Cidade do Medo

‘Cidade do Medo’: A máfia italiana pelos olhos do FBI

Estreou na Netflix a minissérie documental que conta como foi derrubado o maior império criminoso do mundo

A máfia ítalo-americana chega a Netflix de uma forma diferente, e mais real. A Cidade do Medo, a minissérie documental que narra os esforços das autoridades para derrubar o império criminoso que tomava conta de Nova Iorque, estreou esta quarta-feira.

A história foi popularizada por clássicos do cinema, como O Padrinho, e mesmo da televisão, como a série televisiva Os Sopranos. O novo lançamento da Netflix, porém, parte do outro campo deste combate urbano. O protagonismo recaí sobre o FBI e os procuradores que fizeram o até então impensável e lutaram contra as famílias que reinavam no submundo nova-iorquino.

A minissérie conta com entrevistas os agentes que trabalharam no caso, que narram em pormenor a forma como investigaram. Também contribuíram com relatos alguns ex-mafiosos, que testemunham para que as suas penas possam ser amenizadas.

Acompanha, assim, a evolução dos trabalhos do FBI e da procuradoria-geral do distrito sul de Nova Iorque pelos anos 70 e 80, quando travaram uma batalha contra o crime organizado. O procurador-geral, Rudolph Giuliani, teve um duplo sucesso: tanto prendeu todos os chefes das famílias da máfia quanto garantiu para si a eleição para mayor de Nova Iorque. Enquanto filho de imigrantes italianos, não gostava daquilo o que a máfia representava.

A produção dos é dos mesmos responsáveis por Don’t F**k with Cats: Uma Caçada Online, uma série documental sobre crimes de 2019 realizada por Mark Lewis. Em Cidade do Medo, recorreram a reconstituições e outros desenvolvimentos que constituem não deixam a desejar os fãs dos clássicos sobre máfia.

Código de honra e de silêncio

O poder da máfia residia em cinco famílias: os Colombo, Lucchese, Genovese, Bonnano e Gambino. Dentro de cada uma delas, havia uma estrutura bem organizada e hierarquizada, com chefes, subchefes e capitães a constituir o topo de um pirâmide extensa cuja base eram os soldados. Toda a operação sobreviveu pela existência de um código de honra e de silêncio. Por mais que os soldados pudessem ser condenados por crimes, o segredo das famílias protegia os chefes, assim sendo impossível comprovar que eles teriam dado as ordens.

As autoridades não compreendiam por completo o poder da máfia. As organizações faziam-se ver em diferentes cenários, do extorquir dinheiro aos comerciantes aos jogos ilegais e a prostituição. Tudo era gerido de forma muito violenta, e o FBI sentia-se inútil na luta contra tais corporações.
O cenário muda quando surge o Racketeer Influenced and Corrupt Organizations Act, ou RICO, que passou a permitir que os chefes das organizações criminosas fossem condenados pelos crimes dos seus soldados. O desafio passa a ser, portanto, comprovar quais eram as ligações existentes entre todas essas pessoas.
A tecnologia que os servia para a Guerra Fria viu-se importante também na luta contra o crime organizado. Escutas foram um dos principais métodos: permitiam que conversas entre mafiosos conhecidos fossem captadas, gravando-se os momentos em que falariam dos crimes.
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