Fita Isoladora Conceição Queiroz Guilherme de Sousa
Fotografia: EF via Divulgação

“Não nos podemos calar”. Conceição Queiroz e Guilherme de Sousa falam sobre racismo no ‘Fita Isoladora’

O podcast do Espalha-Factos dedica o episódio à temática do racismo e da representatividade racial

O episódio deste sábado (6) do podcast Fita Isoladora, do Espalha-Factos, foi dedicado às temáticas do racismo e da representatividade racial. Os jornalistas Conceição Queiroz, da TVI, e Guilherme de Sousa, da TSF, falaram acerca das suas experiências pessoais e dos desafios que tiveram de enfrentar por causa da sua cor de pele.

Na semana em que se intensificaram os protestos do movimento #BlackLivesMatter, na sequência da morte de George Floyd, cidadão norte-americano, Conceição Queiroz protagonizou um momento emotivo na televisão, quando não conseguiu conter as lágrimas e completar o lançamento de uma reportagem sobre o assunto. A jornalista descreve este como “um momento horrível“. “Eu bem tentei continuar, mas não consegui sequer acabar o texto de lançamento da peça“, completou em declarações ao podcast do EF.

Uma reação da pivô à “desumanidade” que viu nas imagens. “A questão é que não é apenas aquele caso, é mais uma situação que choca e daquela maneira. Imaginemos que era o pai de cada um de nós, imaginemos que era o teu pai, imaginemos que era o meu pai, não é? Quando as pessoas criticam e dizem ‘foi mais um preto que morreu’… digam isso aos filhos daquele homem de 46 anos (…)“, completa.

Aquilo chocou absolutamente toda a gente e isso também foi um pretexto para espoletar toda esta explosão à volta deste caso, que se tornou obviamente num movimento global. O #BlackLivesMatter já existia, mas ganha uma projeção absolutamente enorme com este caso. Eu acabo sempre por pensar nos meus e deixou-me sem palavras“, considera Guilherme de Sousa.

Comunidade negra deve unir-se

Nós temos de nos ajudar“, sublinha Conceição Queiroz, destacando aquela que, para si, é uma questão prioritária – “a união da comunidade em Portugal“. “Nós não existimos, estamos liquidados enquanto comunidade em Portugal“, refere a jornalista, que exorta a que as pessoas se entreajudem e colaborem para melhorar o futuro de todos.

Eu não quero continuar a ver estes miúdos que podiam ser meus filhos a encher as cadeias portuguesas“, afirma a repórter da TVI. “Se eles forem acompanhados, se eles forem bem orientados, serão pessoas diferentes de certeza absoluta“, defende, relembrando o papel de apoio que a comunidade pode exercer e também referindo a fragilidade das mães e pais nestes agregados familiares, “O que é que se pode pedir mais a uma mãe, que tem três e quatro empregos, que sai de casa de manhã cedo, trabalha o dia todo para poder jantar aos filhos? Podes pedir mais a esta mãe?“, questiona.

Há um trabalho que tem de ser feito pela própria comunidade. Se nós nos organizarmos, se criarmos grupos de trabalho, por exemplo, isso é possível“, considera Conceição Queiroz.

Toda a conversa pode ser escutada no podcast, que já está disponível para audição, tem todos os episódios para escuta nas plataformas SpotifyApple PodcastsGoogle Podcasts, AnchorBreaker e RadioPublic.

Ouve o episódio integral:

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