Doom Patrol

‘Doom Patrol’ não perdeu a identidade e ganhou mais ambição

Doom Patrol foi uma das maiores surpresas do ano passado. Ninguém dava muito por um spin-off cómico de baixo orçamento da série Titans, o que fez com que a qualidade tremenda da sua temporada de estreia ganhasse mais valor. É das melhores séries de super-heróis dos últimos anos e, certamente, a mais única.

Comédia bizarra, efeitos especiais ridiculamente maus, personagens desconhecidas do grande público. Os obstáculos de muitos foram os trunfos de Doom Patrol. O humor louco compensa, os efeitos dão um charme particular e o drama individual e coletivo dos protagonistas eleva a série a um patamar inesperado. Os primeiros 15 episódios contam uma narrativa fantástica de aceitação de identidade.

E isso não muda na segunda temporadaDoom Patrol estreou os primeiros três novos episódios de uma só vez. O que nos fez apaixonar pela série da DC e, agora, da HBO continua lá, mas com uma ambição para fazer mais e melhor.

Espalha-Factos fala-te de como está a ser o regresso de Doom Patrol.

Sessões de terapia

As personagens principais começam a segunda temporada a processar as revelações do final do ano passado. Chief (Timothy Dalton) perdeu a confiança de todos os elementos da Doom Patrol, contudo, em troca, recuperou a filha, Dorothy (Abigail Shapiro), com o poder de trazer amigos imaginários para a vida. A equipa está profundamente dividida e a questionar os progressos feitos na temporada anterior.

Isto não quer dizer que Doom Patrol apague o desenvolvimento das personagens, pelo contrário. Cada protagonista está a lidar com as pontas soltas do seu passado, com uma atitude mais positiva do que no início da série, se bem que ainda fortemente fragilizada pelas inseguranças de cada um.

Pode ser um detalhe intencional ou simples coincidência, mas nestes primeiros três episódios mais do que uma personagem vê-se numa situação de terapia. E é mesmo essa a intenção da série. Apesar de haver uma narrativa global que progride ligeiramente, agora mais do que nunca Doom Patrol dedica cada episódio às dúvidas identitárias das suas personagens.

Este é, na verdade, o verdadeiro motivo para o espetador acompanhar a temporada. Ainda não há um rumo claro para a história, nem sequer um vilão, apenas pequenas pistas de cenários possíveis. Mas a temporada não sofre por isso, porque cada mini-narrativa resulta. Tudo graças às personagens que são quase como membros disfuncionais da nossa família.

Doom Patrol
(Divulgação/HBO)

Criativos e ousados

Os primeiros três episódios deixam claro que as boas ideias de Doom Patrol não se esgotaram. O capítulo inicial aproveita muito bem o potencial humorístico do conceito típico do sci-fi de pessoas encolhidas. O segundo episódio dá-nos um antagonista absolutamente hilariante. O terceiro é, talvez, o mais “típico” e mesmo assim apresenta um cenário criativo de enpoderamento.

A qualidade cómica e o impacto dramático continuam sólidos. Parece que a série nunca parou, tal é a velocidade com que nos volta a agarrar a cada linha de diálogo. E há mais ambição. Os episódios já não dependem tanto de flashbacks — são agora utilizados de forma mais eficiente —, há, por vezes, mais do que duas narrativas a começar e encerrar no mesmo episódio, sem que isso seja confuso.

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O comentário social é mais frequente, mas mesmo assim completamente natural e tudo menos forçado. Na sua essência, Doom Patrol é sobre amar a nossa própria identidade, valorizar as nossas qualidades, aceitar os nossos defeitos. Para lá disso, a escrita não tem medo de abordar questões raciais, igualdade de género e homofobia. Aliás, o quarto episódio que estreia esta quinta-feira (2) chama-se “Sex Patrol” e vai contar com o regresso dos habitantes de Danny, uma rua senciente genderqueer — uma sequela ao oitavo episódio da primeira temporada, “Danny Patrol”, que celebrou a comunidade LGBTQ+.

E não podemos deixar de referir o elenco. Chief está mais presente nesta temporada e, por isso, Timothy Dalton também, e a série só ganha com isso. Larry Cliff continuam a impressionar com a combinação entre a interpretação física (Matthew Zuk e Riley Shanahan) e de voz (Matt Bomer e Brendan Fraser). Jane (Diane Guerrero), Rita (April Bowlby) e Vic (Joivan Wade) completam o grupo com as interpretações mais exigentes.

Com apenas três episódios, a segunda temporada de Doom Patrol já mostra momentos de genialidade e promete muitos mais. As personagens continuam a evoluir e as narrativas estão mais ambiciosas. Tudo funciona tão bem ou até melhor do que antes.

No total, vão ser nove episódios e já só estão a faltar seis. Todas as quintas-feiras até ao final de julho os fãs vão ter dose semanal de uma das melhores criações de super-heróis no mercado. Porque nos faz rir e chorar loucamente. Porque não tem medo de assumir uma identidade fora da norma. Porque nos dá força para fazer o mesmo.

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