la casa de papel
Fotografia: Netflix/Divulgação

‘La Casa de Papel’. O que esperar da quinta e última temporada

Depois de quatro partes a fazer sucesso global, a Netflix confirmou que a série teria mais para oferecer aos fãs dos assaltantes mais famosos do mundo. Com a quinta temporada de La Casa de Papel a avançar, surgem as primeiras informações sobre aquele que é o último capítulo da história do atraco.

Inicialmente apontavam-se mais duas temporadas. A Entertainment Weekly (EW) revelou em exclusivo que, afinal, a quinta parte será a última da história. A última parte da série traz novidades, uma delas muito aguardada pelos (muitos) fãs portugueses: depois da assaltante Lisboa entrar em cena na terceira temporada, a quinta terá partes da trama gravadas em Portugal.

O país já tinha sido mencionado diversas vezes ao longo da série, com uma bandeira portuguesa a figurar nas cenas do escape na terceira temporada e a menção às águas nacionais. Na primeira temporada, inclusive, um dos episódios – o quinto – iniciou-se ao som do fado Boémio e Vadio, cantado por Piedade Fernandes.

La Casa de Papel
A bandeira portuguesa no início da terceira temporada. | Fotografia: Reprodução/Netflix

Para além do assalto

O final da quarta parte de La Casa de Papel deixou, uma vez mais, a trama no limbo – spoiler alert. As peripécias com as autoridades adensaram-se e o plano para salvar Rio (Miguel Herrán) acabou por custar a vida de Nairóbi (Alba Flores). Depois da ‘declaração de guerra’ do gangue à polícia espanhola, o Professor acabou por ser encontrado por Alicia Sierra (Najwa Nimri), a ex-inspetora que os procurava.

A aventura passa, agora, para lá do assalto no Banco de Espanha (do qual ainda não saíram) e entra num novo caminho. A sede de vingança pela morte de Nairobi e pelas outras perdas mistura-se com a raiva perante o sistema e leva os assaltantes a novas aventuras para atar as pontas que precisam de o ser.

Numa entrevista à EW, o criador da série, Álex Pina, revela que a história se move de “um jogo de xadrez – um jogo mais intelectual – para uma estratégia de guerra: ataque e contenção“. Segundo Pina, a última temporada é “a mais épica das partes que já gravamos“, mantendo a ação no auge da adrenalina. Elemento esse que é, aliás, “parte do ADN de La Casa de Papel”, acrescenta o criador.

A cada trinta segundos coisas acontecem e perturbam os personagens, um ponto de viragem na ação. A adrenalina misturada com os sentimentos que surgem de personagens absolutamente complexos, magnéticos e imprevisíveis vai continuar até ao fim do assalto“, explica Álex Pina.

As coisas, porém, vão complicar-se na etapa final. O grupo de assaltantes “vai ser empurrado para situações irreversíveis, para dentro de uma guerra selvagem: é a mais épica das partes que já gravamos“, completa.

As histórias ainda por contar

Álex Pina revelou que há personagens que ainda têm mais para mostrar nesta quinta parte. Além do aguardado impasse entre o Professor e a inspetora Sierra, que deixa no ar possíveis e distintas motivações por trás da procura da cabeça do grupo, também vai ser possível conhecer melhor a história de Manila (Belén Cuesta), amiga de infância de Denver.

A história que mais tem dado que falar é, no entanto, a de Berlim (Pedro Alonso). Depois de morrer na segunda parte, a terceira e a quarta mostraram outro lado do personagem que polariza espectadores através de flashbacks aos últimos meses de vida de Berlim. Em julho, o ator que dá vida a um dos personagens mais acarinhados da série anunciou no seu Instagram que o personagem regressa nos novos episódios: “Acabei de cortar o cabelo e experimentar as roupas. Dentro de pouco tempo voltarei a ser ele. Chama-se Berlim e é puro amor”.

Novas caras que vão dar que fazer ao gangue

O gangue do Professor vai receber novos inimigos – pelo menos assim parece. Os atores Miguel Ángel Silvestre e Patrick Criado estão confirmados no elenco principal, mas o papel das novas adições face à história por terminar está ainda por descobrir.

Miguel Ángel Silvestre é conhecido pela participação como Lito em Sense8, outra série de sucesso da Netflix. Na plataforma participou ainda em vários episódios de Narcos, no papel de Franklin Jurado. Já Patrick Criado é menos conhecido do público internacional, mas já participou em diversas produções da televisão espanhola, entre as quais as séries Mar de Plastico, do canal Antena 3, ou Antidisturbios, da Movistar+.

La Casa de Papel
Miguel Ángel Silvestre e Patrick Criado são as novas estrelas de ‘La Casa de Papel’ | Fotografia: EF via D.R./Netflix

Álex Pina, apesar de não revelar pormenores sobre como estes novos personagens vão fazer parte da história, explicou à EW o objetivo das adições. “Tentamos sempre que os rivais sejam carismáticos, inteligentes, brilhantes“, explica. “Neste caso, em que vamos ter um autêntico filme de guerra, procurámos também personagens cuja inteligência pudesse enfrentar a do Professor“, acrescenta o criador da trama.

O sucesso global não travou nas primeiras partes

La Casa de Papel tornou-se um fenómeno inesperado. Depois da estreia original no canal espanhol Antena 3, a série foi pescada pela Netflix, que levou a história do atraco para o resto do mundo. O serviço de streaming assumiu a produção a partir da terceira parte, levando a história a bater recordes entre as produções em língua não-inglesa e, também, entre todas as da plataforma.

A série tornou-se uma das mais populares de sempre, dentro e fora da Netflix, em todo o mundo. Aquando da estreia da terceira parte, em 2019, o drama espanhol foi visto por mais de 34 milhões de contas do serviço nos primeiros sete dias em exibição, a melhor primeira semana para uma série da Netflix em língua não-inglesa; quebrou também o recorde da série original da plataforma de streaming mais vista de sempre em qualquer idioma (incluindo inglês) em vários territórios ao redor do mundo, incluindo Portugal.

O recorde foi depois batido por Stranger Things 3, mas La Casa de Papel continua nos lugares cimeiros da lista: a estreia da parte 4 foi vista por 65 milhões de contas nas primeiras quatro semanas.

Em Portugal, o sucesso é claro e particular. La Casa de Papel foi líder do top da Netflix durante a primeira semana de exibição da quarta temporada, além dos recordes já batidos na estreia de outras partes. Talvez seja por isso que os assaltantes vão passar por território português, mas as referências não acabam por aqui.

Além da já referida bandeira portuguesa, a série do país vizinho introduziu na terceira parte a assaltante Lisboa, o nome adotado pela antiga agente Raquel Murillo (Itziar Ituño) na sua nova faceta criminosa, com um vídeo peculiar. Com a plataforma a investir na divulgação em território nacional, Ituño deu ainda vida a uma professora improvisada num assalto para roubar o ouro português” – a receita original dos Pastéis de Belém.

O sucesso, em Portugal e no resto do mundo, é descrito por Álex Pina como resultado do “constante movimento entre ação e emoção“, assim como as “mensagens subjacentes” impostas na trama, que é muito mais que um ‘simples’ assalto. “É ação e sentimento, é comédia negra e drama, romance e pathos”, explica.

Pina aponta ainda a camada mais densa do enredo, que envolve discussões políticas e socioeconómicas na base das motivações da equipa do Professor, que fazem com que a série reflita a realidade: o que faz a população unir-se aos assaltantes na história são as mesmas razões que fazem os espectadores torcer pelo grupo.

A quinta temporada de La Casa de Papel, que terá 10 episódios, ainda não tem data de estreia definida – mas as gravações estão prestes a começar. As primeiras quatro partes estão disponíveis no catálogo da Netflix.

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