Somos Portugal
Fotografia: Divulgação

Opinião. O mau exemplo do Somos Portugal

O Somos Portugal regressou à TVI no final de maio, semanas depois de ter sido suspenso. O programa foi alvo de várias críticas dos espectadores: alguns que não entenderam os falsos diretos e outros que afirmaram ser uma irresponsabilidade a versão após o confinamento.

O novo formato voltou a viajar pelo país e três apresentadores falam com as gentes das várias terras sobre tradições, costumes, arte, entre outros temas. Além disso, são exibidas imagens de emissões anteriores com feiras, festas e música.

São essas imagens que estão a gerar descontentamento entre alguns espectadores, e com razão. Inicialmente, todas as imagens eram acompanhadas da palavra “direto”, algo que não correspondia à verdade em várias situações. Apesar de algumas chamadas de atenção, nem todos perceberam que só uma parte do programa estava a ser feita em direto e que todas as imagens em que se mostraram festas cheias de gente não passavam de uma repetição.

Este sábado, a TVI corrigiu, embora ainda não seja uma correção perfeita. Enquanto as imagens de “ambiente”, filmadas antes da pandemia, são acompanhadas pela legenda “Imagens de Arquivo”, os momentos musicais, também gravados, perdem essa legenda. Contudo, a indicação de “direto” deixa de surgir no ecrã.

O Somos Portugal é um programa acompanhado por um público maioritariamente mais velho. Mostrar imagens com aglomerados de pessoas sem uma explicação clara é um perigo, numa altura em que o desconfinamento é permitido, mas com cautela. Tais imagens podem tornar-se num mau exemplo que pode ajudar a deitar todo o esforço por terra.

Os canais de televisão, em que se inclui a TVI, foram importantíssimos veículos da mensagem que ajudou Portugal a ser um caso de sucesso no combate à Covid-19. Agora, compete-lhes não ceder a facilitismos e a buscas desmesuradas de audiências.

Aqui Portugal também regressou

O programa da RTP, que tem a mesma premissa do ‘Somos Portugal’, regressou este sábado. O formato não aposta em repetição de imagens e faz tudo em direto, com os devidos cuidados. Basicamente é tudo feito como num estúdio de televisão, só que ao ar livre e sem público. Um exemplo mais bem conseguido de uma reformulação.

 

Tiago Lourenço é autor convidado do Espalha-Factos e autor do site A Caixa Que Já Foi Mágica.

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