A Vida Dura Muito Pouco
A Vida Dura Muito Pouco – Celebrando a Obra de José Pinhal | Fonte: IndieLisboa

IndieLisboa 2020: A ode triunfal de Dinis Leal Machado ao romântico “desconhecido” José Pinhal

O Espalha-Factos esteve presente na estreia do documentário A Vida Dura Muito Pouco – Celebrando a Obra de José Pinhal, realizado por Dinis Leal Machado. A estreia ocorreu esta sexta-feira (28), estando a curta-metragem inserida na secção IndieMusic, da 17.º edição do IndieLisboa.

Quem é José Pinhal? Poderia começar este texto a falar sobre quem é o cantor português que faleceu no início da década de 90 e se encontra retratado no documentário A Vida Dura Muito Pouco, intitulado com o nome de uma das faixas do cantor e produzido pela pawkpawkpawk, mas começo a relatar sobre a sensação de descobrir um novo artista que imediatamente nos contagia a mente. Há poucas sensações como esta. Não se esquece a primeira vez que ouvimos um artista que imediatamente nos toca e nos leva a querer descobrir mais.

Um documentário marcante e muitíssimo bem estruturado

Antes de entrar para a sessão, não conhecia o nome de José Pinhal. Não sabia absolutamente nada deste artista português nem nunca tinha ouvido nenhuma das suas músicas. Saí da sessão com uma vontade enorme de descobrir mais. Imagino que não tinha sido o único naquela sala que tenha sentido isto e, com todas as certezas, não fui o primeiro. O documentário possui vários relatos de artistas portugueses e outros conhecedores e fãs da obra de José Pinhal, que partilhavam este sentimento aquando da sua descoberta. O primeiro contacto com a sua música é marcante. Esta transpira uma genuinidade, alegria e paixão pela arte, que consegue transpor múltiplas barreiras temporais que possam existir. É quase impossível não ficarmos contagiados pela vontade de dançar que nos é apresentada na groove destas canções, que nos fazem lembrar os bailaricos das pequenas festas portuguesas.

Apesar dos seus (curtos) 23 minutos, o documentário não tem pouco conteúdo. Bem pelo contrário. Tem conteúdo mais que suficiente para captar, constantemente, o espectador e encontra-se muito bem distribuído pela duração do documentário. A junção dos relatos de várias personalidades da música portuguesa contemporânea, como Luís Severo ou Bruno de Seda, com as conversas levadas a cabo com indivíduos que tiveram contacto direto com José Pinhal, durante a sua carreira, cria uma dinâmica muito interessante. Isto é, ao mesmo tempo que vamos descobrindo um pouco sobre a obra e sobre quem é José Pinhal, vamos também observando o impacto e influência que esta teve nos fãs desde da sua descoberta no início da década de 2000. A narrativa é muitíssimo bem construída e estruturada, fazendo-se notar a paixão do realizador e da produção para com a obra do cantautor português.

A curta-metragem é dedicada não só a José Pinhal, mas também às rádios pirata e aos clubes noturnos dos anos 80. Antes do filme se iniciar, o realizador Dinis Leal Machado dizia que o filme se propunha a “responder à pergunta de quem é José Pinhal” e a “honrar” a sua obra. O objetivo foi bem conseguido.

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Afinal, quem é José Pinhal?

Para terminar este texto, retorno à pergunta com que o texto foi iniciado: quem é José Pinhal? Foi um músico nortenho, nascido em 1952 em Santa Cruz do Bispo, Matosinhos, que infelizmente faleceu de forma trágica em 1993. Um acidente de automóvel terminava a sua vida quando regressava de um concerto. Durante os anos 80, animou as noites nas mais famosas casas noturnas do Porto e lançou três volumes em cassete (em 1984, 1985 e 1991), através da editora Edições Nova Força, de São João da Madeira. A música de José Pinhal e a sua descoberta ao longo dos últimos 20 anos, através do passa-palavra, é a prova da união e da capacidade de criação de comunidade que a música tem.

E em A Vida Dura Muito Pouco, a união é a celebração da música de José Pinhal porque esta merece ser conhecida e dançada por todos. Felizmente, contínua a existir um grupo de pessoas ativas na divulgação da obra do artista, tendo os masters originais sido encontrados recentemente. Desde 2016, os José Pinhal Post-Mortem Experience, constituídos por músicos da editora Favela Disco, dos Equations e Coelho Radioactivo, tem levado a música de José Pinhal um pouco por todo o país. É uma homenagem, com a sua própria interpretação, das músicas que se podem ouvir nos volumes um, dois e três, disponíveis na sua integridade no Youtube.

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