Dia Europeu da Música

Dia Europeu da Música: Uma viagem pela Europa através de 15 álbuns

Neste dia 21 de junho, um dia a seguir ao solstício de verão de 2020, celebra-se mais um Dia Europeu da Música.

O evento que levou à criação deste dia ocorreu pela primeira vez em França, em 1982. O então ministro da cultura, Jack Lang, ditou que neste dia seria celebrada uma festa que tinha o objetivo de “trazer os músicos à rua“. No ano seguinte, cerca de 200 mil músicos povoaram as ruas francesas e presentearam o público com concertos. Três anos mais tarde, a iniciativa começou-se a espalhar por outras cidades europeias e, em 1995, foi decretada a data como celebração do Dia Europeu da Música.

Para celebrar a comemoração da data, o Espalha-Factos elaborou uma lista com quinze álbuns que constituem uma viagem por quinze países europeus. A música e melodia são o veículo que nos conduz por esta multiculturalidade que constitui o mundo da música, e acima de tudo, a Europa.

Lisboa Mulata, Dead Combo (Portugal, 2011)

Lisboa - Dia Europeu da Música
Lisboa Mulata, dos Dead Combo, ecoa uma junção do Portugal tradicional com um país cada vez mais modernizado.

Lisboa Mulata é o quinto álbum de estúdio dos Dead Combo. O nome deste disco revela muito do que ele é. É um álbum que respira Lisboa, que nos transporta pela ruas apertadas de Alfama, mas ao invés de ouvirmos só o barulho do fado a ecoar por estas, ouvimos o respirar de um Portugal a modernizar-se entre as guitarras elétricas de Tó Trips e Pedro Rodrigues.

Fuerteventura, Russian Red (Espanha, 2011)

De Madrid, chega a música aconchegante de Russian Red. Acompanhada da guitarra, Russian Red presenteia-nos uma música animada, pensativa e sentimental, numa mistura tão boa como um abraço apertado. A sua voz doce delícia os ouvidos de quem ouve temas como ‘Brave Soldier’ ou ‘Tarantino’. Fuerteventura é o álbum perfeito para um dia de descanso e relaxamento.

Tropeau Bleu, Cortex (França, 1975)

Paris: Dia Europeu da Música
Tropeau Bleu, dos Cortex, transporta-nos para uma França perfumada de glamour.

Cantado inteiramente na língua francesa, Troupeau Bleau dos Cortex é um álbum que conjuga instrumentais extremamente dançáveis com uma pitada de glamour que influenciaria a pop francesa nas próximas décadas. A voz de Mireille Dalbray torna-se uma das muitas texturas que ecoam pelo álbum, juntado linhas de baixo extremamente funky com influências de jazz e samba para uma sonoridade muito própria que nos transporta para uma festa numa residência em Paris. O álbum ganhou uma segunda vida no passado recente quando algumas das suas faixas foram usadas como samples no mundo do hip hop.

Autobahn, Kraftwerk (Alemanha, 1974)

A Autobahn é o sistema de auto-estradas federal da Alemanha. Autobahn também é o quarto álbum de estúdio dos Kraftwerk, banda alemã pioneira no mundo da eletrónica. E a escolha do nome não é coincidência. O disco retrata uma viagem a bordo da auto-estrada alemã e as suas fases: a monotonia de uma longa viagem, a alta-velocidade a que os carros avançam, a sintonização nas estações de rádio e os panoramas diferentes que vamos encontrando no caminho. É uma viagem em pêras, guiada pela combinação da instrumentação orgânica e sons eletrónicos repetitivos que são a imagem de marca da banda mais importante da história da música eletrónica.

And to in A, 5K HD (Aústria, 2017)

Os 5K HD são oriundos de Viena. And to in A é o seu álbum de estreia, lançado em 2017, e é um álbum que funde vários géneros para uma experiência pop que tem tanto de progressiva como de melodias que ficam presas aos nossos ouvidos. A voz de Mira Lu Kovacs é complementada por instrumentais com influências de jazz, trip hop e soul que soam limpos e definidos na sua produção. É uma experiência de audição extremamente gratificante, que nos incute uma vontade de mexer no nosso corpo mas ao mesmo tempo uma certa dose de melancolia dentro de nós.

Sungrazer, Sungrazer (Países Baixos, 2010)

Numa mistura de stoner rock e música psicadélica, os holandeses Sungrazer transportam-nos até um sentimento de paz. Formados em 2009, a banda terminou em 2013, devido à morte do guitarrista e vocalista Rutger Smeets. Os instrumentais são longos, mas de qualidade e onde as distorções são uma constante. O álbum homónimo de estreia é um bom exemplo da qualidade desta criação holandesa e uma memória de algo que já não existe.

The World Is Getting Colder, Lebanon Hanover (Reino Unido, 2012)

Lebanon Hanover
As texturas frias e góticas da música dos Lebanon Hanover transportam-nos numa viagem pelo underground de uma cidade.

A banda é britânica mas tem também mão suíça. O duo é composto pelo britânico William Maybelline e pela suiça Larissa Iceglass. Os dois conheceram-se em Inglaterra, onde formaram os Lebanon Hanover em 2010. A sonoridade músical passeia entre o rock gótico e a dark wave. The World Is Getting Colder foi lançado em 2012 e é o perfeito exemplo da essência da banda. Os sons transportam-nos por uma viagem no underground onde as letras acompanham a poética das faixas. Frio mas familiar. Obscuro mas distinto. Um ambiente misterioso mas apelativo. 

Ágætis byrjun, Sigur Rós (Islândia, 1999)

Islândia: Dia Europeu da Música
Os Sigur Rós levam-nos num passeio pelas paisagens etéreas e eternamente deslumbrantes da Islândia.

A tradução de Ágætis byrjun, o segundo álbum de estúdio dos islandeses Sigur Rós, é algo como “Um bom começo”. É neste disco que os Sigur Rós criaram a sonoridade que marca a sua carreira. O vocalista e multi-instrumentalista Jónsi Birgisson adapta o uso de um arco de violoncelo para tocar a sua guitarra, e a banda parte daqui para criar composições e arranjos que são de uma beleza interminável. As texturas etéreas e delicadas transportam-nos para uma ilha cujas paisagens variam entre o delicado gelo e as harmonias entre os verdes e vulcões que nos conseguem preencher e aquecer a alma. E isto é muito do que este disco é: um estado de conforto para o ouvinte enquanto navegamos nas suas delicadas melodias e explosões sonoras tão características do post-rock.

Sequel, Euzen (Dinamarca, 2011)

Fundada em 2006 na Dinamarca, Euzen é uma banda de sonoridades experimentais e progressivas. A sua expressão artística é eclética e única. A voz da vocalista norueguesa, Maria Franz, é cativante e carismática, e em conjunto com a sonoridade do instrumental da restante banda, torna a música de Euzen uma verdadeira experiência mágica. O seu álbum Sequel foi lançado em 2011 e é cantado em inglês, com um miminho especial em norueguês – ‘Vilje’. As suas onze faixas criam no nosso imaginário um cenário de um bosque encantado, onde tudo ao nosso redor é tranquilo e pacífico.

Suicidal Since 1995, Ängie (Súecia, 2018)

Uma mistura de pop e trap rap com uma sonoridade atraente e uma estética apelativa. É assim que se caracteriza a música de Ängie. A jovem sueca tem já no seu currículo vários singles de sucesso, como ‘Spün’ e ‘Housewife Spliffin’. Not Pushing Daisies foi lançado este ano e promete fazer sucesso. Este álbum é o resultado de uma colaboração entre a sueca e o produtor norte-americano Harrison First, onde a sua singularidade estilística continua a ser evidente.

Vikingligr Veldi, Enslaved (Noruega, 1994)

Enslaved: Dia Europeu da Música
Os Enslaved fazem alusão à cultura e história norueguesa nas suas músicas. Fotografia: Christian Misje

Formados em 1991, os Enslaved tornaram-se rapidamente uma das principais figuras do movimento de black metal que singrou no início da década de 90 na Escandinávia. Lançado em 1994, Vikingligr Veldi é um álbum que possui múltiplas referências a vikings na sua lírica, uma alusão à cultura e história do país de onde provém a banda. Os riffs são épicos e a música cria uma atmosfera bastante noturna e, de certa forma, assustadora que é aumentada pelo uso de teclados sinistros e uma poderosa secção rítmica. Isto confere uma veia bastante progressiva às faixas, que apesar da sua duração, nunca se tornam aborrecidas. E, sendo isto um disco de black metal, os gritos ensurdecedores não podiam faltar.

Kaikki Kolmesta Pahasta, Apulanta (Finlândia, 2012)

Uma mistura de rock com ska vinda directamente de Heinola, na Finlândia. Formada em 1991, a banda é composto por apenas 3 elementos: Toni Wirtanen na voz e guitarra, Sippe Santapukki na bateria e Sami Lehtinen no baixo. Os seus álbuns são cantados na sua língua nativa e Kaikki Kolmesta Pahasta não é exceção. Um rock melódico e cativante, com faixas bastantes animadas. 

Slow Sundown, Holy Motors (Estónia, 2018)

O que esperar da sonoridade de uma banda cujo nome provém de Holy Motors, filme de culto do realizador Leos Carax? Os estonianos Holy Motors, em Slow Sundown, álbum de estreia lançado em 2018, criam uma estética e sonoridade que soa a uma banda sonora de um spaghetti western se este fosse realizado por David Lynch. As texturas criadas pelos instrumentais cobertos de reverb são atmosféricas e sonhadoras, fazendo lembrar bandas como os Low ou Cigarettes After Sex, que nos contagiam com a sua melodia hipnotizante.

ЭтажиMolchat Doma (Bielorússia, 2018)

Molchat Doma
A música dos Molchat Doma transporta-nos para o interior de uma discoteca gótica numa cidade gélida da Bielorússia. Fotografia: ETEP

Os Molchat Doma iniciaram a sua atividade musical em 2017, mas é no ano seguinte que começam a ganhar notoriedade. Propulsionados pelo algoritmos, Этажи (cuja tradução é algo semelhante a “Andares” em português) tornou-se rapidamente um fenómeno no Youtube e, posteriormente, no Bandcamp. Musicalmente, o disco é um throwback aos anos 80, através da sua junção entre elementos de synth-pop, new wave russo e post-punk. Os sintetizadores usados criam uma atmosfera bastante fria e noturna, mas as linhas de baixo e riffs de guitarra palpitantes desafiam-nos a dançar. Tudo isto dentro de uma discoteca gótica localizada no meio de uma cidade gélida na Bielorrússia.

Elektronik Türküler, Erkin Koray (Túrquia, 1974)

Erkin Koray é o pai da música rock turca. Em Elektronik Türküler, o seu álbum de estreia lançado em 1974, Erkin combina as suas influências de rock psicadélico com a música tradicional oriunda da Túrquia. Esta combinação é conhecida por anatolian rock. Adicionando ainda um toque progressivo aos arranjos das músicas, o resultado final acaba por se tornar numa verdadeira viagem pela longa história turca, mas aprimorada com um toque moderno e ocidental. O álbum é cantado inteiramente na língua turca.

Sugestões de Débora Felicidade e Miguel Rocha.

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