Cristina Ferreira Daniel Oliveira SIC
Fotografia: Rui Válido / Divulgação SIC

SIC. 7 trunfos de Daniel Oliveira para manter a liderança no pós-Cristina

Cristina Ferreira e SIC precipitaram-se para um divórcio amargo na passada sexta-feira (17). A transferência da apresentadora para a TVI, agora com papéis de maior responsabilidade, representa uma nova oportunidade para Queluz voltar às glórias de um passado recente. Contudo, a SIC ainda é a líder isolada, tendo ao seu dispor vários trunfos que pode usar para proteger a sua margem face à TVI e permanecer no primeiro lugar no pós-Cristina.

1. Novelas da noite competitivas

Por mais que as manhãs ajudem a empurrar um canal para o primeiro ou para o segundo lugar, é difícil uma estação televisiva tornar-se líder sem ter um alinhamento minimamente competitivo no horário nobre. Um canal pode compensar em três ou quatro horas da noite uma má performance nas manhãs e nas tardes. Por isso mesmo, a SIC tem de criar uma firewall que mantenha intacta a sua performance desde o Jornal da Noite até à novela brasileira. Por agora, com a recente segunda temporada de Nazaré e com Terra Brava, Paço de Arcos terá estabilidade. O regresso de uma nova fornada de episódios de Golpe de Sorte no futuro próximo será também uma peça importante. Contudo, a SIC não pode facilitar em 2021 no lançamento das próximas novelas, devendo ter a ambição de continuar a inovar nas histórias e na forma de promover as suas tramas.

2. Marca de humor consolidada e em expansão

Levanta-te e Ri voltou ao ecrã a 7 de outubro de 2018, numa edição comemorativa dos 15 anos do programa. A exibição teve muito sucesso e o formato regressou várias vezes nas noites de fim-de-semana de 2019. Ainda no período Gabriela Sobral, a SIC confiou a César Mourão o Terra Nossa, que teve direito a uma nova e alargada temporada de episódios em 2019. Quer na sua primeira exibição, quer nas várias repetições que tem tido nos últimos meses, mostrou-se um player fiável, estando já previstos mais episódios. Seguiu-se em 2020 a contratação de Ricardo Araújo Pereira, cujo Isto é Gozar com Quem Trabalha forneceu uma forte injeção de adrenalina nas noites de domingo. Mais recentemente, a contratação de Bruno Nogueira demonstra como a estação de Paço de Arcos se tornou hegemónica na marca humorística, com o monopólio dos grandes nomes da atualidade.

3. Experiências sociais em contínua metamorfose

Casados à Primeira Vista, Quem Quer Namorar com o Agricultor, O Carro do Amor, Amigos Improváveis. A chancela das experiências sociais deu-se a conhecer em outubro de 2018 com um programa sobre homens e mulheres que se casam no dia em que se conhecem. E, desde aí, ajudou a SIC a preencher uma grande parte das noites de domingo e, mais importante, a consolidar e estabilizar o final de tarde. O desafio de evitar a saturação de formatos tem sido abordado com esta rotação de programas, que introduzem sucessivas iterações a este tipo de reality-show. Para o outono, está prevista a estreia de O Noivo É Que Sabe, apresentado por Cláudia Vieira. Contudo, será importante que a SIC evite repetir o que aconteceu com a última temporada de Quem Quer Namorar com o Agricultor, esticada e aproveitada até ao limite. Este tipo de utilização dos programas acelera o seu desgaste. Daniel Oliveira tem de garantir que o espectador tem sempre motivo de interesse para sintonizar no canal e acompanhar os concorrentes, especialmente agora que se sabe que terá novamente de competir com o Big Brother.

4. Novelas brasileiras reconciliadas com o público

Apesar de constantemente relegadas para segundo plano na atenção mediática, as telenovelas brasileiras continuam a ter uma palavra a dizer na grelha da SIC. Nos anos anteriores à entrada em funções de Daniel Oliveira, a Globo já só marcava presença num horário, com uma novela inédita na faixa das 23h30/00h. Este horário continua ainda hoje reservado às produções brasileiras. No outono de 2018, Paço de Arcos recuperou uma faixa da grelha às novelas brasileiras – 18h – com a repetição do remake de Gabriela. A telenovela convenceu e reconquistou a liderança do horário. A esta seguiu-se a repetição de Avenida Brasil e agora de Amor à Vida. Esta última tem tido um sucesso muito assinalável, ao ponto de a SIC lhe confiar com frequência episódios de duas horas, entre as 18h e as 20h, como forma de poupar episódios da atual temporada de Quem Quer Namorar com o Agricultor. Depois de três repetições, Paço de Arcos faz regressar as novelas inéditas a esta faixa, com a estreia de Êta Mundo Bom já na próxima segunda-feira (27), num voto de confiança na marca Globo.

5. Júlia e o seu trabalho de formiga nas tardes

Uma das medidas implementadas ainda antes da chegada de Cristina à SIC foi uma reformulação das tardes. O Juntos à Tarde foi cancelado e substituído pelo Júlia, com Júlia Pinheiro a migrar em outubro de 2018 para as tardes. Desde então, de forma tranquila e discreta, a apresentadora tem conseguido preservar uma liderança confortável nesse horário, superando Fátima Lopes e Tânia Ribas de Oliveira. É um ativo com o qual Paço de Arcos poderá contar e que será difícil no curto prazo vivenciar perturbações.

6. Marca informativa consolidada, em oposição à total reestruturação na TVI

Além do lado do entretenimento, a disputa das audiências também se joga no lado da informação. Isso tornou-se especialmente evidente na reestruturação em curso da TVI, que prevê uma grande mudança de protagonistas e de orientação. Agora sob a alçada de Anselmo Crespo, surge a promessa de uma liderança irreverente, que terá de disputar uma marca consolidada na SIC. O Primeiro Jornal e o Jornal da Noite são dois pilares fundamentais na grelha da SIC. Beneficiam de bons lead-ins, mas sabem aproveitá-los e reter a audiência. A saída de Pedro Mourinho, também para a TVI, não deverá causar grandes dificuldades à estação, que continua a contar com Clara de Sousa, Rodrigo Guedes de Carvalho, Bento Rodrigues e João Moleira. A SIC Notícias é igualmente casa de outros jovens rostos, que podem ser testados na rotação dos noticiários de Paço de Arcos. À noite, é ainda de assinalar a boa performance dos segmentos Polígrafo, Grande Reportagem, ou o comentário de Luís Marques Mendes.

7. Sem Cristina nas manhãs, o jogo não tem vencedores e derrotados declarados

O impacto mais evidente e imediato no desempenho da SIC poderá ser um arrefecimento dos seus números no bloco matinal. Já sem Cristina Ferreira a apresentar e com o pico do período de férias de verão, é expectável que as audiências percam pujança e se assista a um equilibrar de forças. No entanto, se de 2018 para 2019 Cristina trocou um programa da manhã por outro, em 2020 tudo indica que terá deixado de ser uma ocupante permanente deste período do dia. Assim, o jogo muda de figura, com a oportunidade de surgirem novos protagonistas. Daniel Oliveira terá de se empenhar muito neste horário nestes próximos meses, para fidelizar o mais possível os espectadores que acompanharam a apresentadora durante quase 19 meses n’O Programa da Cristina.

Mais Artigos
Audiências Porto x Chelsea
Audiências. FC Porto volta a puxar TVI para a liderança