Manifestações

EUA. Imprensa acusa autoridades de ataques contra jornalistas

A morte de George Floyd, às mãos da polícia de Minneapolis, gerou inúmeras manifestações nos Estados Unidos da América. Vários jornalistas, que estão a fazer a cobertura do acontecimento, encontram-se, também eles, atacados e impossibilitados de fazer o seu trabalho.

Por todo o país, milhares de manifestantes saíram as ruas para exigir justiça para as vítimas negras, tendo, para isso, que enfrentar a polícia. Entre eles, há vários jornalistas que acusam as autoridades de os atacarem, mesmo depois de se identificarem como membros de meios de comunicação como a Reuters, a CNN e a MSNBC.

As dificuldades enfrentadas pelos jornalistas, muitas vezes capturadas em vídeo e transmitidas por canais de todo o mundo, mostram aos espectadores como é estar no centro deste ambiente violento e perigoso e, mesmo assim, cumprir a profissão que é considerada um serviço público.

Durante as manifestações, os jornalistas viram-se, não só alvos das manobras policiais, como também confrontados pelas multidões, sendo que muitos deles acabaram por sofrer ferimentos. É o caso de Ali Velshi, jornalista da MSNBC, atingido por uma bala de borracha enquanto cobria uma manifestação.

Jackson, um fotógrafo veterano disse mesmo que os membros da imprensa pareciam ser alvos da polícia. “Geralmente, se somos atingidos por estas coisas, é porque estamos entre a polícia e os manifestantes – estamos a assumir o risco por estar no meio”, declarou o fotógrafo ao Daily Sabah. “Mas durante as manifestações, eles estão a apontar para nós.”

Num comunicado divulgado na noite de sábado, o Huffington Post afirmou que Chris Mathias, um dos seus jornalistas, “foi preso enquanto fazia seu trabalho”. Mathias só foi libertado pela polícia na manhã de domingo.

Em certos casos, a violência dos polícias contra os media traz até danos irreversíveis. Linda Tirado é um desses exemplos. Enquanto fotografava um protesto contra a brutalidade dos polícias, a fotojornalista foi atingida por uma bala de borracha no olho esquerdo, o que a cegou permanentemente.

“Ataques direcionados a jornalistas, às equipas dos media e a organizações de notícias que cobrem as manifestações mostram uma total desconsideração pelo seu papel crítico na documentação de questões de interesse público e são uma tentativa inaceitável de intimidá-las”, sublinhou Carlos Martínez de la Serna, diretor de programas da organização sem fins lucrativos do Comitê para a Proteção dos Jornalistas, em comunicado publicado no sábado.

Repórteres de outras agências locais foram também afetados. Carlos Granda, repórter do canal KABC em Los Angeles, foi atingido por gás lacrimogêneo. Molly Hennessey-Fiske, repórter do Los Angeles Times, publicou fotos de feridas nas pernas depois de ser atingida por balas de borracha.

“Cobri protestos que envolviam polícias em Ferguson, Missouri, Baton Rouge, Dallas e Los Angeles. Também cobri as forças armadas dos EUA em zonas de guerra, incluindo no Iraque e Afeganistão, mas nunca fui atacada pela polícia até hoje à noite”, reforçou Hennessy-Fiske.

Os sinais de perigo para os jornalistas que cobrem as manifestações foram ainda mais evidentes quando uma equipa da CNN foi presa durante uma transmissão em direto do programa matinal New Day.

Omar Jimenez, Bill Kirkos e Leonel Mendez foram levados, sob custódia, depois de terem dito às autoridades que iam mudar para um sítio melhor. O trio só saiu da prisão quando o presidente da CNN Worldwide, Jeff Zucker, apresentou queixa ao governador de Minnesota, Tim Walz.

Nesse dia, vários manifestantes danificaram a sede da CNN em Atlanta, partiam janelas e desfiguraram um logotipo que está à entrada das instalações.

“Os que trabalham para emissoras de rádio e televisão locais arriscam-se a servir o interesse público, e devem poder fazer seu trabalho sem serem ameaçados ou atacados”, afirmou o presidente da Comissão Federal de Comunicações, Ajit Pai, em declaração a várias emissoras de rádio e televisão locais.

“Nenhuma democracia pode funcionar sem liberdade de imprensa e nenhuma sociedade pode ser justa sem jornalistas que investigam irregularidades e falam a verdade ao poder”, escreveu também o secretário-geral da ONU, António Guterres, numa publicação no Twitter.

Segundo a Associated Press, cerca de 1.400 pessoas foram já presas desde o início dos protestos.

O que aconteceu a George Floyd?

George Floyd, um homem afroamericano de 46 anos, foi assassinado por um polícia, Derek Chauvin, que lhe apertou o pescoço com o joelho enquanto ele dizia que não conseguia respirar, asfixiando-o. Floyd estava a ser detido por, alegadamente, fazer um pagamento com uma nota falsa numa loja.

Os nove minutos de violência foram filmados e divulgados nas redes sociais e em canais televisivos de todo o mundo, o que levou a que milhares de pessoas se manifestassem em vários estados americanos.

Os agentes envolvidos foram despedidos sem qualquer acusação, mas, face aos protestos, Derek Chauvin foi acusado de assassinato em terceiro grau, por provocar uma morte de forma involuntária, e homicídio culposo.

De acordo com o Washington Post, mais de mil mortes ocorreram no país no ano passado devido a balas da polícia.

 

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