Casa Feliz
Fotografia: Instagram

‘Casa Feliz’: a fórmula é (quase) a mesma sem Cristina Ferreira

Diana Chaves e João Baião lideraram o novo programa matinal da SIC.

A missão era complicada. Depois do terramoto inesperado, que ocorreu na tarde desta sexta-feira (17), com a saída de Cristina Ferreira da SIC para a TVI, o terceiro canal tinha a árdua tarefa de colmatar a ausência da apresentadora e preparar um programa diferente, em apenas dois dias e meio, que preenchesse a manhã desta segunda-feira (20). O resultado foi Casa Feliz, apresentado por João Baião e Diana Chaves. O Espalha-Factos viu o programa, e  conta-te tudo sobre o que sobreviveu e o que mudou, à luz dos mais recentes acontecimentos.

Cristina, és tu?

Divulgação / Flash

O inicio de Casa Feliz não podia ser mais surpreendente, e foi um sintoma (positivo) de que a SIC se sabe rir dela própria e encarar as coisas com desportivismo. O programa começou uns minutos antes da sua hora habitual (10h15), e o espectador foi presenteado com a atriz Joana Pais de Brito a fazer uma imitação exímia de Cristina Ferreira. Havia a curiosidade natural de saber como é que se iria expulsar o elefante da sala e a escolha foi encará-lo de frente. Joana, na pele de Cristina, acordou João Paulo Sousa e Raquel Tavares, que se encontravam a dormir na cama, e logo depois entraram os apresentadores de serviço, João Baião e Diana Chaves.

O momento foi leve e divertido, na tentativa de minimizar os estragos que o desaparecimento de Cristina podia causar, e dou nota positiva à forma como o assunto foi relativizado. Tenho a certeza que Daniel Oliveira e a direção da SIC passaram algumas noites sem dormir depois da bomba anunciada na sexta-feira, e que o assunto não se digere assim tão facilmente, mas o que interessa, no final do dia, é a forma como se reage perante as câmaras, e principalmente a forma como tudo isto é transmitido ao espectador, e o canal esteve muito bem neste ponto.

A classe da SIC na hora das despedidas

A imitação de Joana serviu também para João Baião endereçar, em directo, um beijinho a Cristina, referindo que a apresentadora foi muito feliz naquela casa e desejou-lhe tudo de bom para a sua próxima aventura. É tempo de elogiar novamente a postura do terceiro canal, e no caso específico, de João Baião.

Daniel Oliveira já tinha publicado um comunicado, em que falou directamente sobre a saída de Cristina Ferreira, e marcou também pontos pela graciosidade, classe e sinceridade com que encarou a situação. Baião fê-lo da mesma maneira, não mostrando qualquer tipo de ressentimentos com esta súbita saída, num estilo afável e honesto que lhe é tão característico. Isto é fazer televisão, de forma simples, sem dramas, mas acima de tudo, com respeito e dignidade. Há vida na SIC para além de Cristina, a vida segue, e Daniel e Baião fizeram questão de mostrar isso mesmo.

A nova dupla

Com apenas três dias para preparar um novo programa, quase de raiz, o que vimos foi entretenimento dentro dos possíveis. A dupla de apresentadores tinha sido anunciada no domingo (19), e havia a expectativa para ver como João Baião e Diana Chaves se iam sair nestes novos papéis. Baião esteve fiel a si mesmo, a trazer vida, cores e alegria para o ecrã, não fosse ele, muito provavelmente, o apresentador mais enérgico do pequeno ecrã. É muito interessante ver como o apresentador rapidamente se incorpora, harmoniosamente, numa situação para o qual não estava automaticamente preparado.

Foi João Baião que carregou o programa às costas. Diana mostrou-se mais apagada, dizendo poucas palavras na primeira parte do programa, mas não podemos ser muito injustos, dado que não é o seu registo habitual. É de relembrar que os seus últimos programas, como apresentadora, foram as duas edições de Casados À Primeira Vista, um programa completamente diferente, que exige outro tipo de postura a Diana. Mesmo assim, com o avançar do programa, foi-se soltando, e nota-se que há ainda muita margem de progressão.

A dinâmica que (quase) se mantêm

Depois de Joana Pais de Brito ter sido desmascarada pela dupla de apresentadores, e a “Cristina” ter saído, em definitivo, do ar, a campainha da casa mais vista do País nunca mais parou de tocar. As aparições de caras conhecidas da SIC foram-se somando umas às outras, desde logo com o já citado momento em que João Paulo Sousa e Raquel Tavares começam o programa a dormir numa cama.

A técnica é eficiente naquilo que é o objectivo de manter o dinamismo que tanto marcava O Programa da Cristina e que agora parece continuar em Casa Feliz. O mote é tentar preservar a ideia de que o programa é passado numa verdadeira casa, onde acontecem coisas semelhantes ao nosso quotidiano. Mas, em vez de termos Cristina, que tantas vezes abriu o programa de pijama, enrolada em lençóis, hoje tivemos João e Raquel. As caras mudam, mas o essencial mantém-se.

A partir daqui, foi um carrossel de gente que manteve uma energia saudável ao programa, na primeira parte. Tivemos Afonso Pimentel a encarnar a sua personagem da novela Nazaré, o Toni, que perante a mudança na apresentação do programa, se virou para Baião e perguntou “Avisou-se o senhorio?”, num momento que deve ter arrancado gargalhadas nos espectadores, numa espécie de farpa à saída abrupta de Cristina.

A Afonso Pimentel seguiram-se José Figueiras, que aproveitou para “roubar” algumas peças decorativas que sobreviveram aos tempos de Cristina e Liliana Campos e Zé Lopes, a recriarem um mini-momento do Passadeira Vermelha, ao falarem sobre “o assunto que mais marcou o País neste fim-de-semana”. Numa relativa subversão de expectativas, dado que se pensava que iriam falar novamente de Cristina, estavam, na realidade, a referir-se ao material dos sapatos usados por António Costa numa aparição pública.

E é aqui que, de repente, entra no ar, João Moleira, numa espécie de Primeiro Jornal em um minuto, corrigindo, com humor, a novidade avançada por Liliana e Zé. A aparição de João foi mais um sinal de que a SIC se tentou preparar a sério para esta segunda-feira, numa tentativa de preencher o programa com o maior número de gente possível, das diversas áreas do canal, querendo esconder o vazio deixado por Cristina.

Também houve espaço para João Manzarra aparecer com o seu cão, Maravilha, e contar a história de como o encontrou pela primeira vez, Carolina Patrocínio veio para arrumar o armário e partilhar algumas histórias dos seus quatro filhos, e ainda Carolina Loureiro, que veio dar uma aula de ioga a Júlia Pinheiro, contando também com a participação de João Baião, a fazer o pino de cabeça.

Uma segunda parte menos conseguida

As cara menos conhecidas que apareceram foram Alice Silva e Luís Bezerra, que prepararam uma receita tradicional do seu restaurante. Foi a partir daqui que os problemas, do programa de hoje, começaram a aparecer. No meio de tanta gente a entrar e a sair, começou a notar-se alguma desorganização no alinhamento do programa. A D. Alice foi apresentada quase no início do programa, para confeccionar os rolinhos de carne, e quase foi esquecida, sendo apenas alvo de nova atenção já perto do fim da segunda parte do programa.

Tivemos a já referida Carolina Patrocínio a arrumar o armário com Diana Chaves, mas logo deram lugar a João Baião, Carolina Loureiro e Júlia para a sessão de ioga. A primeira dupla nunca mais apareceu, e é importante não esquecermos que tudo isto se desenrolava enquanto D. Alice confeccionava o seu prato. Isto resultou no facto de Diana, a co-apresentadora, estar largos minutos sem aparecer no ecrã. Foi muita gente, e nem sempre o programa foi gerido com equilíbrio.

A isto se soma uma edição do programa que, em termos técnicos, teve momentos algo bizarros. Se é verdade que o cenário do programa se manteve, na sua integralidade, a ausência de João Patrício do outro lado das câmaras, a comandar a realização do programa, notou-se mais do que o expectável. João estará de malas aviadas da SIC, presumivelmente para acompanhar Cristina Ferreira, na sua nova fase da carreira, na TVI.

Cortes abruptos para intervalos e momentos de propaganda comercial, uma peça mal lançada na Análise Criminal, em que a voz de Luís Maia interrompeu Hernâni, tudo isto contribuiu para uma visível falta de naturalidade na condução do primeiro programa de Casa Feliz.

O melhor momento de Diana Chaves, onde esta falou mais, foi quando surgiu Cláudia Vieira, numa conversa que serviu para promover o novo programa desta última, O Noivo é que Sabe, a próxima aposta da SIC, também virada para o mundo do amor e dos casamentos. A conversa seguiu natural, não fosse também o facto de Diana ter uma faceta mais casamenteira dado que apresentou as duas primeiras edições de Casados à Primeira Vista.

Um final idêntico à era de Cristina

A ponta final do programa manteve também, quase de forma integral, a herança deixada por Cristina Ferreira. O segmento da Análise Criminal foi, todavia, liderado por Hernâni Carvalho, que contou com o apoio da psicóloga Vera de Melo, de Vítor Marques e da advogada Patrícia Cipriano. Tudo se desenrolou dentro da normalidade do passado, com as mesmas caras, a mesma voz de Luís Maia a narrar as peças das noticias dos crimes, sem qualquer tipo de alteração.

O fim também foi semelhante, o passatempo do programa mantém-se na íntegra, também com o mesmo nome, que agora é o mesmo que o do programa, Casa Feliz. Diana Chaves e João Baião despediram-se dos espectadores, depois de entregar o prémio do dia, prestes a almoçarem na mesa de refeições. É a normalidade dentro do possível, e a SIC fez o suficiente para equilibrar a estabilidade desejável daquilo que era bem feito na era de Cristina, com as novas caras que agora habitam a casa, não perdendo totalmente a identidade da fórmula que trouxe de volta a liderança de audiências ao terceiro canal, no horário matinal.

E agora?

O programa manteve-se quase o mesmo, replicando a ideia de que esta é uma casa de todos os portugueses e, principalmente, em que todos são bem-vindos. Há espaço para melhorias, principalmente do lado de Diana Chaves e na organização dos segmentos do programa e consequente trabalho de edição.

O maior ponto negativo foi mesmo o facto de ser visível a ausência de João Patrício, o realizador do antigo O Programa da Cristina, que se deverá juntar a Cristina na sua nova aventura na TVI. Também não houve referências nem aparições de Rúben Vieira, mais conhecido como “Ben”, o famoso assistente de produção que se tinha tornado, recentemente, a figura mais próxima de “Vizinho” de Cristina, depois da saída de Cláudio Ramos.

A mudança de Cristina foi um grande golpe no plano da SIC em se estabilizar no primeiro lugar das audiências, e será interessante ver qual é o seu reflexo nas audiências desta segunda-feira (20). Não sabemos o futuro, mas a SIC mostrou hoje que está a trabalhar, de forma dinâmica, para colmatar a saída da sua antiga cara principal, construindo uma Casa Feliz.

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