SE Artes da Fundação de Serralves.

Na descrição do vídeo, lê-se que a “precariedade não é, nem nunca será, terreno fértil para a criação artística. Já quando o ímpeto criativo se enraíza em valores humanos que não se sujeitam à tirania do mercado, as flores podem nascer onde menos se espera.” Esta música é uma “uma flor em cuja semente se inscreve o ADN da luta pelos direitos dos trabalhadores.” e um “símbolo de transformação” que visa ganhar o respeito que estes trabalhadores merecem.

808DNA – Entropy Loop III

808DNA é o nome artístico de Hélio Clemente Cuve, um artista, produtor e engenheiro de som, natural de Maputo, Moçambique. Depois de Nova Temporada, lançado em 2014, o EP Entropy Loop III marca o regresso do artista aos trabalhos musicais.

Atualmente a terminar um Doutoramento em Neurociências, na universidade de Oxford, as mudanças culturais em torno da sua vida profissional e pessoal servem como a grande inspiração para este novo trabalho. À semelhança do seu trabalho anterior, o R&B é o principal elemento da sonoridade de 808DNA, mas este é expandido com uma presença forte de eletrónica e de synth-pop nas composições.

Existe uma componente instrospetiva interiorizada na atmosfera sombria e intoxicante deste projeto, fazendo lembrar os trabalhos de The Weeknd. Os beats hiptonizantes transportam-nos numa viagem entre os canais da mente do artista enquanto a sua voz rompe por entre os sintetizadores para roubar o hook e constituir a peça final deste puzzle que tem tanto de groovy como de escuridão.

Clementine – Motorhome

Clementine é o nome do trio lisboeta constituído por Shelley Barradas (guitarra, baixo, vocais), Helena Fagundes (bateria) e Chris Bernardes (baixo) e Motorhome é o nome do novo projeto da banda, o sucessor de Tiger, EP lançado há quatro anos.

Linhas de baixo pulsantes, baterias agressivas (altamente rítmicas) e guitarras estridentes, a energia punk está bastante viva nestas oito faixas que compõem o disco. Ruidoso, bastante cru na sua produção e lírica, ligeiramente lo-fi na sua estética de garagem, Motorhome é um trabalho que mostra que é possível fazer um disco criativo e bom de rock em 2020.

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Flor-de-Lis – ‘Pode Chover Um Poema’

Quem não se lembra dos Flor-de-Lis, a banda que representou Portugal na edição de 2009 do Festival Eurovisão da Canção com ‘Todas As Ruas Do Amor‘? Após um pequeno intervalo, o grupo português regressou este ano aos originais. Depois de ‘Amores Assim’ e ‘Acontecer’, ‘Pode Chover Um Poema’ é o nome do novo single do conjunto lisboeta.

Mantendo a mesma formação aquando do seu último lançamento oficial antes de 2020 (‘Dona Rosa’ em 2014), ‘Pode Chover Um Poema’ é a continuação da apresentação da nova estética da banda, uma evolução da qual havia sido explorada no seu único disco, Signo Solar, lançado em 2010. Neste novo single, a presença de elementos da música popular portuguesa é bastante notória. No entanto, estes são reinventados em torno da tropicália brasileira, criando uma junção de sons cujo resultado final é extremamente satisfatório e interessante.

Noko Woi – ‘Holes’

Apesar de sediada no pais de nuestros hermanos, a banda Noko Woi tem na sua formação um elemento muito acarinhado pelos portugueses: Salvador Sobral.

A banda liderada por Leonardo Aldrey continua a preparação do seu segundo longa-duração, intitulado de Poke the Eye,Holes é o nome do seu novo single. A estética de indie pop assenta que nem uma luva na performance vocal apresentada por Sobral, entre os sempre presentes sintetizadores espaçosos, as guitarras minimalistas e a secção rítmica que marca o passo entre a linha de baixo e a bateria inspirada pelo jazz.

Sampladélicos – Cavalo de Tróia

Sampladélicos
Fotografia: Divulgação

Se houvesse prémio para o álbum nacional mais estranho de 2020, o disco Cavalo de Tróia, da autoria dos Sampladélicos, seria um dos candidatos. É o sucessor de Não nos Deixeis Cair em Tradição, lançado em 2016 pela dupla constituída por Sílvio Rosado e Tiago Pereira.

Enquanto que Sílvio Rosado é músico, Tiago Pereira é realizador. Juntos, criam álbuns digitais e performances audiovisuais que tem por base as gravações do projeto e arquivo A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria. Neste novo projeto, constituído por 12 faixas gravadas entre 2018 e 2019, é feita uma homenagem ao projeto Megafone, de João Aguardela, partindo da seguinte premissa: “E se de repente a música portuguesa fosse construída através da memória colectiva de um povo?

O resultado final desta questão é toda uma reconstrução de como pode soar a música de dança. É uma invasão do “país de noite no nosso cavalo de Tróia e libertar de manhã a nossa música feita com pastores, poetas populares, ranchos folclóricos, Cante Alentejano, harpas ao vento, tocadores de chulas, adufes, bombos, violas da terra e Beiroas“, juntando ainda contribuições de músicos e artistas como Filho da Mãe, Carlos Barreto, Celeste Rodrigues, João Frade, Reflect e muitos outros.

Cavalo de Tróia é, com certeza, uma das aventuras sonoras mais arrojadas e interessante que, neste momento, existe no panorama musical português.

Pedro de Tróia e Inês – ‘Óculos de Sol’

Óculos de Sol
Fotografia: Divulgação

A nova versão de ‘Óculos de Sol’, tema incluído no disco de estreia de Pedro de Tróia, vê o ex-Capitães da Areia juntar-se a Inês para um dueto que dá uma nova vida à faixa. A parceria entre os dois surge depois de Inês, uma jovem cantora de 20 anos, ter vencido o casting feito pela MTV Portugal, que procurava a voz perfeita para esta reinterpretação da faixa de Depois Logo Se Vê.

Apesar de haver não praticamente nenhuma diferença no instrumental entre a original e esta nova versão, o maior papel dado à voz feminina, presente na original em forma de backing vocals, traz uma nova dimensão à faixa. E esta provém, essencialmente, da excelente química que existe entre as vozes de Inês e Pedro e ao quão bem estas se juntam ao já excelente instrumental da faixa. É uma faixa perfeita para este fim de verão, carregada de nostalgia pelos bons momentos da infância e adolescência que já passaram e que apenas estão presentes na nossa memória distante.

Sara Correia – ‘Dizer Não’

Dizer Não’ é o mais recente avanço do novo disco da fadista Sara Correia, que será lançado no próximo dia 25 de setembro. O lançamento do disco havia sido adiado para esta nova data devido à pandemia da Covid-19. É o sucessor do seu álbum de estreia homónimo, lançado em 2018. A faixa, tal como o disco, conta com produção de Diogo Clemente.

Escrita por Luísa Sobral, ‘Dizer Não’ é mais uma faixa onde a entrega total de Sara faz-se notar na sua interpretação poderosa e carregada de sentimento, capaz de “encontrar emoções que achamos adormecidas”. O instrumental leva-nos ao “novo” fado que muitos artistas portugueses têm vindo a explorar, juntando-se outro tipo de sonoridades ao típico fado português. Aqui, vê-se a presença de elementos da música tradicional portuguesa adicionados ao típico instrumental de fado.

Sobre a colaboração, Luísa Sobral refere que escreveu esta canção para Sara “por sentir que a sua voz triste e tão bela encarnava na perfeição esta personagem dividida e amargurada.” e que é fã da “voz da Sara desde a primeira vez que a ouvi.” A autora da canção demonstrou o seu agrado com a versão final apresentada, “Que bonito ficou o resultado final!”

Simão Reis – ‘Ouro

Ouro’ é o novo single do cantautor português Simão Reis. A faixa, inicialmente incluída no seu EP Combustão Lenta, é uma carta de apresentação que revela um artista com vontade de explorar. Tendo por base ritmos da música tradicional portuguesa, especialmente do Fado, o artista constrói por cima destes instrumentais que retiram tanto ao indie rock como ao dream pop.

O single “fala sobre o acto de criação e a forma como este flui através de um processo natural que acontece diariamente ligado ao acto de fumar e as suas múltiplas introspecções”, revela o artista. A melodia criada pelo baixo e guitarra é o ponto fulcral da música, expondo a “nova Fado” que o artista pretende criar e culmina num longo, sonhador e suave solo de guitarra que se prolonga pela faixa adentro.

Te Voy A Matar – Texto Áureo

Te Voy A Matar é o projeto do multi-instrumentalista Silas Ferreira Texto Áureo é o seu disco. Produzido durante “o período de confinamento pandémico de 2020“, o resultado final são faixas que, apesar de longas, são de fácil audição, juntando um toque de diversão e contemplação à sua componente atmosférica que tanto marca este tipo de música eletrónica.

We Bless This Mess – ‘Almost Straight Edge’

We Bless This Mess é o projeto musical de Nelson Graf Reis, sendo ‘Almost Straight Edge’ o terceiro single daquele que será o sucessor de Awareness Songs & Side Stories, lançado em 2018. Intitulado de Enlightened Fool, o disco tem data de lançamento marcada para o final deste ano.

Almost Straight Edge’ é pop punk puro. A bateria super energética e pujante, que nos relembra Travis Barker dos blink-182, marca o ritmo da faixa. Os power chords estão bem presentes nos versos, contribuindo ainda mais para a energia altamente contagiante que os We Bless This Mess nos presenteiam e a dinâmica conseguida nas transições entre os versos e o refrão é êxtase e liberdade no seu estado mais puro.

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