Media Capital
Fotografia: Divulgação

Cofina oferece 35 milhões pela totalidade do capital da dona da TVI

Se a história do negócio da aquisição da Media Capital por parte da Cofina fosse uma telenovela, seria daquelas com várias temporadas. Depois de ter desistido do negócio, a holding detentora do Correio da Manhã volta à mesa das negociações para comprar a totalidade do capital da empresa que detém marcas como a TVI e a Rádio Comercial.

A oferta pública de aquisição (OPA), anunciada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), terá um valor de 41,5 cêntimos por ação. Uma oferta, contudo, dividida em duas partes.

É indicado, no documento da “alteração ao anúncio preliminar” da OPA, que em primeiro lugar“, a oferta vai ser dirigida a 5,31% das ações da Media Capital que estão nas mãos de pequenos acionistas e do banco galego ABANCA, que detém 5,05% do capital da empresa.

Esta primeira parte da oferta fica sujeita a duas condições: “o registo da oferta pela CMVM” e a designação, pelo regulador, de “um auditor independente para o cálculo da contrapartida da oferta“.

A segunda parte da oferta será dirigida aos restantes 94,69% da empresa, que são detidos em 64,47% pela Vortix, do grupo espanhol Prisa, e em 30,22% pela Pluris Investments, de Mário Ferreira. O dono da Douro Azul adquiriu a sua participação há poucos meses, na sequência da primeira OPA, falhada, da Cofina.

Neste caso, além das condições mencionadas anteriormente, o auditor terá de fixar um valor por ação que não seja superior aos 41,5 cêntimos, o que significa que o valor total do negócio não irá além dos 35 milhões de euros pela aquisição de 84 milhões, 513 mil e 180 ações. Este valor está em linha com aquele que foi oferecido por Mário Ferreira, que deu 41,1 cêntimos por ação para adquirir os 30% que atualmente detém, e contrasta com o valor, em torno de 200 milhões de euros, que era oferecido pela dona do Correio da Manhã na primeira tentativa de aquisição.

Para que a oferta aconteça nestes termos, será ainda necessário que a Cofina fique proprietária de mais de 50% da Media Capital e que a estrutura dos ativos TVI, Plural Entertainment Portugal, Plural Entertainment España e Media Capital Rádios não sofra alterações significativas.

Porque é que o negócio tem tantos avanços e recuos?

Esta nova oferta acontece depois de, em março, a Cofina ter falhado a primeira tentativa de compra da Media Capital. Na altura, a justificação para o cancelamento do negócio, que consistia na aquisição de 94,69% do capital, esteve no insucesso do aumento de capital que era necessário para concluir o negócio, mas também com a alteração de condições no mercado, decorrente da pandemia de Covid-19.

Essa desistência acabou por gerar uma situação de tensão com a Prisa, acionista maioritária e há vários anos vendedora, mas também com a CMVM. A 25 de março, a Cofina pediu ao regulador para extinguir a OPA sobre os restantes 5,31% da Media Capital, a um preço de 2,3336 euros por ação, algo a que a CMVM não anuiu.

Agora, ao rever e alterar a oferta, a Cofina escapa às condições que fixou anteriormente, propondo novas condições para ficar não com 5,31% das ações, mas antes com a totalidade delas.

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