Imagem: IMDb / Gone With the Wind (1939)

Vivien Leigh: quem foi um dos maiores astros de Hollywood?

Vivien Leigh faleceu há 53 anos e foi a primeira atriz britânica a ganhar um Óscar de Melhor Atriz

Há 53 anos falecia Vivien Leigh, uma das maiores estrelas de Hollywood de todos os tempos. O seu nome voltou a ser mais falado nos últimos tempos, depois da nova “polémica” em torno do filme que protagonizou, E Tudo o Vento Levou. Mas quem foi esta icónica atriz que nos deixou tão cedo?

Se Vivien Leigh fosse viva hoje teria mais de 100 anos, à semelhança da sua colega Olivia de Havilland, mas uma tuberculose crónica fez com que a atriz britânica nos deixasse com apenas 53 anos. O papel pelo qual é mais conhecida é o de Scarlett O’Hara do clássico E Tudo o Vento Levou, mas apesar do sucesso e de ser considerada uma das mulheres mais bonitas do seu tempo, Leigh escondia uma vida assombrada pela doença mental.

Uma mulher à frente do seu tempo

Vivien Leigh, ou Vivian Mary Hartley, nasceu e passou grande parte da sua infância na Índia, no seio de uma família abastada e com uma vida confortável. A sua vida mudou quando aos 6 anos é enviada para um colégio de freiras em Inglaterra, anos que teriam sido solitários. Já adolescente, o pai retira-a do colégio e acaba por viver e estudar em várias cidades europeias durante quatro anos, tornando-se fluente em francês e italiano. Em 1931, Vivien regressa a Inglaterra e é inscrita na Real Academia de Arte Dramática (RADA) com o apoio dos pais após expressar, já na altura, uma grande vontade de se tornar atriz. Mas a vontade de independência era muita, e Leigh viu no casamento o bilhete perfeito para a liberdade. Aos 18 anos casa-se com Leigh Holman, 13 anos mais velho que ela, e pouco tempo depois teve a sua única filha, Suzanne, nascida em 1933.

Mas a vida doméstica não era para Vivien, que rapidamente se dedica então em seguir o seu verdadeiro sonho – ser uma grande atriz. Vivien começou a sua carreira com atuações em variadas peças de teatro e em alguns filmes. Usando o nome do marido, e trocando a última vogal do seu nome, Vivien Leigh cria o nome de palco por que ficaria conhecida, e finalmente vê a sua carreira ganhar balanço quando entra no filme Fire over England (1937).

Foi nas filmagens desse filme que Vivien Leigh conhece Laurence Olivier. Apesar de casada e de ter uma filha, Leigh e Olivier passam a viver juntos, ambos sem conseguir obter divórcios, casando apenas em 1940. A decisão da atriz foi vista com maus olhos, mas Vivien iria viver a vida à sua maneira. E assim o fez, deixando o conforto financeiro do marido. Determinada, independente e ambiciosa, Leigh mostrou desde cedo que nada se poria entre ela e os seus objetivos.

Foi nessa altura que Leigh leu o romance Gone With the Wind, de Margaret Mitchell, e se convenceu de que era a atriz perfeita para interpretar a protagonista no grande ecrã, dando ordens ao seu agente americano para a recomendar ao produtor, David O. Selznick, para o papel. C.A. Lejeune, um crítico de cinema da altura, diz que Vivien espantou todos quando disse que “eu serei Scarlett O’Hara. Esperem e verão.” E assim foi.

Tudo o Vento Levou
Clark Gable e Vivien Leigh em E Tudo o Vento Levou

Leigh foi escolhida para interpretar o papel mais cobiçado da altura, o de Scarlett O’Hara no clássico de 1939. Nascia assim uma das personagens mais famosas da história do cinema, numa actuação que lhe valeu o Óscar de Melhor Atriz e fama instantânea. No entanto, a experiência de gravar E Tudo o Vento Levou não foi a mais fácil, e a atenção que ganhou pelo filme fizeram-na refletir: “Não sou uma estrela de cinema – sou uma atriz. Ser uma estrela de cinema – simplesmente uma estrela de cinema – é uma falsa existência, vivida com falsos valores e por publicidade. Atrizes continuam a trabalhar, e haverá sempre papéis maravilhosos para interpretar”.

Apesar de ser reconhecida ainda hoje pelo seu trabalho no cinema, nomeadamente em Hollywood, e de ter vencido um segundo Óscar de Melhor Atriz como Blanche DuBois, outra southern belle, em Um Elétrico Chamado Desejo (1951) – a adaptação cinematográfica da peça de Tenessee Williams que Leigh também representou nos palcos do West End londrino em 1949 -, a sua carreira de trinta anos foi construída principalmente no palco. Vivien venceu um Tony Award pelo seu papel na Broadway no musical Tovarich em 1963, e o leque diversificado de personagens que interpretou, de heroínas em comédias contemporâneas a clássicos papéis em tragédias de Shakespeare, demonstra a sua capacidade como atriz.

Viver com doença bipolar não diagnosticada

“Temperamento artístico”. Era assim que eram descritos os “comportamentos maníaco-depressivos” com os quais foi diagnosticada. Para além de na altura não se saber muito sobre a doença bipolar, o estigma que acompanhava as doenças mentais fez com que Vivien Leigh tentasse esconder ao máximo a condição que a atormentava. As suas mudanças de humor eram facilmente mal interpretadas, especialmente numa altura em que a doença mental não era levada a sério, tendo ficado com a fama de ser uma atriz “díficil” e “complicada”.

Depois de ter sofrido um aborto espontâneo durante as filmagens do filme César e Cleópatra em 1945, por exemplo, a atriz sofreu um episódio depressivo profundo. Numa altura em que não se falava sobre doenças mentais, Vivien viveu com a sua condição em silêncio, com medo que a mesma pudesse arruinar a sua carreira. O tratamento mais utilizado na altura era através de terapia de choques, mas o procedimento não só deixou cicatrizes na atriz como piorava muitas vezes o estado psicológico de Vivien.

Vivien Leigh em 1958, em Londres. Foto: Roloff Beny

A saúde mental de Leigh afetou tanto a sua vida pessoal como profissional. Vivien Leigh viu o seu casamento com Olivier deteriorar-se até chegar ao fim em 1960 e, em 1953, durante as filmagens de Elephant Walk, Vivien teve um esgotamento nervoso e acabou por ser substituída por Elizabeth Taylor. A sua doença condicionou a sua vida em vários aspetos e fez com que muitas vezes fosse mal interpretada, mas o profissionalismo da atriz foi sempre uma constante.

Na década de 1960, o seu trabalho foi esporádico, e apesar de, como atriz, continuar a ter performances emblemáticas, a sua saúde estava a deteriorar-se. Em maio de 1967, enquanto ensaiava a peça A Delicate Balance, a tuberculose crónica que a afligia regressou, e Vivien Leigh acaba por falecer na casa que partilhava com Jack Merivale, o seu companheiro na altura, a 7 de julho de 1967, com apenas 53 anos.

Apesar das doenças mentais ainda serem estigmatizadas, o que é certo é que os avanços na medicina entretanto alcançados ajudaram em muito as pessoas que sofrem todos os dias com estes problemas de saúde. Vivien Leigh não tinha só o estigma da doença contra si, mas também a falta de informação sobre a mesma. Mesmo assim, o seu estatuto como uma das maiores estrelas de Hollywood de todos os tempos continua inegável, e o seu legado inigualável. Vencedora de dois Óscares, Leigh pode ser relembrada em filmes como Gone With The Wind, A Streetcar Named Desire, Lady Hamilton, César e Cleópatra e Waterloo Bridge, continuando a ser uma das mais míticas e emblemáticas figuras do cinema e do panorama cultural ainda hoje.

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