Entrevista a Marco Horácio: “Sente-se uma energia muito positiva na TVI”

Marco Horácio está de regresso aos ecrãs da TVI já no domingo, dia 9 de agosto. Boom! é o formato que substituirá Big Brother nos serões de domingo da TVI. O Espalha-Factos esteve à conversa com o apresentador.

Vindo da SIC, Marco Horácio mudou-se para a TVI no início do ano. De cedo, o ator que se tornou apresentador — como se descreve — agarrou-se a A Vida Lá Fora, um programa de humor que a TVI ofereceu aos telespectadores durante o Estado de Emergência, quando o confinamento era obrigatório.

Quase a estrear o seu novo projeto na sua nova casa, a TVI, Marco Horácio admitiu estar “entusiasmado” não só com este novo projeto, mas também com o seu trajeto dentro da estação. À conversa com o Espalha-Factos, o apresentador de Boom! confessou que se “sente uma energia muito positiva dentro da TVI” e que todos trabalham em conjunto para colocar o canal “no sítio que merece“.

‘Boom!’ é um concurso de cultura geral que mete os concorrentes à prova num ambiente “explosivo”.
O Boom! é o novo programa da TVI. O que é que podemos esperar desta nova aventura?

O que podemos esperar desta aventura é um programa diferente, um programa de cultura geral, com uma base de entretenimento muito grande, com muito nervo à mistura, muita ansiedade, muita pressão… E da minha parte, as pessoas vão poder ver um bocado daquilo que eu sou, daquilo que eu sou capaz de fazer e espero que este seja o início, ou a continuação de uma aventura muito feliz que eu estou a ter na TVI.

O Boom! é descrito como um formato bombástico e muito entusiasmaste. Mas enquanto apresentador, o que é que realmente o entusiasmou neste formato?

O que me entusiasma e o que me entusiasmou neste projeto, neste formato, é, para já, ser algo grandioso. Depois, estou sozinho à frente na condução deste formato, e depois acima de tudo é ser um programa familiar. Ou seja, eu já disse isto várias vezes, eu gosto muito de fazer formatos que dêem para a familía toda; gosto de pensar que sou um aglotinador de gerações à frente da televisão e este formato tem tudo para juntar miúdos e graúdos à frente da televisão e, portanto, o que me entusiasmou nisto foi não só o ritmo alucinante que tem, mas também ser um concurso de cultura geral, e pronto.. Juntar as famílias portuguesas à frente da TVI, que é também cada vez mais o caminho que a TVI quer seguir, quer juntar as pessoas à frente da televisão e fazer da televisão mais um elemento da família, que bem precisamos hoje em dia de estarmos todos juntos e estarmos unidos.

Este é um concurso de cultura geral com várias características “inovadoras” para manter o público agarrado ao ecrã. O programa vai substituir o Big Brother na TVI aos domingos à noite, um horário considerado de grande importância para as televisões portuguesas e que tem sido marcado por várias vitórias da TVI. Mas o que é que faz do Boom! um formato de domingo à noite?

O que faz do Boom um formato de domingo à noite foi porque a TVI assim o quis fazer e assim o pensou. Nós fazemos de forma diferente. É um formato espanhol, o nosso formato é muito mais e tem muito mais entretenimento, lá é diário e aqui tem algumas características mais de programa de noite. Vai substituir o Big Brother na TVI, é verdade, é um horário nobre, é uma responsabilidade muito grande, mas eu estou habituado a lidar com muita responsabilidade. Tenho um filho com catorze anos, portanto estou habituado a lidar com responsabilidade. Mas é diferente, o Big Brother é um reality-show e isto é um concurso de cultura geral, as pessoas vão sair depois de verem o programa a saberem um bocadinho mais do que sabiam até aí e aconteceu isso comigo, mas estou tranquilo em relação a isso. É um formato de domingo à noite de família, portanto, acho que os domingos à noite são sempre ótimos serões para se passar em família.

Numa altura como a que vivemos, acha que fazem falta mais programas como o Boom!? Ou seja, programas mais divertidos?

Sim, nesta altura acho que faz muito sentido termos programas com mais comédia, mais divertidos, com mais ritmo, mais para cima, ou seja, que puxem as pessoas um bocadinho para cima. É um concurso, logo também vamos dar dinheiro, o que as pessoas também precisam hoje em dia, mas faz falta à televisão portuguesa não só estes formatos, que são mais dinâmicos e que apelam a um espírito mais feliz, mas também a comédia. A comédia é fundamental nas nossas vidas, aliás, se vivermos as nossas vidas, as nossas profissões com comédia, é muito mais fácil passar o tempo e é muito mais fácil vivermos a vida.

Marco Horácio estreou-se na TVI com ‘A Vida Lá Fora’, um programa de humor sobre os tempos de confinamento.
Enquanto apresentador, qual é o segredo para construir um programa de televisão cheio de animação? 

Não há muito segredo, eu sou aquilo que sou. As pessoas vão ver-me com a minha verdade, a minha forma de fazer os programas, a minha forma de estar, a minha forma de interagir com os concorrentes, não há aqui grandes segredos. Eu acho que em televisão temos de ser verdadeiros e autênticos e genuínos, e é isso que eu tento cada vez mais ser. Portanto, eu não sou apresentador, não sou um apresentador formal, sou pouco ortodoxo e aqui tenho uma dualidade quer de entertainer quer de apresentador, porque há alturas em que as coisas têm de ter um ar mais sério, porque trata-se de um concurso, há dinheiro em jogo, e tenho também de baixar um bocadinho o ritmo do programa. Mas o segredo, para mim, é ser genuíno. E ser verdadeiro.

E como é que os concorrentes têm reagido ao estarem sob pressão num ambiente tão explosivo?

Os concorrentes têm reagido bem porque houve um trabalho muito importante da TVI e da Endemol a preparar as equipas para este concurso. Porque, como é óbvio, os concorrentes são mais do que 50% do programa. Eles estarem animados, estarem relaxados e estarem divertidos é fundamental para isto resultar. Como é óbvio, há a pressão do jogo, há a pressão da televisão, mas eu também faço o meu trabalho antes e fiz o meu trabalho com eles antes, nos bastidores, e faço, na primeira quase hora de programa, o meu trabalho de os relaxar e brincar com eles, fazer coisas parvas e divertidas, também para os descontrair e estarem preparados depois para tentarem alcançar os 30 mil euros.

O formato original é israelita, mas se houve sítio em que o programa foi explosivo foi em Espanha. As gravações decorreram em Espanha e, em conversa com a Mónica Jardim no A Tarde é Sua, o Marco afirmou que fizeram um “Boom à portuguesa”. Quais são as principais mudanças que podemos esperar entre as versões de cada país e a nossa?

As principais mudanças que nós fizemos em relação a Espanha é que em Espanha isto já está muito formatado, ou seja, eles fazem isto há seis anos e isto já é uma espécie de Preço Certo de lá. E eles fazem isto quase que em ritmo de fábrica, porque é uma equipa que está muito oleada, portanto é chegar lá e gravar. Nós, como quisemos dar o toque português, fizemos um formato à portuguesa, mais leve, mais descontraído, mais para domingo à noite, mais para fim-de-semana, com mais brincadeira, com fotografias, com vídeos, com depoimentos. Portanto, temos aqui uma data de coisas que alterámos à nossa maneira para tornar o programa mais dinâmico e mais divertido para toda a gente em casa.

Quais as expectativas à volta deste programa? Espera-se um “Boom” nas audiências?

Ora bem, as expectativas em relação às audiências, não sei… Eu acho que em relação à TVI as expectativas são imensas e são muitas, é um domingo à noite. Domingo à noite a TVI está a liderar e portanto a ideia é continuar nesta acenda e que o programa consiga, pelo menos, manter as audiências. Eu não crio expectativas em nada na minha vida, porque quando criamos expectativas é mais fácil nós nos magoarmos, desiludirmos e frustrarmo-nos. Eu gosto muito de racionalizar as coisas. É um programa bem feito, com muito ritmo, divertido, interessante de se ver e que vai criar muita ansiedade. Eu acho que as pessoas vão gostar.

Da minha parte, dei tudo, como em tudo o que faço. Dei o meu coração nisto, preparei-me bem para apresentar o programa e estou de coração aberto a fazê-lo. Espero que as pessoas dêem uma oportunidade ao programa e, sobretudo, espero que o público da TVI me dê uma oportunidade de entrar na vida delas, em casa delas e que me dêem essa oportunidade de ver o primeiro, o segundo, o terceiro e de me deixarem fazer parte das suas vidas, porque eu venho da SIC, na TVI tenho todo o público para conquistar e estou aqui com toda a minha humildade, toda a minha força e toda a minha vontade de dar alguma coisa de diferente às pessoas, de animar as pessoas, de trazer um conteúdo diferente e de trazer uma energia diferente para a vida das pessoas. Portanto, o meu trabalho está feito, estou muito satisfeito, a equipa deu tudo, foi uma grande aposta e foi uma grande aposta da TVI, mas agora está nas mãos do público. E espero que o público o receba de braços abertos e que goste e que se divirta como eu me diverti a fazê-lo.

À conversa com Manuel Luís Goucha, o Marco referiu que tinha de “dar outro rumo” à sua vida. Na TVI, já apresentou o A Vida Lá Fora e agora terá o Boom!. Sente que esta mudança para a TVI tem sido aliciante a nível profissional?

Na mudança para a TVI fiz dois projetos num curto espaço de tempo e é isto que um artista quer, é trabalhar, é mostrar trabalho. É poder evoluir criativamente. Estou numa fase criativa muito boa e de facto houve da parte da TVI, da parte do Nuno Santos, uma aposta muito grande em mim, sobretudo a nível de comédia. Ele convidou-me para vir para a TVI para sobretudo fazer comédia e para projetos de comédia. Tenho vários projetos.

Uma coisa que eu digo sempre agora é que sou uma pessoa que penso muito e que crio muitos projetos. Antigamente ficava no portátil, agora não, envio-os todos para a TVI para serem analisados; se faz sentido, se não faz sentido… Porque também temos de ver que vivemos um tempo estranho e que é preciso pensar muito bem o que vamos dar às pessoas. Isto não é só fazer projetos, é também esperar a altura certa para os fazer e dar ao público. Mas, neste momento, para mim, sinto-me muito muito feliz de estar na TVI. Sente-se uma energia muito positiva dentro da TVI, sente-se uma vontade de toda a gente que está na TVI de voltar a pôr o canal no sítio onde merece e sinto uma energia de grupo, de conjunto, de família, de ajudar neste comeback da TVI que vai ser mais cedo do que as pessoas esperam. As pessoas estão todas muito muito motivadas.

A TVI há muito que fala numa mudança. Em que medida é que a sua presença na antena da TVI pode consistir numa mudança para o canal?

Ninguém muda nada sozinho. Eu não posso fazer mudança nenhuma na TVI, como é óbvio. O que eu posso fazer, e o que faço, é ajudar nesta mudança. É um trabalho de equipa. Toda a gente tem de estar focada nesta mudança, temos todos de fazer um esforço suplementar e temos de dar um pouco mais de coração, mas ninguém muda nada sozinho. A única coisa que eu vou mudar na TVI, espero ter essa oportunidade, como estou a ter agora, é o humor, é trazer mais humor à TVI, mais boa-disposição. Trago uma energia própria, minha, o público da TVI não me conhece, ou não me conhece bem, e portanto espero que esta minha energia, esta minha forma de estar, quer na vida quer na profissão, motive as pessoas ainda mais a ver TVI e a outras pessoas que comecem a ver a TVI. Mas lá está, esta mudança parte muito de toda a gente, desta energia, do coração, de verdade, do que pusemos nas coisas que vamos fazer, porque as pessoas querem sentir-se próximas do canal, querem sentir-se próximas dos atores, dos artistas, dos jornalistas… E cabe a nós criarmos esta ponte, entre nós e entre as pessoas. Não criar qualquer tipo de fosso, pelo contrário, mas sim aproximarmo-nos cada vez mais das pessoas. E a televisão tem um papel muito importante nisso e a TVI está a trabalhar para isso, e daí também me sentir tão à vontade na TVI neste momento, pois eu também trabalho sempre para estar próximo do meu público e de partilhar a minha vida e aquilo que faço com o público.

O que é que gostava de fazer em televisão que ainda não teve oportunidade de fazer?

O que eu gostava de fazer em televisão e ainda não tive oportunidade de fazer era um late-night. Adorava fazer um late-night um bocadinho fora-da-caixa, um bocadinho com loucura à mistura, mas é um late-night que me apetece muito fazer, mas como é óbvio eu estou na TVI para trabalhar, para arregaçar as mangas e tudo o que vier e que faça sentido para a TVI para mim fazer e que vai ser uma mais valia, eu estou pronto para ajudar e para fazer.

Boom! é um formato israelita adaptado em vários países. Em Espanha, o programa dura já há seis anos e o grupo vencedor arrecadou mais de 2 milhões de euros. Em Portugal, o novo programa de Marco Horácio tem estreia marcada para domingo (9), depois do episódio especial de Quer o Destino.