LGBTQ+
Fotografia: Mercedes Mehling/Unsplash

Oito leituras para celebrar o Mês do Orgulho LGBTQ+

O mês de junho é dedicado ao Orgulho LGBTQ+, um mês de celebração mas também de luta pelos direitos de uma comunidade que ainda sofre discriminação e perseguição pelo mundo. Neste mês, como costume, o Espalha-Factos traz-te uma lista de leituras LGBTQ+ para leres este verão. Por isso, faças parte da comunidade LGBTQ+ ou não, esperamos que tires algo destas leituras: que te identifiques, ou que fiques a conhecer novas perspetivas e novas vozes literárias.

Este ano, devido ao movimento Black Lives Matter, decidimos apresentar-te obras cujos autores são negros – vozes que foram duplamente esquecidas pelo cânone. Destas obras, apenas algumas estão traduzidas em Portugal: autores como James Baldwin e Alice Walker já ganharam o seu lugar nos currículos americanos e nas nossas livrarias, também graças a adaptações cinematográficas das suas obras. Mas muitas destas narrativas, especialmente as mais recentes e para um público mais jovem, mesmo quando vencedoras de prémios, continuam sem chegar ao mercado português. Esta lista, como qualquer outra, pretende no entanto ser apenas um ponto de partida. A partir daqui, convidamos-te a ir à descoberta de novos autores, novos livros com novas personagens, diferentes daquelas sobre as quais costumas ler.

All Boys Aren’t Blue de George M. Johnson

Imagem: Goodreads

George M. Johnson é um jornalista e ativista LGBTQIA+, e neste livro profundamente pessoal ele explora a sua infância e juventude numa coleção de ensaios. Esta memoir explora o que é ser negro e queer nos Estados Unidos da América, as vitórias tanto quanto as tribulações, e trata de temas como a identidade de género, a masculinidade tóxica, irmandade e família, a marginalização estrutural e consentimento. Num estilo honesto e direto para jovens-adultos, é simultaneamente acessível e belo – e apesar de ter saído em abril deste ano, tem já adaptação a caminho com Gabrielle Union.

Zami: A New Spelling of My Name de Audre Lorde

Imagem: Goodreads

Audre Lorde foi uma poeta americana, feminista e ativista do Civil Rights Movement. Nesta obra publicada em 1982, que a autora chamou de “biomitografia”, Lorde reconta a sua infância em Harlem, Nova Iorque, filha de pais imigrantes caribenhos, a sua juventude passada nos anos 1950, e mostra a forma como as mulheres na sua vida impactaram a pessoa que se tornou. Audre Lorde explora o racismo e a homofobia  que sentiu por ser negra e lésbica, enfatizando a importância da interseccionalidade no movimento feminista, numa obra que é tanto uma crónica como uma belíssima obra literária de uma das mais fortes e pertinentes vozes americanas do século XX, mas infelizmente sem tradução em Portugal.

Felix Ever After de Kacen Callender

Imagem: Goodreads

O mais recente livro de Kacen Callender conta a história de Felix Love. Felix não só tem de lidar com o facto de ser trans, queer e negro, como também é um adolescente, ansioso e confuso por ainda não ter tido a sua primeira grande paixão. Quando um colega anónimo lhe começa a enviar mensagens transfóbicas – depois de ter exposto fotos suas antes da transição – Felix arranja um plano para se vingar… embarcando numa aventura de auto-descoberta e de aceitação pessoal. Callender já venceu os Prémios Stonewall e Lambda, atribuídos a obras literárias que celebram ou tratam de temas LGBTQ+.

O Quarto de Giovanni de James Baldwin

Imagem: Goodreads

Finalmente editado em Portugal pela Alfaguara (que edita a restante obra de Baldwin), esta obra, controversa aquando da sua publicação em 1956, tornou-se entretanto um clássico da literatura LGBTQ+. Baldwin, um autor negro – também ele gay – escreve sobre a paixão entre dois homens brancos na Paris dos anos 1950, onde o autor viveu grande parte da sua vida e faleceu em 1987. O livro conta a história de um americano em Paris, determinado em viver uma vida convencional, noivo de uma jovem rapariga, que se envolve num tórrido caso com um bartender italiano, vivendo torturado e confuso pela sua orientação sexual.

The Black Flamingo de Dean Atta

Imagem: Goodreads

Um lançamento de 2019, este livro escrito em verso para o público juvenil conta a história de Michael, um rapaz gay nascido e criado em Londres, filho de emigrantes da Jamaica e Chipre. A história coming-of-age acompanha-o da infância até à ida para a faculdade, e trata de racismo, identidade de género, sexualidade, e homofobia, sublinhando a importância da aceitação própria e de conseguir encontrar a sua voz e expressar a sua identidade, como Michael eventualmente encontra na sua poesia e como artista de drag – o Black Flamingo.

A Cor Púrpura de Alice Walker

Imagem: Goodreads

Este clássico americano de 1982 popularizou-se graças ao filme, protagonizado por Whoopi Goldberg e realizado por Steven Spielberg, e conta a trágica história de Cellie, uma mulher afro-americana no Sul dos EUA, ao longo de 40 anos. Abusada pelo pai, separada dos filhos que ele a obrigada a ter e da irmã, em quem encontra conforto, é obrigada a casar com um homem escolhido pelo pai. Presa neste casamento, a sua vida muda quando conhece Shug Avery, uma cantora e amante do seu marido, por quem se apaixona, um amor que a ajuda a encontrar a sua própria voz e a reencontrar aqueles que perdeu. Não só o livro trata de temas como o racismo e a segregação racial, o machismo, e a violência sexual, mas também retrata um amor lésbico na primeira metade do século XX – uma história que, apesar de trágica, mostra também a possibilidade de um final feliz.

You Should See Me in a Crown de Leah Johnson

Imagem: Goodreads

Esta comédia romântica tem como personagem principal Liz Lightly, uma rapariga negra e pobre que não se encaixa na sua escola secundária, onde todos são obcecados com o baile de finalistas. Mas quando dificuldades financeiras parecem impossibilitá-la de frequentar a sua faculdade de sonho, Liz arranja um plano: a escola tem uma bolsa de estudos que atribuí ao rei e rainha do baile de finalistas, e ela tem de a conseguir. Para isso, terá de competir e ser coroada prom queen – mesmo que isso seja a última coisa que ela faria voluntariamente. A única coisa que ajuda a situação é Mack, a nova colega que também está a concorrer, mas Liz vê-se confrontada com a pergunta: apaixonar-se pela sua competidora porá em causa os seus sonhos? Uma doce e engraçada história com um personagem LGBTQ+ que é uma estreia de sucesso no mundo literário jovem-adulto americano.

Mr. Loverman de Bernardine Evaristo

Imagem: Goodreads

Bernardine Evaristo, vencedora do Booker Prize em 2019 por Girl, Woman, Other, escreveu esta história que explora a comunidade caribenha em Inglaterra e as consequências e a profundeza dos preconceitos, ao mesmo tempo que nos traz uma personagem adorável e complicada como é Barrington Jedidiah Walker, um extravagante e e estiloso senhor de 74 anos, nascido e criado em Antígua, e uma personagem conhecida do bairro londrino de Hackney. Casado com Carmel, pai e avô, Barrington mantém também um relação com o seu melhor amigo e alma-gémea, Morris, que dura há 60 anos. A esposa sabe que ele lhe é infiel, e pouco mais – mas quando o casamento entra em colapso, Barrington tem de tomar decisões difíceis.

Mais Artigos
Dia da Amizade: as ligações mais memoráveis do cinema e da televisão