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Robert De Niro enquanto Jake LaMotta, em Raging Bull. Detalhes do poster original do filme, da United Artists.

77 anos de Robert De Niro: cinco personagens inesquecíveis que marcaram a sua carreira

No aniversário do ator norte-americano, criámos uma lista com algumas das suas personagens mais emblemáticas

Robert de Niro, um dos mais emblemáticos atores do mundo ainda no ativo, completa hoje (17) os seus 77 anos. O Espalha-Factos assinala a data relembrando alguns dos seus papéis mais marcantes, parte integrante da história do cinema.

O norte-americano, descendente de italianos – origens que tem, sem dúvida, honrado na sua carreira -, estreou-se verdadeiramente no cinema nos anos 70, momento em que surgiu a sua duradoura colaboração com o cineasta Martin Scorsese.

Com mais de 50 anos de carreira, De Niro, na sua década de estreia, conquistava já um Óscar (para os menos familiarizados, lá chegaremos). O Espalha-Factos juntou cinco personagens inesquecíveis do ator, que hoje não poderíamos imaginar interpretadas por mais ninguém.

1. John “Johnny Boy” Civello

Coppola e Scorsese são os dois grandes nomes quanto a filmes de gangsters ou máfia, o seu próprio subgénero cinematográfico. Mean Streets (1973) é a primeira grande contribuição de Scorsese para o género, e traz consigo os atores Harvey Keitel e Robert De Niro (dupla que voltaremos a mencionar) para os papéis principais do enredo, protagonizando, respetivamente, Charlie e Johnny Boy.

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Robert De Niro enquanto Johnny Boy, em Mean Streets. Também retratado, um poster para o filme, da Warner Bros.

Johnny Boy, um jovem imprudente e endividado por causa do jogo, foi uma das primeiras grandes personagens de De Niro, ainda que secundária, e que lhe valeu, inclusivemente, um prémio da National Society of Film Critics. Quase 25 anos depois da estreia, o filme foi selecionado pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos (uma das mais antigas instituições culturais federais americanas) para conservação no National Film Registry, justificando a escolha do filme pela sua significância cultural, histórica ou estética.

2. Vito Corleone

Vito Corleone é representado por Robert De Niro em apenas um dos filmes do franchise O Padrinho, nomeadamente no segundo: The Godfather Part II (1974). No primeiro filme, a personagem ficou a cargo de Marlon Brando, enquanto De Niro interpreta uma versão mais nova do chefe de uma das mais conhecidas famílias criminosas do mundo do cinema. A atuação de De Niro enquanto Vito Corleone garantiu-lhe o seu primeiro Óscar, para Melhor Ator Secundário, em 1975. Curiosamente, o papel de Vito Corleone é o único que já deu a dois atores diferentes um Óscar pelo mesmo papel (Brando venceu o de Melhor Ator em 1972).

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Vito Corleone, representado por De Niro no segundo filme da trilogia d’O Padrinho. Detalhes do poster original do filme, da Paramount Pictures.

A trilogia de Francis Ford Coppola, inspirada nos livros de autoria de Mario Puzo, segue a vida dos mafiosos Corleone, especificamente a do filho mais novo de Vito, Michael Corleone. Michael é protagonizado por Al Pacino – uma companhia que, dali em diante, De Niro também manteria para a vida (e que também voltaremos a mencionar).

3. Travis Bickle

Taxi Driver é protagonizado por um alegado ex-fuzileiro das Forças Armadas Americanas com visíveis traumas: das insónias, que o levam à profissão que desempenha (taxista de madrugada), à falta de qualquer ambição e à geral disposição revoltada contra tudo o que acontece na sua vida e no mundo que o rodeia. Todos os seus controversos sentimentos contarão para o desfecho do filme, tão violento para a altura que quase não conseguia assegurar a classificação(restrito).

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Travis Bickle, protagonizado por De Niro, em Taxi Driver. À esquerda, o poster do filme, da autoria de Guy Peellaert.

A obra de 1976 de Martin Scorsese tem Robert De Niro no papel de Travis, assim como a escolha controversa de Jodie Foster, na altura com apenas 13 anos de idade, para representar Iris, uma prostituta pela qual Travis ganha interesse no decorrer da ação. O elenco conta também com Cybill Shepherd, a inicial obsessão de Travis, Betsy, e ainda com o amigo de Scorsese e seu colega de carteira na escola, Harvey Keitel, que interpreta Sport, um dealer e proxeneta com que Travis entra em conflito.

Polemicamente, e a título de curiosidade, John Hinckley Jr, que tentou assassinar o Presidente norte-americano Ronald Reagan no início da década de 1980 – alegadamente para impressionar Jodie Foster, por quem era obcecado -, disse ter-se inspirado em Taxi Driver, inclusive imitando traços físicos de Travis Bickle. O filme foi até mostrado como defesa do arguido pelo seu advogado.

4. Jake LaMotta

Foi esta a brilhante atuação de Robert De Niro que lhe valeu o merecido (e esperado) Óscar de Melhor Ator. Em Raging Bull (1980), De Niro é Jake LaMotta, um lutador de boxe com problemas de raiva que, eventualmente, levam à destruição das suas relações familiares. Alegadamente, a ideia que fez nascer o filme veio de De Niro, que leu a autobiografia do desportista enquanto trabalhava num outro filme. Terá sido o ator a sugerir a Scorsese que pegasse no projeto – que o fez, embora com algumas reticências.

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Robert De Niro enquanto Jake LaMotta, em Raging Bull. Detalhes do poster original do filme, da United Artists.

Raging Bull é um filme biográfico dirigido por Scorsese. Para representar LaMotta, De Niro teve de ganhar cerca de 30 quilos. A obra de Scorsese foi a primeira a ser selecionada para o National Film Registry, ainda antes de obras como Mean Streets (já referida), no primeiro ano de elegibilidade. Aclamado pela crítica, Raging Bull é considerado a magnum opus de Scorsese, e que contém uma das melhores atuações de sempre, a cargo de De Niro.

5. Jimmy Conway

Henry Hill, Jimmy Conway e Tommy DeVito: estes três Goodfellas (1990) são mais uma demonstração de como os filmes sobre gangsters renderam no século passado. Ray Liotta, De Niro e Joe Pesci protagonizam, respetivamente, os três mafiosos, num filme que conta a sua ascensão e queda.

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James “Jimmy” Burke é o mafioso que deu origem ao papel de Jimmy Conway, protagonizado por De Niro em Goodfellas. Poster do filme, pela Warner Bros.

O filme, baseado num livro de não-ficção, tem um tom biográfico, inspirado em pessoas reais: Henry Hill, um italo-americano, pertencente à família mafiosa Lucchese (uma das cinco famílias envolvidas no crime organizado em Nova Iorque), e os seus dois amigos, James “Jimmy” Burke e Tommy DeSimone. A longa-metragem valeu a Scorsese várias indicações (e vitórias) a prémios como os Óscares ou os BAFTA, e Goodfellas também está no arquivo do National Film Registry.

E no século XXI?

Não há um consenso quanto às razões pelas quais todas as melhores personagens de Robert De Niro parecem ter surgido em filmes feitos nas últimas décadas do século XX – e, não sendo a lista acima de todo exaustiva, sugere-se qualquer um dos filmes que protagonizou -, normalmente em filmes de Martin Scorsese. O decréscimo de filmes dos dois lançados nas últimas duas décadas é evidente, nomeadamente dada a idade de ambos, mas também, talvez, pelas mudanças radicais que a indústria cinematográfica tem passado – sendo Scorsese um ávido crítico das mesmas.

Menção honrosa para Frank Sheeran

O trabalho mais recente de De Niro (sem contar com a participação em Joker), digno de pertencer a esta lista, foi a sua mais recente performance no papel de Frank Sheeran em The Irishman (2019), que protagonizou ao lado dos seus amigos de longa data, Al Pacino e JoePesci Jimmy Hoffa e Russel Bufalino no filme, respetivamente -, num filme para a Netflix realizado, como seria de esperar, por Scorsese.

Sem fugir ao género que os tornou célebres, The Irishman é um retorno e uma homenagem aos gangster movies, também biográfico, baseada na história real do assassinato do líder sindical Jimmy Hoffa, confessado pelo também sindicalista Frank Sheeran, momentos antes da sua morte em 2003. O filme promete ficar na história, em parte, pelas personagens interpretadas por De Niro, bem como por Al Pacino e Pesci.

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