Amália
Portal do Fado

Amália. 100 anos da eterna voz do fado

A 'Diva' que levou o nome de Portugal além-fronteiras nasceu há 100 anos

Em julho de 1920, a Rua Martim Vaz, na freguesia da Pena, próximo da Mouraria, em Lisboa, via nascer Amália da Piedade Rebordão Rodrigues. Apesar de no seu registo de nascimento constar o dia 23, a artista sempre considerou ter nascido no primeiro dia do mês. Por isso, esta quarta-feira (1) assinala-se o Centenário daquela que fica para sempre eternizada como a ‘Diva do Fado’.

Nascida numa família beirã humilde que procurava em Lisboa uma vida melhor, começa, nos tempos da juventude modesta já ligada à labuta, a revelar a ligação à canção da alma. “As vizinhas [chamavam-me]: ó Amália, anda cá, canta lá esta. E eu cantava. Com sete, oito anos, comecei a ver as vizinhas a lavar a roupa na selha e a cantar um fado. Eu não sabia que era um fado, mas diziam que era fado. Aos 12 anos, comecei a cantar os tangos do Gardel que ouvia nas fitas; vinha para casa sem saber o que dizia, mas ouvia o som, o som das palavras, e dizia como parecia que era“, revela no documentário Amália – Uma Estranha Forma de Vida, de Bruno de Almeida.

Aos 15 anos, quando vendia fruta no Cais da Rocha, é escolhida para ser solista da Marcha de Alcântara, cantando, pela primeira vez, em público, para acompanhar a marcha daquele que era o seu bairro desde os seis anos de idade. Entretanto, entra na escola aos nove anos e abandona o ensino aos 12. “Éramos muitos filhos e tive que ir trabalhar. Andei por vários sítios. Fui para a fábrica da Pampulha. Havia muitas empreitadas. Na época das ervilhas, quem descascasse mais depressa ganhava mais…“, revelou numa entrevista citada pelo Portal do Fado.

Em 1938, faz audições para o Concurso da Primavera, onde se disputava o prémio de Rainha do Fado daquele ano. Não chega a participar, mas conhece aí Francisco da Cruz, o guitarrista que viria a ser seu marido durante nove anos (1940-1949). Continua a cantar em festas, com o nome de Amália Rebordão, devido ao seu irmão Filipe Rebordão, pugilista relativamente conhecido.

Um ano depois, em 1939, estreia-se como cantora profissional no Retiro da Severa. “Foi assim: o meu irmão Filipe, que era boxeur e boa pessoa (coitado, morreu cedo), conheceu o Santos Moreira, que era viola, e disse-lhe que tinha uma irmã que cantava muito bem e gostava que ele me ouvisse. E eu lá fui com ele. Tinha um medo de cantar que me pelava, mas fui lá e cantei“.

Depois de seis meses de exibições, percorre outras casas lisboetas, com atuações menos regulares, até ao final da década de 50. É a partir do início desta década, que se dá a sua internacionalização. “Amália Rodrigues realiza longas viagens de digressão em espectáculo a partir do início da década de 1950, pelo que as suas aparições em Portugal se limitam a alguns espectáculos anuais, como a Grande Noite do Fado, o Natal dos Hospitais, o Reveillon do Casino Estoril e outras festas e festivais, muitas de beneficência“, pontua o Museu do Fado.

Antes mesmo do percurso no estrangeiro, passa pelo teatro e pelo cinema, nos anos 40. “Como nunca aprendi a ser atriz, como não sabia nada, e lá porque cantava e era a Amália Rodrigues, entrei logo como primeira figura“, confessou na biografia escrita por Vítor Pavão dos Santos.

Morre a 6 de outubro de 1999, aos 79 anos, deixando um imenso legado imaterial. Vários discos editados, poemas escritos e cantados por si e a representação de Portugal no estrangeiro, principalmente num tempo em que o país, por força da ditadura, se encontrava fechado em si mesmo: Amália é muito mais que um nome do Fado, é um marco da História de Portugal.

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