Alfred Hitchcock: 121 anos de um dos maiores perfeccionistas da história do Cinema

Alfred Hitchcock, um dos realizadores britânicos mais prolíficos da sua época completaria, a 13 de agosto, 121 anos. O “Mestre do Suspense”, como é carinhosamente apelidado, realizou mais de 50 filmes ao longo da sua carreira, incluindo alguns dos mais louvados da história do Cinema, como North by Northwest (1954), Rear Window (1954) Vertigo (1958), The Birds (1963), e Psycho (1960). Alfred Hitchcock é considerado um dos realizadores mais perfeccionistas de sempre, a par de Stanley Kubrick e David Fincher.

Um talento intercontinental

Alfred Hitchcock nasceu em Londres, em 1899, e foi aí que começou a trabalhar na indústria cinematográfica. Em 1919, conseguiu um emprego enquanto designer do texto que aparecia entre as cenas nos filmes mudos. Não durou muito até realizar o seu primeiro filme: The Pleasure Garden ganhou asas em 1925 e, dois anos depois, veio o seu primeiro grande sucesso, The Lodger: A Story of the London Fog que, ainda hoje, é considerado uma peça fulcral no desenvolvimento do thriller enquanto género cinematográfico.

Em 1939, foi recebido em Hollywood com um contrato de sete anos. Nessa altura, a sua carreira já corria à velocidade da luz – as suas produções eram grandiosamente elogiados pela crítica e público geral. Sob a alçada de Hollywood, acabou por desenvolver ainda mais o estilo Hitchcockiano altamente voyeurista, caracterizado pelo uso da câmara que pretendia imitar o movimento do olhar e para incutir ansiedade no espetador.

Os anos 1950 e 1960 são caracterizados como o auge da carreira de Hitchcock, preenchidos por filmes que, hoje, são uns dos maiores clássicos. Rear Window Psycho mereceram-lhe a nomeação de Melhor Realizador nos Óscares e Vertigo é considerado o Melhor Filme da História pelo Instituto de Cinema Britânico.

Alfred Hitchcock | Fonte: Wikimedia

Um dos maiores perfeccionistas da história do Cinema

Hitchcock era conhecido pela sua intransigência por trás das câmaras. Era um verdadeiro perfeccionista, não tendo problema em refazer uma cena centenas de vezes para que ficasse absolutamente da maneira como queria. Um dos exemplos mais gritantes do seu perfeccionismo está em Psycho, um dos filmes mais conhecidos do realizador, inspirado no romance do mesmo título, escrito por Robert Bloch. O thriller, que contém uma cena de assassinato completamente fora do comum na altura em que foi lançado, acabou por se tornar numa referência para uma nova onda de filmes de terror.

A cena do chuveiro

“A cena do chuveiro”, de Psycho, é uma das mais estudadas da história por todo o empenho dedicado à sua construção. O documentário 78/52 (que se refere aos 78 set ups da câmara e aos 58 cortes da cena), realizado por Alexandre O. Phillipe, é dedicado a essa cena, pretendendo explorar todos os detalhes. A verdade é que a grande motivação para a realização de Psycho foi precisamente o assassinato na casa de banho. “Acho o assassinato no chuveiro vindo do nada. Foi isso!”, foi o que Hitchcock respondeu quando o realizador francês François Truffaut interrogou sobre o porquê de Psycho.

Para atingir a cena ideal, Hitchcock quebrou várias “regras” da gramática cinematográfica ao utilizar vários jump cuts, mais de 180 cortes no processo de filmagens e ao filmar cenas ao contrário, para revertê-las de modo a produzir uma sensação mais realista no espetador. A música utilizada na cena, The Murder, composta por Bernard Herrman, foi meticulosamente pensada para acompanhar cada movimento da faca e cada corte na imagem, acabando por intensificar a cena.

Ao todo, esta cena de aproximadamente quatro minutos demorou sete dias a ser filmada, e o resultado não poderia ser mais aterrador – exatamente o que Alfred Hitchcock pretendia.

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