Dia Mundial do Rock

Dia Mundial do Rock: Cinco bandas que provam que o rock não está morto

Dia 13 de julho comemora-se o Dia Mundial do Rock. Para celebrar a data, o Espalha-Factos elaborou uma pequena lista com cinco artistas cujas sonoridades provam que o rock não está morto.

Nos últimos anos, parece que o rock, um dos mais influentes e predominantes géneros da história da música, tem perdido alguma relevância. Ouve-se, e lê-se, que o “rock está morto”. Mas há que olhar para esta frase com um olhar ligeiramente mais objetivo, de forma a analisá-la.

Num contexto histórico, o estilo que ficou popularizado como rock surgiu em meados da década de 1960 como uma evolução do rock and roll, que havia sido popularizado na década anterior. Nas décadas seguintes ao seu surgimento, o rock, tal como toda a música, evoluiu e reinventou-se múltiplas vezes. Dividiu-se em múltiplos sub-géneros e encontrou um lugar como um dos principais motores de desenvolvimento para bandas e artistas retiraram influências.

Assim sendo, a frase “o rock está morto” só é verdadeira hoje em dia se olharmos apenas para as tabelas de vendas de música catalogada como rock. Apesar disso, a música rock continua a evoluir, com novos artistas a surgirem que trazem novas influências na manga, criando sonoridades inovadoras e excitantes que provam que este género musical está longe de ter morrido – apenas se reinventou. Só é preciso saber o que ouvir, e há mesmo muito para descobrir e contemplar.

Para ajudar neste processo, o Espalha-Factos elaborou uma lista de cinco artistas cuja música prova que o rock não morreu.

King Gizzard & The Lizard Wizard

King Gizzard & The Lizard Wizard
Os King Gizzard & The Lizard Wizard criaram uma das discografias mais prolíficas e ecléticas da década passada. (Fotografia: Divulgação)

Se há banda que na última década revitalizou o rock foram os australianos King Gizzard & The Lizard Wizard. Formados em 2010, falar dos Gizzard implica falar de uma das discografias mais prolíficas, interessantes e diferenciadas da década passada. Constituída por sete elementos, incluindo dois bateristas, ouvir um disco da banda é uma verdadeira experiência. A sua sonoridade assenta no rock psicadélico, mas são várias as influências que se encontram nos seus diversos trabalhos.

Tanto podemos ouvir álbuns que foram gravados apenas com instrumentos acústicos (Paper Mâché Dream Balloon) ou trabalhos com instrumentos personalizados para tocarem microtons (Flying Microtonal Banana). Ou então, um disco que está completamente interconectado e cuja última faixa retorna à primeira, criando um loop infinito (Nonagon Infinity). E ainda existe um disco de heavy metal (Infest The Rats’ Nest). É um grupo cujos discos são todos únicos e singulares entre eles.

Ghost

Ghost
Os Ghost combinam influências de hard rock e heavy metal dos anos 70 com uma sensibilidade pop conduzida pelo ouvido mestre de Tobias Forge. (Fotografia: Facebook)

Se olharmos para uma fotografia dos Ghost, banda sueca de heavy metal formada em 2006 e em atividade desde 2010, é fácil de achar que a música que vamos encontrar será bastante pesada. Mas as aparências iludem. Graças ao cérebro do vocalista e multi-instrumentista Tobias Forge, os Ghost retiram muitas influências das bandas de hard rockheavy metal dos anos 70, combinando-as com uma sensibilidade pop para criar refrões cativantes, provenientes do excelente ouvido para melodia que Forge possui. Esta sensibilidade pop foi crescendo a cada disco, lado a lado com a popularidade da banda.

Mas se a música já chama à atenção pela sua qualidade, o verdadeiro trunfo na manga dos Ghost está na teatralidade que gira em torno da banda. Em palco, Forge assume a identidade de um papa demoníaco e com um sentido de humor satírico, denominado Papa Emeritus, apoiado pela sua banda, os Nameless Ghouls. Entre Opus Eponymous Prequelle, o vocalista encarnou quatro iterações diferentes da personagem, todas com as suas próprias personalidade.

black midi

black midi
Geordie Greep, Morgan Simpson, Cameron Picton e Matt Kwasniewski-Kelvin formam os black midi, uma das bandas mais excitantes a surgir nos últimos anos. (Fotografia: Divulgação)

Oriundos de Londres, no Reino Unido, os black midi começaram a fazer furor na cidade natal devido aos seus concertos, que se assemelhavam a uma jam session contínua. No entanto, foi com uma performance na rádio de Seattle KEXP que começaram a ganhar fãs a nível internacional. Fazendo parte da editora Speedy Wunderground, casa de algumas das bandas mais promissoras do Reino Unido, os black midi juntam influências de math rockpost-punknoise rock para criar uma sonoridade muito própria e experimental.

Além do trabalho de guitarra que caracteriza a banda, com as suas afinações muito pouco comuns, é atrás da bateria que está a grande força da banda. Morgan Simpson é dos melhores bateristas em ação, e é em torno dele que acabam por girar os instrumentais experimentais e avant-garde da banda. Em 2019, lançaram Schlagenheim, o seu álbum de estreia, para aclamação dos críticos e fãs. São das bandas que irão marcar a próxima década, não só no contexto do rock, mas da música em si.

IDLES

IDLES
A música dos IDLES possui uma componente crítica bastante expressiva face a problemas que assolam a nossa sociedade. (Fotografia: Divulgação)

Se há subgénero no rock que sempre teve um comentário político e de mudança associado, é o punk rock. E na frente deste novo movimento de bandas de punk que cresceram em popularidade na segunde metade da década passada, estão os britânicos IDLES, diretamente de Bristol.

Liderada pelo vocalista carismático Joe Talbot, os IDLES abordam nas suas letras vários problemas da sociedade atual, como o privilégio branco, a masculinidade tóxica, o racismo ou a saúde mental. Muitos deste tópicos ainda são considerados controversos e tabu na sociedade, e são abordados na escrita de Talbot com um humor muito característico.

Os instrumentais são rítmicos e agressivos, numa junção entre punk e post-punk, provocando um casamento entre uma vontade de dançar e de, ao mesmo tempo, partir tudo em revolta face ao mundo que nos rodeia. A banda conta com dois discos excelentes no seu catálogo, Brutalism e Joy as an Act of Resistance. O terceiro disco da banda, Ultra Mono, será editado a 25 de setembro deste ano.

Solar Corona

Solar Corona
Oriundos de Barcelos, os Solar Corona misturam influências de rock progressivo com psicadelia de forma a criar uma epopeia cósmica através da sua música. (Fotografia: Facebook)

Vindos diretamente de Barcelos, os Solar Corona surgiram no ano de 2013. Nos primeiros anos de vida, editaram 3 EPs, tendo só em 2018 a possibilidade de lançar o seu primeira longa duração, Lightning One. Constituídos por Rodrigo CarvalhoJosé Alberto GomesPeter CarvalhoNuno Loureiro, a banda junta influências de rock progressivo, com composições longas divididas em várias secções, com toques de psicadelia e stoner rock, este último especialmente no quão pesado e densos soam os instrumentos da banda. A sua música transporta-nos por uma verdadeira epopeia cósmica, levando-nos a lugares nunca antes explorados neste pequeno universo.

Mais recentemente, no seu último disco, Saint-jean-de-luz, a banda incursou por um caminho mais experimental e abstracto, criando composições que soam a autênticas jam sessions de improviso entre os membros da banda.

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