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Julianne Moore para o calendário Pirelli 2017

Julianne Moore acha problemático ter interpretado personagem lésbica

A atriz defendeu que é necessária representatividade real na indústria cinematográfica

A atriz Julianne Moore, de 59 anos, considera problemático ter interpretado uma personagem lésbica no filme Os Miúdos Estão Bem (2010). A revelação foi feita à revista Variety numa celebração especial que marcou o aniversário de uma década da produção.

Os Miúdos Estão Bem (2010) foi um dos filmes que marcou a carreira de Julianne Moore, mas ao olhar para trás a atriz admitiu que talvez não aceitasse o papel. O motivo prende-se com a orientação sexual na vida real da própria e de Annette Bening, a atriz com quem contracena.

No ponto de vista de Moore, duas atrizes heterossexuais interpretarem um casal lésbico levanta problemas de representatividade na indústria cinematográfica.

“Não sei se hoje faríamos isso, não sei se nos sentiríamos confortáveis. Precisamos de dar representatividade real às pessoas, mas estou grata por todas as experiências que tive como atriz porque o meu trabalho é comunicar a universalidade da experiência ao mundo.”

Fotografia: Suzanne Tenner – © 2010 Focus Features

Os Miúdos Estão Bem estreou-se em 2010 e conta-nos a história de Nic (Annette Bening) e Jules (Julianne Moore), um casal lésbico com dois filhos, ambos fruto de inseminação artificial. Os quatro formam uma família feliz e equilibrada. Porém, quando os dois jovens decidem que chegou o momento de conhecerem o seu pai biológico, toda a dinâmica familiar se transforma.

Além de ter sido criticado por ter duas atrizes heterossexuais a representar o casal lésbico, o filme também recebeu críticas sobre o enredo aquando da estreia. A personagem de Moore tem um caso com um homem, algo que não deixou os espectadores LGBT felizes. No entanto, o filme é hoje universalmente aceite e aclamado, até pela GLAAD — Gay & Lesbian Alliance Against Defamation.

A produção recebeu várias nomeações para prémios, quatro delas para os Óscares: Melhor Filme do Ano, Melhor Atriz Principal (Annette Bening), Melhor Ator Secundário (Mark Ruffalo), Melhor Argumento Original (Lisa Cholodenko, Stuart Blumberg).

Defensora da igualdade de direitos

Além da participação em filmes representativos, Julianne Moore tornou-se num ícone gay no seio da comunidade LGBT+ pelo seu ativismo. A atriz, muito antes de ser legalizado o casamento gay nos EUA em 2015, trabalhou no vídeo da campanha #IDo, da Lambda Legal, onde dizia: “Continuaremos a lutar até que todos sejamos verdadeiramente iguais”.

Moore defende ainda um futuro sem rótulos. Confessou em entrevista ao The Advocate que anseia pelo dia em que amar alguém não seja um problema, mas uma realidade normal.

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