Nazaré
Distribuição SIC / SP Televisão

Opinião. Nazaré, uma espécie de “Morangos com Açúcar moderna”

A nova temporada de Nazaré estreou este domingo (12) na SIC. A nova vaga de episódios da novela já foi gravada durante a pandemia, que foi incluída na história, mas vem com o objetivo de manter os resultados atingidos pela primeira temporada.

Uma semana após o fim da primeira fase da novela, Nazaré regressou com novos episódios, uma história renascida e algumas novas caras no elenco. A produção de sucesso da SIC é líder de audiências desde o primeiro capítulo e a segunda temporada foi confirmada antes da pandemia, mas com a interrupção das gravações, a novela de Sandra Santos teve de adaptar-se à nova realidade.

Carolina Loureiro, a grande protagonista de Nazaré, regressou para continuar a dar vida à mulher forte e independente da região de Leiria, assim como grande parte do elenco, tirando algumas exceções como Sandra Barata Belo, que ficou fora dos novos episódios devido à gravidez. Porém, com uma nova história a movimentar a principal trama, o elenco sofreu algumas adições, como Mikaela Lupo, Oceana Basílio, Rita Lello, Miguel Costa, Manuela Couto e Tiago Teotónio Pereira – que está de regresso à SIC após uma breve passagem pela TVI, para viver um dos protagonistas da nova temporada de Nazaré.

Uma família perdida

Depois de ‘Prisioneira’, na TVI,  Tiago Teotónio Pereira está de regresso à SIC.

A paz de Nazaré e Duarte não podia ficar inabalada durante os novos episódios da novela da SIC. Rui (Tiago Teotónio Pereira) tem 28 anos e nunca soube da existência do irmão: Duarte. Quando descobre que a mãe, Natália (Manuela Couto) guarda caixas com informação sobre um total desconhecido, Rui confronta-a em busca da verdade, longe de imaginar que encontraria em Duarte um irmão inesperado.

Movido pela vontade de conhecer a família que não sabia que tinha, Rui visita a Nazaré em procura de respostas, virando a vida de Duarte do avesso, que até então acreditava que a mãe havia morrido.

Contudo, não é só Rui quem perturbará a paz do casal. Adolfo (Miguel Costa) é o novo vilão da história, que coloca a vida de Duarte em risco logo no primeiro episódio. O pescador parece vir com o objetivo de infernizar a vida ao casal, principalmente aos negócios de Nézinha, que o mesmo olha como alguém que se aproveitou da fortuna do marido.

A segunda temporada de Nazaré arrancou com cenas fortes, mas a principal aposta de ficção da SIC continua a não esconder que não é um produto que se assuma digno de grandes prémios. A proposta da estação de Paço de Arcos é apenas uma: cativar o público. O elenco jovem e mediático foi uma das grandes chaves para o sucesso, e a segunda temporada já o assume com certezas, ao trazer Tiago Teotónio Pereira para o elenco e com um papel de destaque.

A novela de Sandra Santos (autora de Espírito Indomável, em exibição nas noites da TVI) é uma espécie de Morangos Com Açúcar moderna. O drama, apesar de não ser adolescente, não nos apresenta as mesmas camadas que uma história como, por exemplo, a concorrente Quer o Destino nos apresenta, deixando de lado a violência gratuita (embora ainda exista), as vinganças, o sangue; e outros ingredientes que marcaram o panorama da ficção nacional nos últimos anos. O sucesso de Nazaré pode ser explicado não só pelo elenco, mas também pela facilidade de consumo da história. É uma novela fácil de acompanhar, leve e com a dose certa de humor que agrada tanto a miúdos como a graúdos.

Diz-se por aí que a novela foi originalmente pensada para a segunda faixa do horário nobre da estação – atualmente ocupada por Terra Brava – mas hoje, torna-se especialmente bizarro imaginar Nazaré & Companhia a ser transmitida num horário mais tardio. E por duas razões: a primeira, porque os resultados foram tão animadores na primeira faixa que, supostamente, ditaram a sua permanência no horário. A segunda, porque as 21h parecem, de facto, as mais indicadas para este tipo de aposta: jovem, leve e fresca. 

O último episódio da primeira temporada de ‘Nazaré’ agarrou mais de um milhão e 700 mil telespectadores.

A televisão serve de refúgio a muitas pessoas, especialmente a quem o streaming não é uma opção ou está fora da sua realidade. Nazaré, assim como outras novelas, é um exemplo de como essa aposta faz sentido, sem deixar os jovens caírem no esquecimento (afinal, continuam a ser uma camada forte da audiência do programa, que costuma ser tendência no Twitter).

A integração da pandemia na novela é, também, um dado curioso. Enquanto Terra Brava, segundo se sabe, ignorará a Covid-19, Sandra Santos e a equipa optaram por não esconder a realidade que se vive. É uma escolha inteligente, pois permitirá criar humor à volta da situação (Onde está a minha máscara? / Está na orelha), mas também facilitará as gravações e a inclusão do elenco sénior nas gravações, como Márcia Breia, Ruy de Carvalho ou Carlos Areia. É a opção segura que permitirá uma maior conexão do público à história, que se aproxima agora da realidade portuguesa em alguns lares de idosos, mas não só.

Seria impreciso dizer que a Nazaré é uma novela de qualidade astronómica. Não é. É, no entanto, uma novela que dialoga com o seu público alvo e que demonstra que, por vezes, quanto mais simples, mais atrativo. Escusado será dizer que os novos episódios de Nazaré continuarão, seguramente, a fazer sucesso. Não obstante, é preciso torcer para que a SIC saiba a altura de encerrar a história, antes que o público a encerre por si.

A nova temporada de Nazaré é exibida de segunda a sexta-feira após o Jornal da Noite, na SIC.

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