J. K. Rowling
Fotografia: D.R.

J.K. Rowling. Os sucessos e deceções da escritora de ‘Harry Potter’

A autora da saga infantil mais famosa de sempre completa 55 anos, numa data que partilha com o seu personagem

J.K. Rowling, escritora conhecida pela saga de livros Harry Potter, celebra esta sexta-feira, 31 de julho, 55 anos – data que partilha com a personagem da sua criação. Para comemorar a data, o Espalha-Factos relembra a vida da escritora, numa viagem pelos momentos altos e baixos da carreira.

Nascida em Yate, na Inglaterra, Joanne Rowling cresceu com os pais, Peter e Anne, e com a irmã mais nova, Dianne. Rodeada de livros desde pequena, devido ao gosto dos pais pela leitura, Rowling percebeu que queria ser escritora, tendo redigido, com apenas seis anos, o seu primeiro livro de ficção, intitulado A História de Um Coelho Chamado Coelho.

Apesar disso, a escritora afirma que a infância não foi feliz, já que o ambiente em casa era complicado. J.K. Rowling não tinha uma boa relação com o pai e, para piorar a situação, a mãe sofria de esclerose múltipla.

Em 1982, Rowling ingressou na Universidade de Exeter, onde estudou Línguas Clássicas e Literatura Francesa, tendo ainda passado um ano em França a fazer um curso especializado. Quando voltou para Inglaterra, começou a trabalhar como pesquisadora da Amnistia Internacional, em Londres.

Mais tarde, em 1990, durante uma viagem de Manchester para Londres, surgiu a história de um jovem que estudava magia – Harry Potter. “Harry Potter simplesmente entrou na minha cabeça inteiramente formado”, explicou a autora dos livros em diversas entrevistas.

A chegada a Portugal e o início da saga mais famosa de sempre

Em 1991, J.K. Rowling veio morar para Portugal. Depois da morte da mãe, veio para o Porto para fugir dos problemas em Manchester, cidade onde cresceu. A oportunidade para seguir um novo caminho surgiu depois de ver um anúncio no jornal The Guardian, onde a escola de línguas Encounter English procurava professores para ensinar inglês a crianças da cidade.

Mesmo tendo chegado para dar aulas, não parou de escrever. Depois de 18 meses em Portugal, a escritora conheceu o jornalista Jorge Arantes, com quem se casou, em outubro de 1992, e com quem teve a sua primeira filha.

Joanne com o ex-marido e a primeira filha ainda em Portugal | Fotografia: D.R.

Contudo, o casamento entre os dois foi atribulado e durou pouco tempo; o casal separou-se em novembro de 1993. Em dezembro do mesmo ano, Rowling e a sua filha mudaram-se para Edimburgo, na Escócia. Nessa altura, a escritora, mãe solteira e sem trabalho, viu-se obrigada a recorrer à ajuda social.

Em 1996, estava terminado o primeiro livro da saga, intitulado Harry Potter e a Pedra Filosofal. O livro foi, no entanto, publicado apenas em 1997 pela Bloomsbury, depois de ter sido recusado por diversas editoras.

Uma vez que a Bloomsbury temia que as pessoas não se interessassem por um livro escrito por uma mulher, os editores pediram a Rowling que utilizasse apenas duas iniciais e o seu último nome. Como não tinha nome do meio, e de forma a homenagear a avó Kathleen, escolheu a letra K como a segunda inicial do seu pseudónimo.

Numa reviravolta inesperada na vida da autora, Harry Potter e a Pedra Filosofal foi um best-seller mundial e J.K. Rowling continuou a escrever os outros volumes da série, que venderam milhares de cópias. O sucesso do livro fez ainda com que ganhasse o prémio de Livro Infantil do Ano, concedido pelo British Book Awards, entre várias outras distinções literárias.

Capa da primeira edição britânica de ‘Harry Potter e a Pedra Filosofal’ | Fotografia: Hansons/D.R.

O sucesso astronómico de Harry Potter

Rowling tornou-se uma sensação literária depois de os três primeiros livros da saga (A Câmara dos Segredos e o Prisioneiro de Azkaban, respetivamente) ficarem nas primeiras três posições da lista de best-sellers do The New York Times. A escritora chegou ao auge em 2000, quando o quarto volume, O Cálice de Fogo, se tornou o livro a ser vendido mais rapidamente da história. Os três livros geraram um lucro de 78 milhões de euros, o que tornou J.K. Rowling numa das mulheres mais ricas do Reino Unido.

Em 2001, a Pedra Filosofal chega aos cinemas. O filme, realizado por Chris Columbus, estreou em mais de oito mil salas nos Estados Unidos e conseguiu conquistar ainda mais fãs em todo mundo.

J.K. Rowling escreveu ainda Harry Potter e a Ordem da Fénix, em 2003, O Príncipe Misterioso, em 2005, e Os Talismãs da Morte, em 2007. Em 2012, a escritora tinha já vendido 450 milhões de livros, traduzidos em 73 idiomas.

Além disso, todos os livros foram adaptados a filmes, protagonizados por Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint. Columbus realizou os dois primeiros; já o terceiro foi realizado por Alfonso Cuarón, o quarto por Mike Newell e os quatro últimos por David Yates. Foram publicados sete livros, mas foram realizados oito filmes, uma vez que o último foi dividido em duas partes.

Harry Potter
A saga ‘Harry Potter’ foi também um sucesso sem precedentes no mundo do cinema | Fotografia: Reprodução/D.R

Apesar de a saga Harry Potter ter chegado ao fim, J.K. Rowling continuou a escrever outras obras, muitas delas relacionadas com a história original. Entre elas encontram-se Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los, também adaptado ao cinema, outros livros relacionados com o universo de Harry Potter ou Uma Morte Súbita, o primeiro livro da autora considerado “para adultos”.

A escritora criou ainda um novo pseudónimo, Robert Galbraith, nome com o qual publicou Quando o Cuco Chama, O Bicho-da-Seda, Vocação Para o Mal e Branco Letal.

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J.K. Rowling no lançamento do último volume da saga ‘Harry Potter’, em 2007 | Fotografia: D.R.

O declínio da popularidade e os comentários polémicos

Considerada uma referência para os fãs da saga Harry Potter durante décadas, nos últimos anos o caso mudou relativamente de figura. Um dos principais motores do declínio de popularidade da autora são as suas divagações inesperadas sobre personagens da série, bem como – e principalmente – comentários nas redes sociais acerca de temáticas delicadas.

Em 2020, J.K. Rowling, uma utilizadora ativa do Twitter, escreveu sobre o seu posicionamento face a alguns assuntos polémicos. A escritora esteve no centro de um debate em que foi acusada de transfobia e que envolveu não só os seus fãs, como atores de Harry Potter.

Lê também: Harry Potter. A diversidade na saga e as polémicas geradas por J. K. Rowling

Várias pessoas tentaram esclarecer Rowling quanto às noções de sexo e género, contudo a escritora nunca chegou a emitir um pedido de desculpas à comunidade LGBTQ+. Desde então, a escritora tem sido largamente criticada, o que levou inúmeros fãs a rejeitar a escritora e o seu trabalho. Depois de ter sido criticada e ameaçada por pessoas de todo o mundo, Rowling viu-se obrigada a sair das redes sociais.

Posteriormente, tentou explicar-se no seu blog, mas o texto foi ainda mais polémico que os tweets originais. A escritora afirmou que parte do ativismo transgénero tem como objetivo apagar o conceito de sexo em prol do conceito de género, uma ideia que é já considerada datada em termos científicos. Além disso, a escritora não considera correta a ideia de que as pessoas possam, na realidade, mudar o sexo com que nasceram, comentários que foram também criticados, uma vez que sugerem que pessoas trans perderiam a sua identidade perante essas considerações.

Apesar dos comentários problemáticos, que não podem ser apagados e continuam em causa, J.K. Rowling está envolvida em vários projetos de solidariedade relacionados a outras causas, sendo presidente da instituição de caridade Gingerbread e fundadora da organização não governamental Lumos, que pretende promover a institucionalização de crianças.

Em 2005, Rowling e a eurodeputada Emma Nicholson fundaram também a Children’s High Level Group, uma instituição que procura o bem-estar infantil. J.K. Rowling contribui ainda financeiramente e apoia pesquisas e tratamentos para a esclerose múltipla, doença que causou a morte da sua mãe. Este ano, tendo em conta o cenário atual, decidiu doar 1 milhão de libras, quase 900 mil euros, a instituições de apoio aos sem-abrigo e às vítimas de violência doméstica durante a pandemia.

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