Catarina Furtado

Catarina Furtado garante que nunca quis ser diretora de um canal de televisão

"Para quê? Para ter o poder e chamarem-me de diretora?"

Catarina Furtado revelou, em entrevista ao semanário Expresso, que nunca teve a ambição de chegar a diretora de um canal de televisão. A apresentadora garante ainda que “odiaria” apresentar um programa com o seu nome, mas não descarta “fazer manhãs e tardes”.

“Nunca tive ambição de ser diretora de um canal. Já fui, em tempos, semiabordada para isso e não é de todo uma ambição minha… Para quê? Para ter o poder e chamarem-me de diretora?”, explica, sem deixar, contudo, de tirar o chapéu “a todos os diretores das estações, porque sei que não é fácil”.

Quando questionada acerca da possibilidade, hipotética, em apresentar um programa com o seu nome, tal qual o Programa da Cristina, a apresentadora assegura, “odiaria ter um programa com o meu nome”. Relembrando que já apresentou, na SIC, o programa Catarina.com, a apelidada “namoradinha de Portugal” afirma que “não queria” ver o seu nome associado ao programa. “Os diretores entenderam assim, na altura foi o Manuel Fonseca, e eu não percebia porque é que eu tinha de ter um programa com o meu nome”, completa.

Catarina Furtado
Catarina Furtado no programa da RTP ‘Príncipes do Nada’

No entanto, a comunicadora não deixa de salvaguardar que achou “lindamente a ‘casa’ da Cristina [Ferreira] e da Júlia [Pinheiro]”. Confessando que não se imagina num formato homólogo, Catarina Furtado revela ainda que não descarta a apresentação de formatos de daytime. “Podia fazer manhãs e tardes”, afirma. Uma revelação que surge num momento em que é aguardada a designação, pela SIC, do próximo nome a comandar as manhãs do canal.

Reality-shows “não propõem nada de muito interessante para a sociedade”

Admitindo alguma frustração no que diz respeito aos formatos televisivos atuais, Catarina Furtado assume que pode ter algum preconceito relativamente a reality-shows, mas explica que tem “imensa pena” que estes “sejam sempre esta coisa de diminuírem um pouco o telespectador”. Explica que o que não gosta nestes formatos “é que não propõem nada de muito interessante para a sociedade, para um pensamento. Pelo contrário, às vezes sublinham preconceitos, perpetuam estereótipos. Aquilo é mentira, é falso”, remata.

A apresentadora dá o exemplo do programa As Idades da Inocência, que apresentou na RTP. No formato de doc-reality, “as pessoas reais estavam lá. Os meninos eram reais, os idosos eram reais e nós efetivamente não manipulávamos nada. Só pusemos as câmaras a funcionar”. O propósito passa por “um final que mude vidas“.

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É tudo tão forte. O que eles vivem. O que eles sentem. O que eu vejo e o que eu sinto, evidentemente nada comparável, ao que eles são obrigados a passar! Por falta de vontade de quem pode criar as condições humanas para que estas pessoas, refugiadas, crianças, jovens e adultos tenham os mesmos privilégios ( direitos!!!!) que nós!!! Hoje às 21h na RTP passa mais episódio da minha série Príncipes do Nada, com uma reportagem em Atenas, Grécia, sobre um pai que tudo faz para pintar com um tons mais bonitos, para os seus dois filhos, a realidade deste terrível mundo. Fomos também ao Uganda perceber como é possível evitar que uma mulher morra ao dar à luz! Uma das maiores contradições a que tenho assistido!! Estamos [email protected] logo à noite em frente ao ecran? Obrigada! #principesdonada #ateaofimdomundo #minhamissaodevida @embaixadoradeboavontadedounfpa @unfpa @jrseurope @rtppt @rtpplay

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“Aprendi que é um exercício difícil gerar empatia em todos telespectadores”

Atualmente à frente do programa Príncipes do Nada, que começou há 14 anos, a também Embaixadora da Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População revela que “há material profundamente duro” que prefere não mostrar aos telespectadores do formato. A apresentadora fala em “pessoas desesperadas a um ponto incontrolável”, que procura proteger dos olhares das câmaras.

Catarina Furtado aproveita ainda para reforçar que “estes refugiados não querem vir para fazerem de parasitas em Portugal e ficarem com os rendimentos da Segurança Social ou do Estado. É mentira. Basta fazerem uma pesquisa séria para perceberem o que é que os imigrantes e refugiados contribuíram para os cofres do país. É uma muito maior fatia do que aquilo de que beneficiam. Considerando estarmos a passar “por um período altamente perigoso”, a cara da RTP pede uma “corrente bastante mais humanista” para se combaterem “estes movimentos populistas, estas ideias xenófobas, não inclusivas, racistas”.

Príncipes do Nada encontra-se atualmente em exibição, às terças a seguir ao Telejornal, na RTP1.

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