Gianni Versace

Gianni Versace. 23 anos do homicídio da lenda da moda

O criador foi assassinado em 1997 à porta da sua mansão e, mesmo depois do seu desaparecimento físico, o seu nome continua fortemente presente no mundo da moda

Há 23 anos, Gianni Versace, o lendário estilista, designer de moda e fundador da famosa marca italiana Versace, foi assassinado. O seu legado perdura até aos dias de hoje, já que a Versace, criada em 1978, continua a ser uma sensação no cenário da moda internacional.

Gianni Versace nasceu no sul de Itália, numa família pobre, e aprendeu a costurar com a mãe, Francesca, que tinha o seu próprio ateliê. Em 1972, depois de fazer várias coleções para grandes marcas, mudou-se para Milão, onde continuou a trabalhar para outras empresas, como a Callaghan e a Complice.

Em 1979, Gianni fundou a Versace Company, lançando também a sua primeira coleção própria. No mesmo ano foi inaugurada a sua primeira loja, em Milão, juntamente com uma segunda coleção.

Considerado um dos maiores estilistas do mundo do século XX, o trabalho de Gianni Versace ficou marcado pela união do clássico com o novo, com influências das artes greco-romanas, como é o caso do logo da marca – a cabeça de Medusa – e contemporânea. Gianni escolheu a deusa da mitologia grega porque, segundo a lenda, quem olhasse para ela ficava imediatamente apaixonado pela mesma.

O estilista “não acreditava em bom gosto” e tentava misturar o luxo clássico à sexualidade aberta, o que o tornou conhecido internacionalmente, uma vez que as suas peças eram diferentes de tudo o que já se tinha visto. Consideradas exageradas, as suas roupas eram marcadas por cores vibrantes, tecidos fluídos e bordados com metais e plásticos.

Versace foi ainda o pioneiro do uso do couro em roupas de alta-costura, que relembravam as práticas de BDSM. O estilista tinha também uma rivalidade com Giorgio Armani, e dizia que “Armani vestia a esposa e Versace vestia a amante”.

O fundador da marca italiana foi ainda um dos primeiros a ligar a moda ao mundo da música, criando roupas para grandes celebridades, entre elas Madonna, Elton John, Cher, The Notorious B.I.G. e Tupac. Vestiu ainda a Princesa Diana e Kate Moss.

Gianni rodeou-se de super-modelos como Cindy Crawford, Christy Turlington, Linda Evangelista e Naomi Campbell numa só campanha da marca e no vídeo Freedom, de George Michael, que passou pela passerelle Versace e criou um dos momentos de moda mais lembrados do início dos anos 1990.

Com apenas 50 anos, Gianni Versace construiu um império que, apesar de predominar pelo fabrico de peças de roupa, inclui também a produção de acessórios, perfumes, maquilhagem e artigos de decoração.

Considerado por muitos como o mais talentoso do século XX e o mais emblemático da sua era, o estilista foi também muito criticado pelos seus excessos ornamentais. De uma maneira ou de outra, desde a sua fundação, a Versace continua a ser uma das marcas de moda líderes internacionalmente e um símbolo do luxo italiano.

Depois do seu desaparecimento inesperado

Atualmente, Santo Versace, o irmão mais velho do estilista, é o CEO da marca, enquanto que a irmã, Donatella, se tornou a chefe de design. Com um novo olhar para marca e com a chegada do século, Donatella lançou uma linha de maquilhagem, a Versace Beauty, e um hotel cinco estrelas, o Palazzo Versace, na Austrália.

“Donatella é uma voz diferente, é uma pessoa mais extrovertida do que o irmão, mas a sua moda é mais suave, de uma feminilidade mais moderna”, afirmou a curadora de moda Claire Wilcox.

Três meses depois do assassinato, Donatella lançava já uma coleção de pronto-a-vestir, ainda com ideias de Gianni, mas já trabalhadas por si. “Em todas as colecções de Gianni há arrojo, modernidade e acima de tudo glamour. As suas criações sempre tiveram como objetivo glorificar o corpo. É por isso que ainda são tão apelativas”, comentou Donatella à Time.

Gianni Versace foi baleado e morto pelo serial killer Andrew Cunanan, a 15 de julho de 1997, à porta da sua mansão, em Miami Beach, que se transformou mais tarde num luxuoso hotel. Na manhã desse dia, Versace regressava da sua habitual caminhada pelas ruas de Ocean Drive, quando foi baleado com dois tiros na nuca.

O designer foi a quinta vítima do assassino, que pertencia à lista dos fugitivos mais procurados pelo FBI, e, até hoje, a polícia nunca descobriu a ligação entre os dois e o porquê do seu homicídio.

Cunanan suicidou-se oito dias depois de matar Versace, tornando o caso primeira página em todos os jornais da época. O corpo foi encontrado num iate e a polícia informou que a arma utilizada foi a mesma que matou Versace.

O funeral do estilista, adorado por inúmeros fãs ao longo do mundo, contou com a presença de mais de duas mil pessoas.

American Crime Story. A série que narra a vida de Gianni Versace

American Crime Story: O assassinato de Gianni Versace, a série realizada por Ryan Murphy, explora a vida e a morte de Gianni Versace, bem como as investigações feitas pela polícia após o seu homicídio. A série, que pode ser vista na Netflix, estreou em 2018 e baseia-se no livro Vulgar Favors, de Maureen Orth.

O assassinato de Gianni Versace retrata ainda momentos marcantes da vida de Andrew Cunanan, desde a sua infância até aos homicídios de 1997. Assim, a série avalia não só o lado de Gianni Versace e da sua família, como acompanha a obsessão de Cunanan pela sua futura vítima.

Moda, homicídio e a comunidade LGBT nos anos 80 e 90 são também alguns dos temas abordados durante a segunda temporada de American Crime Story. O elenco principal da série conta com a presença de Édgar Ramírez (que interpreta Versace), Darren Criss, Ricky Martin e Penélope Cruz (a sua irmã, Donatella).

A produção é da responsabilidade da Fox 21 e da FX Productions e conta com dez episódios.

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