Fotografia: TVI

EF 15 anos. O que andávamos a ver em setembro de 2005?

De antena sintonizada que a série vai começar. Ou a novela. Ou mesmo o filme. Nesta altura, não havia Netflix ou HBO que nos valesse, mas não é por isso que a década anterior não foi de ouro para o grande e para o pequeno ecrã. Uns viam na hora, outros tinham de esperar e fazer gravações à maneira possível. 2005, entre todos os anos, ofereceu-nos alguns dos maiores clássicos que recordamos (ou que ainda estão no ar, 15 anos depois!) com nostalgia.

O ano foi agitado e o ecrã refletiu a criatividade de uma época a que hoje nos referimos como se tivesse sido há séculos – mas foi só há década e meia. O mês de setembro, profecias cristinianas de 2020 à parte, é especialmente produtivo, não fosse a altura da rentrée televisiva, com a chegada de novos conteúdos cá dentro e lá fora. Na altura, o Espalha-Factos estava a nascer como programa de rádio e ainda não nos chateavam por falarmos muito destas coisas, mas nunca é tarde.

Comecemos pelos ecrãs pequeninos das cozinhas portuguesas. Em 2005, o reinado estava do lado da TVI – na altura, setembro já tinha sido ontem também. Segundo a Marktest, que media audiências na altura, dos dez programas mais vistos do mês, oito eram da Quatro (e os outros dois da RTP1). Entre todos, o mais visto foi a novela sensação Ninguém Como Tu. Da autoria de Rui Vilhena, a novela já tinha estreado meses antes, mas mantinha-se no topo do pódio de forma constante, neste mês a marcar, ao 12.º dia, 21.5% de audiência média e 49.1% de share.

Alexandra Lencastre dava vida a Luiza Albuquerque, personagem que era odiada na trama mas amada fora do ecrã pela sua… frescura. E ainda hoje o é, com as imagens e o nome da vilã a dar origem a inúmeros memes pela internet fora. Parece que algumas coisas nunca mudam.

Também a TVI estreava, nesse mês, mais um dos seus muitos e polémicos reality-shows. A primeira recruta da 1.ª Companhia levou vários famosos a viver durante sete semanas como se estivessem na tropa em recruta. José Castelo Branco, Romana, Diana Chaves, ou Alexandre Frota colocaram a televisão em sentido com bons resultados face às concorrentes, mas foi Telmo, ex-concorrente do primeiro Big Brother, que levou a taça oferecida pela apresentadora Júlia Pinheiro, que na altura parecia nunca sair do ecrã do quarto canal.

Neste mês, a TVI obteve 31.4% de share de audiência (com programas como O Prédio do Vasco entre os mais vistos, acredite-se ou não), a SIC 26.1%, a RTP1 23.0% , a 2: (a fase hipster da RTP2) 5.4% e o vídeo e outros canais do cabo 14.1%. 15 anos depois… Bem, já sabemos o que acontece.

Foi Assim que Aconteceu, mesmo

Lá de fora chegaram produtos mais intemporais. Talvez não os tenhamos visto logo, já que esta coisa da internet não tinha a rapidez de hoje. Umas chegaram mais tarde aos canais generalistas, outras no cabo, outras em DVDs; outras, talvez, já circulavam pelos downloads extremamente lentos que começavam a ganhar força, embora esse fosse um luxo a que poucos soubessem aceder (hoje em dia, continuamos a não recomendar que o façam ou prometemos que aquele anúncio da IGAC não vos vai sair da cabeça).

Foi neste mês que estreou Sobrenatural. 15 anos depois, a série ainda está no ar e vai agora para os últimos episódios de sempre. As aventuras dos irmãos Winchester a combater as forças do oculto tornaram-se numa das séries mais populares de sempre e passaram por cá, mais tarde, na RTP2.

O mês parece ter sido particularmente assombrado, já que, dias mais tarde, estreava na CBS o melodrama de Ghost Whisperer (conhecida em Portugal como Entre Vidas ou Em Contacto). Enquanto a Melinda de Jennifer Love Hewitt falava com fantasmas, a Dr.ª Temperance Brennan de Emily Deschanel (a irmã da outra) já andava a falar com outro tipo de mortos em Bones, também estreada em setembro.

Mas o mês tem outro grande marco nas estreias, um que ainda hoje continua nas bocas do mundo. Quando How I Met Your Mother – ou Foi Assim Que Aconteceu – começou em setembro de 2005, ninguém adivinhava o final que 2014 ia trazer para a série, que continua a ser tabu para os maiores fãs.

How I Met Your Mother
Fotografia: Divulgação

Séries como O Meu Nome é EarlMentes Criminosas ou Todos Odeiam o Chris estrearam todas nesta altura, ano que se estabelece como fornecedor de alguns dos melhores e mais consumidos produtos de entretimento das últimas décadas.

Um mês cheio de estreias no cinema

O nono mês de 2005 foi bastante diferente do de 2020 no que toca a estreias nos cinemas internacionais. Não fosse o facto de na altura não haver uma pandemia global a obrigar-nos a ficar em casa. Setembro foi de estreias, com muitos dos filmes que nos habituamos a ver na pilha de DVDs na casa dos pais ao longo dos anos a ser lançados.

O clássico de animação de Tim BurtonA Noiva Cadáver, impressionava pela mestria no stop-motion e tornava-se, quase instantaneamente, num produto para a História. Para os mais novos, Oliver Twist também ia para os ecrãs, numa nova versão, com um protagonista de quem nunca mais ouvimos falar.

Noutro registo, (O Segredo de) Brokeback Mountain causou polémica e partiu corações, mas também partiu tabus. Foi banido por uns e amado por outros, levando elogios da crítica e inúmeros prémios, ao trazer para as massas uma história de amor homossexual numa época em que os direitos LGBTQ+ ainda tinham um longo caminho a percorrer (e que continuam a ter).

O mês era dos dramas: FlightplanA History of Violence ou North Country estreavam todos em 2005 e faziam fileira para serem depois oferecidos por jornais nos meses de verão dos anos seguintes.

Há 15 anos, a par de novelas, filmes e séries, nascia também o Espalha-Factos, como um programa de rádio numa emissora em Oliveira do Hospital. Década e meia depois, viemos para a internet algures pelo meio e reinventamo-nos algumas vezes; hoje, trazemos o ecrã até ti, com as histórias sempre em grande plano. Vira o DVD e passa o mesmo, não há streaming que nos contenha – queremos ser assim, brilhantes e a rodar nos vossos computadores com as notícias que importam. Corta!

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