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Fotografia: Comunidade Cultura e Arte

10 discos que te podem ter passado ao lado em 2020

O Espalha-Factos traz-te uma lista de dez grandes discos lançados na primeira metade de 2020

Todos os dias é lançada uma quantidade enorme de música, mais discos e álbuns do que aqueles que nos é humanamente possível consumir. Na era do streaming, é muito fácil aceder a todo um catálogo, disponível à distância de um clique, quer estejamos à procura de uma banda independente desconhecida no Bandcamp ou de um dos maiores artistas da nossa geração no Spotify ou na Apple Music. É complicado filtrar tudo o que ouvimos, ou até decidir o que escutar num determinado momento no tempo.

Durante a quarentena que ocorreu devido à pandemia da Covid-19, a música terá servido como um dos principais aliados a muitas pessoas para ajudar na passagem do tempo. Muitos de nós tem aquele conjunto de faixas ou discos que nos transportam para um lugar seguro quando o caos nos rodeia. No entanto, nunca o espaço para novas descobertas deve deixar de existir. Por tudo isto, o Espalha-Factos reuniu um conjunto de dez discos lançados na primeira metade deste ano de 2020 que podes ter deixado passar ao lado.

Manuel RochaManuel Rocha Quartet

Manuel Rocha Quartet é o álbum de estreia do quarteto liderado pelo músico Manuel Rocha. É um disco que transpira uma sensação de serenidade e paz por entre acordes da guitarra meticulosamente tocada. Os instrumentais são, principalmente, uma fusão entre o jazz e o lounge, conferindo à música uma sonoridade bastante acessível e de fácil audição. É um álbum que nos leva numa viagem pela costa portuguesa num belo dia de verão, viagem essa que ocorre apenas no interior da nossa memória.

SunflowersEndless Voyage

Endless Voyage é o regresso ao estúdio dos portuenses Sunflowers. É um álbum conceptual sci-fi que gira em torno de um mundo durante um apocalipse causado pela ascensão das máquinas. A sua sonoridade típica de punk psicadélico regressa numa junção com uma sensação de calma pela aceitação do caos que nos rodeia, em formas de riffs de guitarra golpeantes e baterias caóticas. Pelo meio, somos presenteados com instrumentais de sintetizadores que nos levam a viajar por um mundo que tem tanto de belo como de caótico, como se a máquina estivesse a tentar distrair-nos do que realmente está a acontecer.

GalgoParte Chão

O quarteto lisboeta regressou também aos discos. Com a energia a que nos habituaram desde o seu início, criaram oito temas capazes de nos fazer esticar corpo e alma. A quinta faixa, Garras Dadas, tem produção de Xinobi, e pede, principalmente, um palco onde se possa “partir tudo”. Aliás, todo o disco pede, apesar do confinamento não ter permitido senti-lo.

Pedro de TróiaDepois Logo Se Vê

Pedro de Tróia assinou, com Os Capitães da Areia, um dos mais conceituados e essenciais álbuns da década passada na música portuguesa: A Viagem dos Capitães da Areia a Bordo do Apolo 70. Agora, a bordo da sua própria nave, o cantor e músico português aventura-se a solo com Depois Logo Se Vê. É um disco com uma assinatura que contém muitos dos elementos que fizeram Os Capitães da Areia tão celebrados, mas juntando um toque mais pessoal, algo ansioso, e uma dose de nostalgia encontrada no meio de instrumentais carregados de teclados influenciados pelo synth-pop dos anos 80 e guitarras e linhas de baixo com um toque meloso, característico do jangle-pop. É um disco que olha para um futuro incerto através da combinação do olhar do presente com o do passado.

Porridge RadioEvery Bad

Os Porridge Radio são uma banda britânica oriunda de Brighton. Every Bad é o segundo álbum da banda, e é o primeiro que os seus quatro elementos gravam dentro de um estúdio. É um disco que gira em torno da voz poderosa e crua da vocalista, Dana Margolin, ampliada por instrumentais influenciados pelo indie rock e post-punk, carregados de arranjos exuberantes e um nível de melancolia e ansiedade que se arrasta pelo álbum. É, inegavelmente, um dos discos mais excitantes dos últimos tempos no mundo do indie.

Nicolas JaarCenizas

Se o músico americano de raízes chilenas já nos tinha habituado a aparecer de súbito, na sua forma subtil, ele voltou a surpreender-nos no mês de março. Acima de tudo o novo disco, Cenizas, pinta o cenário pós-pandemia de forma introspetiva mas também apocalíptica, com temas que são de fuga (como Vanish) e dor (como a faixa título). Deixa-nos ainda espaço à inevitável esperança com a fortíssima Mud, 7m13s de arrebatamento.

Manuel DordioDor

Dor de Dordio, o primeiro trabalho a solo do músico que já esteve ao lado de Benjamim ou Márcia e que compôs bandas sonoras para artistas como Joana Linda, surgiu em plena pandemia. Diríamos, talvez, que foi uma (in)feliz coincidência, já que num primeiro disco se deseja que o músico tenha palco para o apresentar; por outro lado, as paisagens algo misteriosas e intimistas de Dor podem ser uma bálsamo para os dias improváveis que vivemos. A guitarra marca o ritmo nos nove temas que compõem o disco e que tem no seu tema-título uma das músicas mais expressivas da quarentena. Um bom exercício será tentar escrever-lhe uma letra. Outro será apoiar o músico adquirindo o disco, disponível no Bandcamp, que no dia 3 de julho entrega o valor total dos discos aos músicos.

Três Tristes TigresMínima Luz

Outro dos tremendos azares em termos de edições nacionais coube a uma das bandas que ajudou a escrever a história da música em Portugal. Nos anos 90, os Três Tristes Tigres tiveram o mundo musical a seus pés apesar de, em 1998, a banda ter deixado de fazer nova música. Mínima Luz saiu a 1 de maio e traz de volta Alexandre Soares e Ana Deus com as suas guitarras e vozes afiadas. Não podia deixar de refletir uma certa melancolia e também a reflexão que a idade adulta exige, sendo um disco que traz “à tona” (tinha de sair este trocadilho) o lado multidisciplinar dos artistas. Há muito rock, há eletrónica, uma certa languidez e ainda a certeza de que são uma das bandas mais importantes da música portuguesa.

Rose City BandSummerlong

Ripley Johnson, rosto e barba de Moon Duo e Wooden Shjips, repete o projeto Rose City Band com este disco pleno de energia sixties. Devedor, sobretudo, de uns Byrds e da psicadélica que os definiu, compôs um típico disco de verão de camisa havaiana e chinela no pé. É devedor, também, de um Dylan trovador, e não devíamos deixar passar o verão sem o ouvir neste momento de semidesconfinamento.

MuzzMuzz

Muzz é o álbum homónimo de estreia do supergrupo de indie rock constituído por Paul Banks (Interpol), Matt Barrick (The Walkmen) e Josh Kaufman. A sonoridade do álbum ecoa os trabalhos dos seus elementos: o post-punk dos Interpol, o indie rock dos The Walkmen e a estética de Sleep Well Beast dos The National, para o qual Kaufman fez contribuições. É um álbum de estreia extremamente consistente por parte do trio e ficamos, entretanto, à espera de mais música da banda no futuro.

Escolhas de Alexandra Correia Silva e Miguel Rocha.

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