D'ZRT EF
Fotografia: Divulgação

EF 15 anos. Que música ouvíamos em setembro de 2005?

Quando o nome Espalha-Factos foi ouvido pela primeira vez em público, passava pouco depois das 19h do dia 3 de setembro de 2005. Sinal horário no ar na Rádio Boa Nova, Oliveira do Hospital, e, poucos segundos depois, com um separador musicado por Lethal Industry, de Tiësto, começava ali a história do EF, um magazine de 30 minutos sobre música, cinema, rádio e televisão.

Mas, além desta intro panados com pão, que música ouvíamos nós em 2005? Vários elementos do Espalha-Factos juntaram-se para uma playlist colaborativa que diz muito sobre o ambiente musical do início dessa década.

O hip-hop português começava, também à boleia de séries de televisão como Morangos com Açúcar, a tornar-se som habitual nos MP3, iPods e ainda alguns diskmans. Serial e Boss AC surgem à cabeça nesse ano, enquanto os Da Weasel ainda colhiam louros de Re-definições, lançado em 2004, com os singles Re-Tratamento e Força (Uma Página de História). Lá fora, 50 Cent e Eminem davam cartas e Kanye West ainda não era música para todos os ouvidos.

O R&B, que só no ano seguinte viria a assistir ao domínio global do padrão Timbaland, já começava a comandar os downloads ilegais no eMule, no Limewire e no Kazaa, com Mariah Carey a dominar as tabelas, os Black Eyed Peas num auge de popularidade e outros nomes, que viriam a desvanecer, a terem airplay ilimitado. Ciara, Usher, Mario, Pussycat Dolls e Akon andavam por aí. As Destiny’s Child, já em tempo de descontos, ainda tinham fôlego para liderar tops. Rihanna, que o EF apresentou como uma jovem promessa vinda das Barbados, começava a colher simpatias com Pon De Replay.

A pop mais clássica continuava forte. Naquela altura ainda não se viralizava, mas o videoclip de Hung Up, em que Madonna ocupava um estúdio de dança e se refastelava confortavelmente no trono da pop, parecia estar em todo o lado.

Os singles de Gwen Stefani, que em 2004 lançou Love. Angel. Music. Baby., depois de ter feito uma pausa nos No Doubt, passavam uns a seguir aos outros na rádio e na MTV. Hollaback Girl, Cool ou Rich Girl continuam a ser um delírio calórico para os nossos ouvidos. Kelly Clarkson, Shakira e Natasha Bedingfield ocupam também um lugar na história do quinto ano da primeira década do novo século.

E o rock ainda tinha lugar nos tops. Green Day, com American Idiot, um álbum definidor para toda uma geração, Linkin Park, Foo Fighters, The Killers e até os famigerados Nickelback tinham lugar naqueles CDs de Vários que trazíamos no tablier. Ah, e andava por aí, a dar amor aos apaixonados e a animar os discos pedidos, uma banda de rock cristão chamada Lifehouse. A puxar estádios, além dos U2, havia Coldplay e Keane.

O reggaeton, que viria a conhecer um prolongado ocaso nos anos seguintes para, já depois de 2015, ressuscitar e dominar o cenário mundial, andava por aí com Daddy Yankee e a sua inflamável Gasolina, mas também a colar corpos com Obsession, original dos Aventura que ganhou um cover assassino (e não de uma forma positiva) de Frankie J (quem?).

Em Portugal, numa altura em que a música portuguesa ainda não gostava muito dela própria, os D’ZRT foram donos de 25 dos tops semanais de venda de álbuns, num exercício que deve ter sido bem entediante para Isabel Figueira e Francisco Mendes ao leme do Top+, o programa que todas as semanas anunciava os recordistas de vendas na RTP1. Esse ano, no nosso país, ouviram-se também Il Divo, Blasted Mechanism e os Humanos.

Aquela meia-hora, perdida ao fim da tarde de 3 de setembro de 2005, não terá tido muito mais que algumas dezenas de ouvintes. E ainda bem, porque há vozes que só a puberdade pode curar. Poucas semanas depois, a meia-hora foi esticada para uma hora inteira, e depois disso, porque houve por aí quem comentasse o EF à saída da missa, ou a beber copos a seguir ao futebol, tivemos duas horas só para nós. Uma década e meia depois da primeira vez que dissemos boa tarde, agora o tempo é todo nosso.

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