Produtores do Ellen Show acusados de assédio
Ellen DeGeneres e os produtores do seu programa (Fotografia: EF/Reprodução/DR)

Ellen Show. Produtores acusados de assédio sexual e intimidação

Após ser investigado por acusações de racismo e intimidação no local de trabalho, antigos funcionários do Ellen Show acusam produtores de assédio e de uma conduta sexual abusiva. Em causa, estão ameaças, toques e conversas impróprias.

Vários antigos funcionários do Ellen Show apresentaram novas acusações sobre a cultura tóxica que se vive nos bastidores de um dos programas mais “amáveis” da televisão norte-americana. Os produtores executivos Kevin Leman e Ed Glavin foram acusados de assédio sexual e de uma conduta imprópria e ameaçadora com colegas de trabalho, revela uma investigação feita pela BuzzFeed News publicada esta sexta-feira (31).

Quanto às acusações a Leman, que é também o argumentista principal do programa, um antigo funcionário revelou que lhe foi solicitado que fizesse sexo oral ao produtor na casa de banho de uma festa da empresa, em 2013. Tanto este como outro homem afirmam ter visto Leman a agarrar o pénis de um assistente no local de trabalho.

Outro funcionário revelou ter visto Leman apalpar um assistente de produção no carro, enquanto beijava o pescoço do mesmo homem, em maio de 2017. Quase uma dúzia de outros funcionários acusaram o produtor de fazer comentários sexuais explícitos no escritório.

Kevin Leman acusado de assédio sexual no Ellen Show
Kevin Leman, produtor executivo do Ellen DeGeneres Show (Fotografia: IMDB)

Kevin Leman, produtor executivo e principal argumentista do Ellen Show, escolheria funcionários mais jovens ou em posições iniciais na carreira para este tipo de importunação sexual, pois teriam medo de o confrontar, dizem os antigos trabalhadores. Por se tratar de um programa de comédia, muitas vezes os seus comentários “passavam” como piadas de mau gosto ou sarcasmo.

“Ele provavelmente faria-o à frente de dez pessoas e todos se riam porque ‘ é só o Kevin a ser o Kevin’, mas se estás numa posição de poder numa empresa não podes simplesmente tocar-me dessa forma”, revelou um antigo funcionário à BuzzFeed News.

Kevin Leman nega qualquer acusação e pode haver mais envolvidos

Após as acusações virem a público, Leman negou esta conduta sexual imprópria num comunicado. “Sempre procurei tratar todos da equipa com bondade, inclusão e respeito. Que eu saiba, durante todo o tempo em que estive no programa, nunca tive uma única reclamação inter-pessoal ou aos RH [Recursos Humanos], estou completamente devastado e não posso crer que este tipo de artigo malicioso e enganoso possa ser publicado”, disse, referindo-se à investigação da BuzzFeed.

site de notícias afirma ter falado com 36 antigos funcionários que, independentemente, corroboraram os incidentes de assédio sexual e intimidação de vários produtores de topo.

Além de Leman, Ed Glavin foi também acusado de uma conduta sexual imprópria nos bastidores do Ellen Show. Cinco ex-trabalhadores admitiram ter sido tocados de forma imprópria pelo produtor, abaixo da cintura, ou através de massagens aos ombros e costas. Outros antigos funcionários confirmaram a sua reputação de tocar muito em mulheres na sala de controlo, e de instigar medo.

Glavin também tomava banho no seu escritório, num duche que seria a primeira coisa que se via ao entrar para uma reunião. Muitas vezes, a porta do duche estava aberta, revela um funcionário, que considera isto desconfortável.

Ed Glavin no Ellen Show
Ed Glavin com Ellen no programa. (Fotografia: Ellen Show/DR)

Os funcionários descrevem o local de trabalho como uma “cultura de medo”, onde aceitavam esta conduta com receio do despedimento. “Apesar de estar a ser abusada constantemente, ter o Ed a colocar o braço à minha volta na sala de controlo era como a experiência mais simpática do dia, por muito estranho que isso soe”, disse uma ex-funcionária que revelou sentir, dessa forma, validação e aprovação diretamente do produtor executivo, um dos homens mais poderosos no local de trabalho.

Outros cinco antigos trabalhadores revelam que a intimidação e o medo eram constantes e que Glavin chegou a gritar e a virar uma mesa quando um colega se despediu. Haveria também um botão que o produtor usava para fechar a sua porta remotamente como “táctica de intimidação”. Ed Glavin ainda não comentou qualquer acusação.

Funcionários não conseguiam reportar assédio

Jonathan Norman também foi acusado de comportamentos impróprios por um ex-trabalhador, mas nega estas acusações. O antigo funcionário diz que Norman o tentou conquistar e lhe oferecia várias regalias, como idas a concertos, e que tentou envolver-se em sexo oral com ele.

O co-produtor executivo acusa este homem de ter segundas intenções e malícia contra o programa da manhã. “Eu nunca fiz nada para magoar outro membro do staff”, reitera.

Os ex-funcionários disseram ainda que não havia nenhuma forma confidencial de apresentar queixas e que os produtores seniores pressionavam as pessoas a não consultar os Recursos Humanos da empresa-mãe do programa — a Warner Bros.

Um antigo trabalhador da Warner Bros. revelou que a empresa ignorava estas alegações, pois o programa é muito lucrativo. Além disso, a própria Ellen DeGeneres nem saberá tudo o que se passa no seu programa, dizem funcionários, pois não interage com os colegas e recebe só informação dos produtores executivos.

Ellen Show
Ellen DeGeneres assume uma figura amável no programa. (Foto: DR)

Alegações sobre a conduta de Ellen nos bastidores, e de como os funcionários se devem comportar com a estrela já haviam sido reveladas numa primeira investigação sobre a cultura racista no ambiente de trabalho, que mostrava também más condições de trabalho a que a equipa foi sujeita durante a pandemia. Estavam em causa insultos, ameaças, cortes nos salários e má comunicação com a equipa, que estão a ser investigadas por uma equipa externa.

Quanto às primeiras revelações, Ellen tinha reagido na quinta-feira (30) numa carta em que pediu desculpa e assumiu a responsabilidade por ser a cara do programa, que descreveu como um lugar de “felicidade” e “respeito”.

“Demorou demasiado, mas estamos finalmente a ter conversas sobre justiça. Todos temos de prestar mais atenção à forma como as nossas palavras e ações afetam os outros, e estou feliz por estes assuntos no nosso programa terem sido trazidos à minha atenção. Prometo que vou fazer a minha parte em continuar a puxar por mim e por todos à linha volta a aprender e crescer. É importante para mim e para a Warner Bros. que todos que tenham algo a dizer possam falar e se sintam seguros a fazê-lo”, lê-se na carta.

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