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Vinícius de Moraes | Fonte: Sítio Oficial do Artista

Vinícius de Moraes: Morreu há 40 anos O Poetinha

No dia 9 de julho de 1980 falecia Vinícius de Moraes, vítima de um enema pulmonar. Hoje celebramos a sua vida e o seu enorme legado cultural, que passa por quase todas as atividades artísticas, da poesia ao cinema.

vinícius de moraes Fonte | Sítio Oficial do Artista

A diplomacia e a política

Marcus Vinícius da Cruz Mello Moraes nasceu a 19 de outubro de 1913 na Gávea, um bairro nobre na Zona Sul do Rio de Janeiro. A sua ingressão no mundo das artes começou cedo, no Colégio Jesuíta, onde fazia parte do coral e sketches de teatro. Apesar das suas criações prolíferas, Moraes ingressou na área das Ciências Jurídicas e Sociais na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Durante os anos 1930, o Brasil era liderado por Getúlio Vargas, presidente responsável por várias reformas económicas e sociais no país, que passaram por instaurar a intervenção do Estado e a perseguição das mílicias nacionalistas denominadas Integralistas (em que Vinícius de Moraes chegou a ser filiado). Neste período, trabalhou como censor cinematográfico no Ministério de Educação e Saúde e o seu envolvimento nestas atividades possibilitou que ganhasse uma bolsa para estudar língua e literatura inglesa na Universidade de Oxford.

Assim começou a sua carreira na Diplomacia. Em 1946 foi apontado como vice-cônsul em Los Angeles e, nos anos 1950 foi diplomata em Paris e Roma, onde conheceu Sérgio Buarque de Holanda, pai de Chico Buarque, com quem Moraes acabou por desenvolver uma amizade e parceria musical. Passou por Portugal, onde, nas pausas do seu trabalho, se apresentava em concertos com Chico Buarque e outras personalidades da Música Popular Brasileira (MPB). Em 1968, já a trabalhar no Ministério de Relações Internacionais no Brasil, a sua atividade foi travada pelo regime militar brasileiro, instaurado quatro anos antes. O motivo terá sido a sua vida boémia, que o “impedia de exercer as funções“.

Em 1942, numa viagem com viés político ao nordeste do Brasil, acompanhado do o escritor americano Waldo Frank, Vinícius de Moraes começa a questionar os ideais de extrema-direita do Movimento Integralista, começa a estudar obras de autores como Karl Marx e passa a adotar ideias comunistas. Em entrevista ao jornalista Narceu de Almeida Filho, em 1979, declarou:

Se você me perguntar se sou um homem feliz, eu vou dizer que não sou. Não sou porque não sei ser feliz dentro de uma sociedade tão injusta como a nossa. Esse é um problema que me afeta diretamente, me afeta não só como homem de esquerda, mas também como homem, simplesmente, como um ser humano. Então, esse ônus eu vou carregar pelo resto de minha vida, não há saída, porque não tenho a menor esperança de ver as coisas se normalizarem e se equilibrarem ainda no meu tempo.”

Vinícius: um marco na Música Popular Brasileira

A sua veia de artista nunca se desmoronou durante todos os anos que passou a viajar e a representar o seu país. Muito antes disto, as suas apresentações no Colégio e a amizade com a dupla de compositores e músicos Irmãos Tapajós, permitiram imortalizá-lo na gravação de algumas canções pelo trio. A partir de então, serviu de compositor para vários artistas da Música Popular Brasileira (MPB).

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Vinícius de Moraes e o seu conjunto no Colégio Santo Inácio | Fonte: Sítio Oficial do artista

A parceria que mais gerou frutos foi com António Carlos Jobim – a dupla compôs algumas das canções mais reconhecidas da Bossa Nova, como “Chega de Saudade“, “Estrada Branca“, “Canção do Amor Demais” e “Outra Vez“. “Chega de Saudade” foi uma música importantíssima na afirmação da Bossa Nova enquanto género musical, contando com a participação de um dos nomes que viria a brilhar no movimento: João Gilberto.

Em 1962, Vinícius de Moraes participou de um dos concertos mais importantes da história da MPB, juntamente com Tom Jobim, João Gilberto e o grupo Os Cariocas, onde foram lançados vários clássicos como “Garota de Ipanema“.

Toquinho foi o outro dos promissores parceiros de Moraes. Juntos, participaram de várias digressões pelo Brasil e Argentina, onde apresentavam as suas composições com artistas como Maria Bethânia, Maria Creuza, Chico Buarque. Em 1974, compuseram juntos “As Cores de Abril“, um aceno à Revolução dos Cravos em Portugal.

O seu último projeto musical, em 1980, foi o álbum infantil A Arca de Noé, com a participação de vários intérpretes, com músicas baseadas a partir do livro homónimo do artista.

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Poesia: onde tudo começou

Vinícius de Moraes sempre considerou a poesia a sua primeira e maior vocação. Escreveu desde novo, inicialmente em verso branco (com métrica, mas sem rima) e livre, mas nas suas viagens pela Europa, inspirou-se no soneto italiano e português. Os seus sonetos de amor foram escritos à moda de Camões, e o tema principal das suas composições era o desejo sexual, retratado de maneira subjetiva.

Pouco depois de se ter licenciado, em 1933, publicou duas coleções, Caminho para a Distância Forme e Exege. Em 1937, o seu Soneto de Katherine Mansfield foi publicado na revista Anauê!.

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Vinícius de Moraes numa livraria em Paris | Fonte: Sítio Oficial do artista

Ao longo da sua vida, Vinícius de Moraes publicou 12 livros de poesia. Poemas Esparsos, uma coleção de poemas, foi editado postumamente pela mão da escritora Ana Miranda e pelo poeta Eucanaã Ferraz, que reuniram e organizaram vários poemas soltos.

A mão de Vinícius pode ter parado de escrever e a sua voz cessado de cantar, mas o seu legado artístico, que contém ainda obras cinematográficas e teatrais, jamais será silenciado.

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