Cristina Ferreira
Fotografia: SIC

Ricardo Costa: Cristina Ferreira é “incompatível com uma estrutura empresarial de uma TV”

O diretor de informação da Impresa critica a estratégia de investimentos de Mário Ferreira

Para Ricardo Costa, a saída de Cristina Ferreira da SIC era inevitável, dado que a apresentadora “é incompatível com uma estrutura empresarial de uma TV“. Em entrevista ao jornal Público, o diretor de informação do grupo Impresa critica a “lógica de tentativa de destruição” de Mário Ferreira, o mais recente acionista da concorrente Media Capital.

Depois da saída do pivô Pedro Mourinho para a TVI, o responsável pela redação da SIC considera “pouco inteligente” a manobra de “ir buscar pessoas à concorrência direta“. “Porque o trabalho principal de uma direcção de Informação, para além de manter uma linha editorial é tentar puxar o mais possível pelos valores internos de uma redacção“, explicita, acrescentando que, noutras saídas anteriores, resolveram “tudo internamente com pequenas excepções“.

Ricardo Costa acusa mesmo Mário Ferreira, o mais recente acionista do grupo detentor da TVI, de uma “lógica de tentativa de destruição“.

Não, vamos usar as palavras correctas: não é enfraquecer, há uma tentativa de destruição da concorrência que é a lógica do Catão, em Roma, de apagar Cartago do mapa. Eu se fosse ele pensava um pouco porque às vezes estas situações não são Cartago e são afinal o Inverno Russo de Napoleão: há grandes sucessos militares, e outras que são a destruição das próprias tropas

Caminho de Cristina Ferreira “é o de ser uma marca própria

Apesar de admitir que “pode haver mexida nas audiências“, Ricardo Costa considera que a saída de Cristina Ferreira foi em boa hora. Isto porque, segundo o responsável, “o que aconteceu mostra que mais tarde ou mais cedo acabaria por sair da SIC“.

A Cristina Ferreira é uma pessoa importantíssima na TV em Portugal, que não haja discussão alguma sobre isso. Mas o caminho dela — e provavelmente mais ninguém o consegue neste país — é o de ser uma marca própria. Esse é um caminho que mais tarde ou cedo é incompatível com uma estrutura empresarial de uma TV

Para o diretor de informação, “apesar de provocar um problema sério à SIC com danos imediatos, no médio e longo prazo, para a SIC é melhor porque ficaria dependente de uma pessoa — o que não faz sentido numa empresa“. Isto leva-o a questionar a estratégia de investimentos da concorrência. “Acho que o Mário Ferreira está a olhar para a TVI como José Sócrates olhava para o mapa das estradas. Alguém há-de pagar“.

A rematar a entrevista, Ricardo Costa salienta que as mais recentes transferências provocaram alguma “inquietação” inicial, mas que “a SIC está muito bem estruturada e preparada. A TVI vai na sétima estrutura accionista e a da SIC é a mesma de sempre; a TVI já fez o reset na direcção várias vezes“. E deposita a sua confiança no Diretor Geral de Programas da estação: “Se há pessoa na SIC que é capaz de enfrentar em termos de ideias de TV este desafio é o Daniel Oliveira e não tenho dúvidas que sabe mais que a Cristina Ferreira na visão geral e na modernização da TV“, finaliza.

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