365 dias
Fotografia: Netflix / Divulgação

Crítica. ‘365 Dias’ é erótico, mas sobretudo errático

365 Dias, produção polaca deste ano, chegou à Netflix este domingo (7) a anunciar-se como uma versão ainda mais erótica de As Cinquenta Sombras de Grey, o que gerou curiosidade entre os fãs da saga literária que se tornou também um fenómeno cinematográfico.

Há, sem dúvida, paralelos entre as duas, mesmo para quem nunca viu a adaptação ao cinema da obra de E.L. James. A questão é que 365 Dias não chega bem a ser um filme. A iluminação, berrante e óbvia, é um anúncio claro da falta de subtileza da produção, que derrete o orçamento em planos aéreos de paisagens ou cenários opulentos e encaixa cena atrás de cena num pacote de banda sonora de pop genérica.

O enredo é ainda mais problemático que o de As Cinquenta Sombras. A protagonista feminina, que é alvo da predileção do mafioso Massimo Torricelli (Michele Morrone), é raptada por ele. Acontecimentos que se desenrolam anos depois de ele a ter visto pela primeira vez e ter ficado obcecado por ela. Ao ponto de ter retratos da musa afixados pela casa. Atenção, produção, stalking não é fixe.

Depois de conseguir raptar a polaca Laura (Anna Maria Sieklucka), que teve o azar de ir parar à Sicília e ser novamente vista por este homem maníaco, decide então dar-lhe uma oportunidade para ela se apaixonar por ele, ou, na verdade, aposta todas as fichas no caso de a vítima da sua afeição desenvolver Síndrome de Estocolmo. A rapariga é obrigada a viver com ele durante 365 dias e, no fim, decide se quer continuar ou prefere ir à vida dela. Pelo meio é assediada constantemente, ameaçada e explorada sexualmente, mas também subornada com prendas e tratada como se fosse um animal de estimação, mas “apaixona-se”. Parece que, na cabeça dos guionistas, o grande sonho de uma mulher é ter uma relação abusiva com um garanhão italiano.

365 dias
Fotografia: Netflix / Reprodução

E tudo gira em torno deste homem, incapaz de ser gentil, que nunca ouviu dizer que “não é não” e que surge rodeado de mulheres que são desenhadas como objetos, fúteis criaturas agradadas por compras ou fascinadas por um órgão sexual “feito pelo Diabo”. Este filme sai em 2020, mas as cabeças que o conceberam estão algures lá atrás.

Enfim, não levemos demasiado a sério um filme erótico. Não é suposto pensar assim tanto. Mas, do início ao fim, é desconfortável, desajustado e desprovido de talento ou sensualidade. Algumas cenas chegam mesmo a dar vontade de rir, de tão grosseiras e desajeitadas. O filme não tem também história digna desse nome, não conhece o significado de “desenvolvimento das personagens” e é insuportavelmente longo. A dupla de protagonistas é atraente, mas não sabe representar, as cenas de sexo são baratas, na linha do softcore dos anos 90 que costumava passar na madrugada da noite de fim-de-ano dos canais generalistas.

Não compensa ver este filme, nem mesmo para o ridicularizar. Não deixes que te enganem. 

 

 

365 Days
Erótico, mas sobretudo errático.
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