Facebook reforça a sua política contra o discurso de ódio

Rede social vai banir utilizadores que disseminem conteúdos racistas ou discriminatórios

A rede social Facebook anunciou, esta terça-feira (11 de agosto), o reforço da política contra o discurso de ódio e determinou que irá banir os utilizadores que publiquem caricaturas de rostos pintados de negro (blackfaces) ou afirmações antissemitas e conspirativas contra a comunidade judaica.
O número de publicações deste género duplicaram no segundo semestre de 2020.

“Esse tipo de conteúdo sempre foi contra o espírito das nossas políticas de discurso”, disse Monika Bickert, chefe de gestão de políticas do Facebook, que admitiu, porém, dificuldades no processo de revisão das publicações feitas. Note-se que a rede social tem mais de três mil milhões de perfis.

“Pode ser difícil para os nossos analistas de conteúdo ao redor do mundo identificarem discurso de ódio sem estes exemplos explícitos”, acrescentou a responsável da empresa norte-americana.

No anúncio da atualização dos termos de utilização, o Facebook considerou que publicações racistas e discriminatórias “criam um ambiente de intimidação” e “pode levar à violência no mundo real em alguns casos”.
Assim, declarações antissemitas e ‘blackfaces’ na plataforma digital podem, agora, justificar o banimento dos utilizadores que as façam e a inerente eliminação das publicações.

“Progredimos no combate ao ódio nas nossas aplicações, mas sabemos que temos mais a fazer para garantir que todos se sintam confortáveis ao usar os nossos serviços”, escreveu Guy Rosen, vice-presidente do departamento de integridade do Facebook.

Publicações racistas duplicaram

O aparente ‘apertar do cerco’ do Facebook à proliferação do racismo e da descriminação racial surge após a retirada de mais de 22 milhões de publicações da plataforma digital, entre abril, maio e junho, pois violavam as normas da própria política contra o discurso de ódio.

Este número mais que duplicou em comparação com os primeiros três meses deste ano. Entre janeiro e março, a equipa de analistas de conteúdos do Facebook tinha procedido à remoção de 9,6 milhões de publicações.
A empresa norte-americana avançou também que eliminou, no segundo trimestre de 2020, sete milhões de posts que continham informações “incorretas e prejudiciais” relativas à pandemia da Covid-19.

O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, já havia dito que o “objetivo é identificar [o discurso de ódio] antes mesmo que alguém o veja na plataforma” através de “sistemas de inteligência artificial” implementados e do “trabalho de dezenas de milhares de pessoas na segurança e proteção”.

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