Fotografia: New Line Cinema / DR

“Finish Him!”. 25 anos do primeiro filme ‘Mortal Kombat’

Realizado por Paul WS Anderson, Mortal Kombat foi lançado a 18 de agosto de 1995, nos cinemas norte-americanos. 25 anos depois, o Espalha-Factos recorda este pedaço da cultura pop dos anos 90.

Baseado no controverso videojogo com o mesmo nome, a primeira adaptação cinematográfica arrecadou mais 120 milhões de dólares (mais de 101 milhões de euros) na bilheteira, superando outras adaptações como Street Fighter ou Resident Evil, lançadas na mesma década.

A imprensa especializada arrasou a longa metragem, mas mesmo assim não demoveu os fãs da franquia. Mas como surgiu o interesse em adaptar um jogo das arcadas num filme com um orçamento a rondar os 18 milhões de dólares (cerca de 15 milhões de euros)?

Uma febre que começou nos salões de jogos

O primeiro jogo Mortal Kombat foi desenvolvido pelos estúdios Midway e lançado em 1992. Surgiu como um forte oponente ao domínio de Street Fighter 2, que arrecadava moedas nos salões de jogos um pouco por todo o mundo. Ambos são videojogos de luta, mas Mortal Kombat destacava-se pela violência foto-realista. No momento em que o jogador derrotasse o seu adversário, ouvia-se a fatídica frase Finish Him! (“Acaba com ele”, em português) e, através de uma sequência de movimentos, era possível decapitá-lo ou arrancar a sua espinha dorsal do corpo. Mal acabasse esse ato bárbaro, o jogador seria brindado com a frase “Fatality!”.

Num período em que os salões de jogos eram frequentados por crianças pré-adolescentes e adolescentes, a violência de Mortal Kombat gerou controvérsia e tornar-se-ia num assunto de debate no congresso norte-americano. Em 1993, o senador Joe Liberman chega mesmo a ameaçar banir os videojogos nos Estados Unidos. No entanto, a indústria norte-americana de videojogos acabou por criar um sistema de classificação conhecido como Entertainment Software Ratings Board (ERSB), com o intuito de informar o consumidor sobre o tipo de conteúdos presentes no videojogo, através das informações descritas na embalagem.

O tiro no escuro que ninguém acreditava

Larry Kasanoff, assumidamente fã de Mortal Combat, cujo trabalho anterior de produção tinha sido com Exterminador Implacável 2, teve uma reunião com um representante da Midway e tentou convencer que a franquia tinha possibilidade de se expandir para além do videojogo. “Isto é Star Wars misturado com Enter the Dragon. Este não é apenas um jogo de arcade [mas sim] um fenómeno completo”, recorda o produtor num artigo do Hollywood Reporter.

Foram precisos três meses para Larry Kasanoff convencer a Midway para avançar com o projeto. É preciso contextualizar que as adaptações cinematográficas não eram sinónimo de êxito. Os filmes Double Dragon e Super Mario Bros tinham sido um fracasso na bilheteira, por isso adaptar Mortal Kombat numa longa metragem seria um risco.

O realizador escolhido foi Paul WS Anderson e os criadores do videojogo entravam em constante disputa com os argumentistas devido ao tom dado a certas personagens. “Eu lembro-me que, no início, [o Raiden] era muito cómico. Estava a debitar piadas e recordo-me de dizer: ‘ele não é um palhaço! Ele tem de ser levado a sério!’. Não escrevemos o guião, mas lemos e enviamos notas aos argumentistas”, recorda Ed Boon, co-criador de Mortal Kombat.

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Os atores que deram vida às personagens

De acordo com Ed Boon, antes do papel ter ido para Christopher Lambert, a personagem Raiden chegou a ser equacionada para Danny Glover e até Sean Connery.

Uma notável alteração no elenco foi Cameron Diaz. A atriz ainda estava a dar os seus primeiros passos em Hollywood antes de se tornar num nome sonante na indústria. Diaz chegou a fazer treinos de artes marciais, mas acabou por ficar lesionada no pulso. O papel acabaria por ficar para Bridgette Wilson-Sampras.

Robin Shou foi o escolhido para interpretar o protagonista Liu Kang. “Ele começou por ser um duplo de cinema, mas depois tornou-se ator. O facto de ele ter trabalhado com o Jackie Chan foi uma mais valia”, garante o realizador Paul WS Anderson ao Hollywood Reporter.

Para dar vida a Goro, um monstro com aspeto humano, mas com quatro braços, foram necessários entre 14 e 16 marionetista e houve um ligeiro efeito CGI na zona dos lábios, avança também Anderson.

A música orelhuda

Depois da estreia do filme, um sucesso inesperado surgiu sob a forma do disco da banda sonora. Para além da música que acompanhava o filme, que incluía temas de heavy metal e de música electrónica, a faixa Techno Sydrome (Mortal Kombat), dos The Immortals, catapultou o interesse do grande público pelo filme.

No mercado norte-americano, o álbum chegou à platina, tendo vendido mais de um milhão de exemplares. Também foi o primeiro disco de EDM (Electronic Dance Music) nos Estados Unidos a receber essa marca. Em 2011, o disco foi incluído no livro dos recordes do Guinness, edição de Gamer, como o “mais bem sucedido álbum spin-off de videojogo”.

O sucesso deste filme fez com que fosse feita uma sequela chamada Mortal Kombat: Annihilation, em 1997, e duas séries televisivas: Mortal Kombat: Defenders of the RealmMortal Kombat: Conquest, nos anos seguintes. O videojogo continua a estar presente em consolas contemporâneas, sendo o último Mortal Kombat 11, lançado em 2019.

Em abril deste ano, foi lançado um filme animado baseado na personagem Scorpion e há planos para que um filme reboot, desta franquia, estreie mesmo em 2021, com Simon McQuoid como realizador e James Wan como produtor.

 

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