Courtney Love no Majestic Ventura Theatre
Andrea Fleming (Wikimedia Commons)

Courtney Love: uma estrela que a vida só agora deixa brilhar

Courtney Love foi umas das principais personalidades da música que marcou os anos 90

Courtney Love completa nesta quinta-feira, 9 de julho, 56 anos. A eterna viúva de Kurt Cobain, como a maioria a conhece, teve uma vida repleta de rejeição, drogas e dor. A mulher que muitos adoram odiar, e que até aos dias de hoje é acusada pelos fãs da morte do astro do grunge, foi, apesar de tudo, uma artista que marcou uma geração. No meio de tanto ódio, é importante relembrar a estrela que começa agora a recuperar o seu brilho.

Se a infância de Courtney Love tivesse de ser resumida em apenas uma palavra seria rejeição. Filha de pais divorciados, Courtney foi rejeitada pela mãe e deixada aos cuidados de terceiros. A sua infância ficou marcada por lares de acolhimento e reformatórios. Perdida, sozinha e problemática, a música foi a sua salvação.

Dedicada a ser uma estrela de rock, Love dedicou-se a fazer isso acontecer. Foi vocalista dos Faith No More durante alguns meses, antes de decidirem que queriam um vocalista masculino. Courtney decidiu então que iria formar a sua própria banda. Nasciam as Sugar Babydoll, em conjunto com Jennifer Finch (L7) e Kat Bjelland (Babes in Toyland). A banda viria a separar-se, mas o que pareceu o fim para Love foi apenas o ínicio daquela que seria a sua banda de sucesso. Em 1989 nasce Hole.

A voz que marcou uma geração

O primeiro álbum da banda foi lançado em 1991. Pretty On The Inside era cru e agressivo, com riffs distorcidos e vocais violentos. ‘Teenage Whore, o único single do álbum, chegou ao 1.º lugar da tabela indie do Reino Unido. O álbum é o espelho das frustrações e experiências de Courtney Love. Sobre o disco, Courtney partilhou, citada em This Is the Sound: The Best of Alternative Rock“estas músicas são sobre as minhas próprias fraquezas e impurezas. Coisas sobre mim que eu odeio, paranóias  preocupações mesquinhas e coisas patéticas e contundentes que estão dentro de mim”.

 

O grande sucesso da banda viria em 1993, com o álbum Live Through This, considerado o melhor álbum da banda. Com uma sonoridade bastante mais polida, o álbum faz parte dos 500 melhores álbuns de todos os tempos, segundo a revista Rolling Stone. Antes de o álbum ser lançado, muitos dos que já o tinham ouvido acreditaram que Courtney ia ser uma artista maior que Kurt Cobain. Hole iria ofuscar os Nirvana. Com um som mais melódico, mas com a agressividade característica da banda. As letras das músicas acompanham na perfeição a sonoridade.
Temas como a violação são tratados no álbum, onde Courtney censura a ideia antiquada de culpar a vítima, como se pode ouvir no tema ‘Asking For It’. Live Through This tem em si alguns dos temas mais icónicos da banda, como ‘Miss World‘, ‘Violet’ e ‘Doll Parts‘. Apesar do imenso sucesso do álbum e do quão promissor prometia ser, a morte de Kurt Cobain retirou muitas das atenções ao álbum. Além disso, muitos aproveitaram o sucedido para responsabilizar Love pela morte do marido, e muitos conspiraram que quem tinha escrito as músicas do álbum teria sido Kurt e não Courtney.

Hole depois da morte de Kurt Cobain

Depois de ficar viúva e de perder a sua baixista para uma overdose,  Love viu-se novamente absorvida pelas drogas. Depois de anos de vício, concertos, idas ao tribunal e disputas judiciais, Hole viu o seu terceiro álbum lançado em 1998. Celebrety Skin veio com um som mais pop e fala sobre a fama e sobre Los Angeles, onde Courtney estava a viver na altura.  Aclamado pela crítica, o álbum chegou a platina. Com uma imagem mais limpa e cuidada, o álbum contrasta com o primeiro da banda, onde o desdém a L.A era evidente. Mas esta era uma nova fase para a artista, e Love tinha agora na cidade dos anjos uma vida pós Kurt.

O single ‘Celebrity Skin’ ganhou o Grammy para melhor música de rock e melhor performance vocal de rock de um grupo ou duo em 1999. Também o videoclipe do single ‘Malibu‘ foi indicado para o prémio de melhor cinematografia nos MTV Music Awards de 1999. O novo álbum marcava uma viragem na vida de Courtney.

No entanto, a banda viria a separar-se em 2002 depois de desentendimentos. Em 2004, depois de meses fechada num chateau em França a consumir drogas, Love lançou o seu álbum a solo America’s Sweetheart. Considerado o álbum mais fraco da carreira de Love, a cantora mostrou a sua insatisfação relativamente ao disco numa entrevista em setembro de 2006: “as canções eram más. A produção foi um pesadelo. Linda Perry e eu tínhamos escrito músicas realmente boas, mas elas foram mal produzidas e ficaram uma merda. A arte era horrorosa, não era a minha ideia para a capa de um CD”. Apesar do desdém da própria cantora, o álbum chegou a receber críticas positivas. Porém, a própria fase em que Courtney Love se encontrava não era a mais favorável e a artista acabou por ser a sua pior publicista.

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Courtney voltaria a reunir Hole, sendo ela a única do alinhamento original. Em 2010, é lançado Nobody’s Daughter, o primeiro álbum de Hole em 12 anos. O álbum é, em grande parte, dedicado à sua filha Frances, fruto da sua relação com Kurt. Uma mistura da sonoridade da guitarra acústica com a agressividade da guitarra eléctrica de Love que chegou ao 15.º lugar na tabela da Billboard 200. Um álbum sentimental e cheio de retrospeção.

Sóbria e estável

Depois de uma vida recheada de drogas e instabilidade, Courtney Love está sóbria e a ter o reconhecimento merecido. Em fevereiro deste ano, Love ganhou o prémio de Ícone nos NME Awards. “Muito obrigada, não preparei nenhum discurso, desculpem, não quero ser desrespeitosa. Acordei hoje de manhã e tenho a honra de pegar neste troféu que diz ‘vão-se foder’.”, disse. No seu discurso, Courtney partilhou ainda: “Também estou sóbria há 18 meses hoje. Não acredito nisso e é muito louco. Muito obrigada, sinto-me muito honrada. Muito obrigada”.   

Gostando da sua música ou não, Courtney provou ser uma verdadeira força da natureza. Uma sobrevivente que mais nada tem a provar.

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