Cinco cantautoras que tens de ouvir se és fã do novo álbum de Taylor Swift

O Espalha-Factos dá a conhecer cinco cantautoras que possuem uma sonoridade semelhante ao novo disco de Taylor Swift.

Taylor Swift acaba de lançar, de surpresa, o seu oitavo longa duração, intitulado folklore. O disco, que o Espalha-Factos ouviu e analisou, vê Swift afastar-se da sua grandiosidade pop, abrançando uma estética mais crua, emocional e intimista.

Tal como o nome indica, folklore é, na sua essência, um disco de folk que explora toda a potencialidade de Swift como cantautora. Apesar da mudança de sonoridade, são muitas as pessoas que têm ouvido o álbum e sido conquistadas por esta nova versão da cantora.

folklore
No seu novo trabalho, Taylor Swift explora todo o seu potencial como cantautora, abraçando uma sonoridade folk. Fotografia: Divulgação

Não sendo este género de música o mais popular, o Espalha-Factos dá a conhecer cinco cantautoras cuja sonoridade partilha vários elementos que Swift incorpora em folklore mas que não têm a exposição mediática de Taylor Swift.

Uma pequena introdução aos cantautores

O termo cantautor surge no final da década de 60 para descrever artistas que compunham para outros, passando agora a ter oportunidade de escrever e cantar a sua própria música. No entanto, rapidamente o termo acabou por ser associado aos cantores de folk contemporâneo que haviam surgido durante a década de 50 e 60 nos Estados Unidos, como é o caso de Pete Seeger, Bob Dylan ou Joan Baez.

Desde aí, a música de cantautores fica marcada pela sua lírica política ou confessional. Geralmente, é incorporada uma instrumentação mínima e escassa, maioritariamente com base na guitarra ou piano. Ao longo do tempo, são as várias influências que têm sido incorporadas pelas diferentes eras de cantautores. Ao início, tínhamos uma influência maior por parte de blues ou jazz, mas no futuro, a pop seria também incorporada por estes, tendo agora o indie também se infiltrado na sua sonoridade.

No entanto, a essência do estilo não sofreu qualquer tipo de alteração. Esta passa pela criação de algo cativante e memorável através da colocação do ênfase na melodia e emoção transportadas pela voz do artista, complementada pelos arranjos que visam ampliar a mensagem transmitida. É nesta onde que apresentamos, então, a lista de cinco cantautoras que continuam a espalhar emoção através da sua música.

Angel Olsen

Angel Olsen
A voz de Angel Olsen tem o poder especial de capturar cada segundo da nossa atenção. Fotografia: Kylie Coutts

Angel Olsen é uma cantautora americana, natural de St. Louis, Missouri. Ao longo da década passada, a cantora e guitarrista criou uma das discografias mais consistentes e aclamadas dentro do género. Desde os seus humildes começos, com o disco Half Way Home, em que nos presenteou com a sua enorme voz e guitarra, até aos arranjos majestosos e grandiosos da synth-pop de All Mirrors, lançado em 2019, a carreira de Angel Olsen tem estado em constante crescimento.

Olsen é uma vocalista extremamente dotada, e usa todo o poder e alcance da sua voz na sua criação musical. A sua lírica é extremamente pessoal, e associada à entrega efetuada por Olsen, cria uma parceria muito poderosa na transmissão de emoção crua, adornada por instrumentais e arranjos musicais belíssimos e carregados de emoção.

O seu próximo trabalho de estúdio, Whole New Mess, verá a cantora regressar ao “simples”, entregando-se apenas à sua guitarra e voz. Será editado a 28 de agosto deste ano.

Phoebe Bridgers

Phoebe Bridgers
A escrita de Phoebe Bridgers é marcada por um grau enorme de honestidade. Fotografia: Scott Dudelson/Getty Images

Com apenas 25 anos de idade, o nome de Phoebe Bridgers já é um dos grandes nomes do indie contemporâneo. Depois de lançar o excelente Stranger In The Alps, em 2017, a cantautora natural de Los Angeles regressou este ano com Punisher, o seu segundo longa duração. Se o primeiro disco já havia sido um monumento de emoções, Punisher expandiu ainda mais o universo musical da cantora.

Além de ser uma vocalista e guitarrista bastante dotada, capaz de criar harmoniosas melodias, Bridgers é uma excelente letrista. No seu disco mais recente, cuja sonoridade junta elementos de indiefolk e emo para criar algo que se assemelha a um pesadelo noturno carregado de beleza, canta-se sobre a solidão de estar em tour e os efeitos que isto tem na artista. É possível encontrar uma honestidade brutal na sua poesia, tornando mais fácil a tarefa de sentirmos as emoções que a sua música pretende transmitir.

Além da sua carreira a solo, a artista faz ainda parte do grupo Better Oblivion Community Center com o cantautor Conor Oberst (Bright Eyes, Desaparecidos, Monsters of Folk) e do supergrupo Boygenius, aonde canta ao lado das cantautoras Julien Baker e Lucy Dacus.

Laura Marling

Laura Marling
A voz de Laura Marling tem a capacidade de aquecer o coração dos seus ouvintes. Fotografia: Justin Tyler Close

Laura Marling deu-se a conhecer ao mundo em 2008, com o disco Alas I Cannot Swim. Desde aí, seguiram-se mais seis longa duração, tendo o mais recente sido lançado em abril deste ano, intitulado Songs For Our Daughter. Ao longo da década passada, tornou-se numa das mais aclamadas cantautoras, com os seus trabalhos a receberem aclamação por parte da crítica e fãs do género, e várias nomeações para os Grammys, Brit Awards ou o Prémio Mercury.

A sua música é caracterizada pela sua componente intimista, que assenta muito na sua voz calorosa e harmoniosa, acompanhada pela instrumentação, geralmente mínima, que complementa a dinâmica da sua música. Letrista de excelência, no seu mais recente trabalho canta para uma filha imaginária com uma honestidade brutal, exprimindo tudo aquilo que tem dificuldade em exprimir sobre si mesma.

Weyes Blood

Weyes Blood
A música de Weyes Blood apresenta toques progressivos na sua composição. Fotografia: Kathryn Vetter Miller

Weyes Blood é o nome artístico da cantautora americana Natalie Mering. Apesar de se ter iniciado na comunidade de noise americana, Natalie acabou por fazer o seu nome como cantautora. Estreou-se com este nome em 2011, com o disco The Outside Room, e desde aí a sua carreira tem continuado a crescer, tanto em número de fãs como no sucesso com os críticos.

A sua sonoridade tem evoluído também. A cada novo trabalho, sentimos que existem novas camadas que integram a música de Natalie. No seu último disco, Titanic Rising, um dos melhores discos do ano passado, o toque progressivo que sempre esteve presente na sua música é explorado ao máximo. Os instrumentais são extremamente arrojados e soam etéreos, como se nos encontrássemos mergulhado num sonho coberto de reverb.

É também de realçar o alcance da voz de Natalie. Ao longo da sua obra, vemos esta a ser explorada de forma eficiente para criar harmonias. A sua criatividade e versatilidade é uma das suas grandes armas e estaremos todos à espera para vislumbrarmos a viagem em que Natalia nos vai levar.

Marinho

Marinho
Marinho canta sobre as experiências de vida que conseguem que um indivíduo cresça e se descubra. Fotografia: Marta Olive

Marinho é o nome artístico com o qual a cantautora portuguesa Filipa Marinho assina os seus trabalhos. Influenciado pela folk americana, o seu álbum de estreia, ~, foi lançado em outubro do ano passado. A sua música apresenta uma lírica bastante intíma, estando profundamente conectada às suas experiências de vida e do que delas se pode retirar para o crescimento e descobrimento enquanto indivíduos. O feminismo e a sexualidade são outros dos temas que podemos encontrar enraizados na sua música.

A sua voz é suave e tem a capacidade de transmitir as várias emoções que a sua música ecoa. Existe uma certa saudade e nostalgia pelo que já passou, mas uma alegria e ansiedade pelo futuro que aí vem. Os instrumentais criados por Filipa e a sua banda são muito bem conseguidos, complementando muito bem a mensagem que a música pretende transmitir. A artista lisboeta é uma das grandes promessas desta nova geração do indie nacional.

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