Tenet
Foto: IMDB

‘Tenet’ chega a Portugal no fim de agosto

O filme vai estrear primeiro no mercado internacional a 26 de agosto e só depois chega aos EUA

Parece que Tenet vai, por fim, conseguir salvar o calendário de verão de 2020 no que toca ao mundo do cinema. O novo épico de espionagem de Christopher Nolan vai ser lançado internacionalmente a 26 de agosto, e só depois chegará aos grandes ecrãs dos Estados Unidos da América, onde estreia apenas a 3 de setembro.

Na lista noticiada pela Deadline, Portugal está na lista de países onde o filme estreia a 26 de agosto. O filme vai chegar, igualmente nesse dia, a 70 países, incluindo a Austrália, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Coreia, Rússia e Reino Unido. A Warner Bros. não revelou detalhes quanto ao lançamento de Tenet na China.

A razão para a súbita decisão

O estúdio tinha revelado, na semana passada, que Tenet poderia estrear mais cedo no resto do mundo, antes de chegar aos EUA. Esta hipótese confirma-se agora, sendo um corte com a tradição em que os filmes estreiam ao mesmo tempo, tanto na América, como no resto do mundo. A decisão é surpreendente na medida em que o território norte-americano é o maior mercado cinematográfico do mundo, e tem um papel fundamental para que um filme se torne lucrativo.

A Warner Bros. espera, com esta decisão, estabelecer uma nova politica inovadora e coordenada com o anúncio de que os mercados internacionais começaram já a reabrir, de forma segura, as suas salas de cinema. É importante salientar o facto de estes mercados precisarem de novos filmes de Hollywood para poderem continuar a atrair as audiências.

Por outro lado, os EUA têm visto os casos da Covid-19 aumentarem, de novo, a um ritmo exponencial nas últimas semanas, complicando assim os planos de retoma à normalidade e, acima de tudo, impedindo que os cinemas reabram as suas portas. Prevê-se que a situação se prolongue por algum tempo.

De relembrar o facto de um exibidor contactado pela Warner Bros., que se manteve no anonimato, contou à revista Variety que o estúdio decidiu agora lançar Tenet no mercado internacional, antes de o estrear nos Estados Unidos, devido ao sucesso que a China teve com a reabertura dos seus cinemas na semana passada.

O filme Peninsula, uma sequela de Train to Busan, do realizador Sang-ho Yeon, conseguiu um saldo bastante positivo junto das bilheteiras para a situação atual, tendo arrecadado mais de 17 milhões de euros na sua estreia, divididos por quatro mercados de distribuição. Este foi um sinal que fez a Warner Bros. repensar a sua política de lançamento em relação a Tenet e, mais do que isso, aumentou a esperança de que o público está ainda disponível para ir ver filmes ao cinema.

Os prós e contras das novas datas de lançamento

Tradicionalmente, este tipo de lançamento, estreando mais cedo nuns países do que noutros, é arriscado para filmes como Tenet, que custou perto de 180 milhões de euros a ser produzido e mais uns quantos para ser promovido. Por um lado, há um grande risco de pirataria, que pode prejudicar o sucesso financeiro do filme. Por outro, a verdade é que os espectadores sabem ainda muito pouco sobre o enredo de Tenet. A situação é, porém, intencional, na medida que se trata de uma táctica de marketing habitual nos filmes de Nolan.

‘Tenet’ | Fotografia: Warner Bros./Divulgação

A obra do realizador britânico está cheia de segredos e twists criados para que não sejam revelados antes do tempo para a audiência. O objectivo é que se mantenha o factor surpresa, bastante presente nos produtos que Nolan tem apresentado ao longo dos últimos anos na sua carreira como cineasta. Tudo o que se sabe sobre Tenet, por enquanto, é que tem no elenco nomes como John David Washington, Robert Pattinson e Elizabeth Debicki, e que não é um filme sobre viagens no tempo, mas sim sobre inversão.

Lançar o filme primeiro no mercado internacional pode ter um impacto negativo no que toca à difusão de spoilers, o que pode trazer reflexos perigosos para o sucesso de Tenet na bilheteira dos Estados Unidos da América. Há o outro lado da questão, que é o facto de ter passado imenso tempo desde que os estúdios lançaram novos filmes para o grande ecrã, o que leva as pessoas a querer ir ver qualquer coisa nova, quando for seguro retornar ao escuro das salas de cinema.

O turbilhão de decisões em volta do lançamento de Tenet

A Warner Bros. tinha originalmente planeado lançar Tenet globalmente a 17 de julho. Entretanto, foi alvo de dois adiamentos: o primeiro alterou a data de estreia para 31 de julho, o segundo moveu-a para 12 de agosto. A 20 de julho, o estúdio decidiu retirar Tenet temporariamente do seu calendário de lançamentos, e voltou a colocá-lo de novo.

O lançamento tardio de Tenet nos Estados Unidos da América vem no seguimento do anúncio de Gavin Newsom, governador da Califórnia, a 13 de julho, onde ordenou que as salas de cinema deste estado continuassem fechadas. Em Nova Iorque, o governador Andrew Cuomo atrasou também a reabertura dos cinemas para a quarta fase do seu plano de retorno à normalidade, marcado pela reabertura das indústrias trabalhadoras. Nova Iorque e Califórnia são dois dos maiores mercados cinematográficos do país.

Tenet tem, à cabeça do seu elenco, John David Washington e Robert Pattinson, que vão interpretar dois espiões que têm a missão de prevenir uma Terceira Guerra Mundial. O elenco é ainda composto por Elizabeth Debicki, Aaron Taylor-Johnson, Kenneth Branagh e Michael Caine.

Começaram a existir rumores online de que a Warner Bros. poderia estar a planear um lançamento de Tenet na sua própria plataforma de streaming, a HBO Max, mas Nolan rapidamente negou essa hipótese. O realizador tem continuamente defendido que o seu novo filme “foi feito para a experiência dos espectadores, a experiência do grande ecrã”, ainda mais que os seus anteriores projetos.

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